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# Ciências da saúde# Pediatria

Sobreviventes de câncer infantil em risco por causa do cigarro dos pais

Estudo mostra que pais fumantes aumentam problemas respiratórios em sobreviventes de câncer na infância.

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Sobreviventes de câncer na infância (SCC) enfrentam um risco maior de problemas pulmonares mais tarde na vida por causa dos tratamentos que receberam quando estavam doentes. Tratamentos como quimioterapia, radioterapia e cirurgias podem danificar os pulmões, causando problemas como tosse crônica e dificuldade para respirar durante exercícios. Pesquisas mostram que o risco de problemas pulmonares pode continuar a aumentar mesmo anos após terminar o tratamento. Isso sugere que os sobreviventes ainda podem ser vulneráveis a doenças pulmonares.

Além disso, os tratamentos contra o câncer podem enfraquecer o sistema imunológico de uma pessoa por um bom tempo, tornando-os mais propensos a infecções mesmo depois que o tratamento termina. Isso significa que os sobreviventes de câncer na infância podem lidar com complicações de infecções, incluindo as comuns, como sinusites e infecções de ouvido médio, que podem afetar sua saúde geral e levar a idas ao hospital.

Impacto do Tabagismo Parental

A exposição à fumaça do tabaco pode prejudicar qualquer um, inclusive as crianças. Crianças que vivem com pais que fumam estão em maior risco de problemas respiratórios, como tosses constantes, Asma e infecções pulmonares recorrentes. Globalmente, cerca de 40% das crianças estão expostas a alguma forma de fumaça de tabaco. Na Suíça, cerca de uma em cada três crianças cresce em lares com um pai fumante. Os efeitos do tabagismo dos pais podem persistir na vida adulta dessas crianças.

Embora saibamos muito sobre como o tabagismo dos pais afeta as crianças em geral, não temos informações suficientes sobre como isso impacta especificamente os sobreviventes de câncer na infância. Para preencher essa lacuna, foi realizado um estudo para ver quantos sobreviventes de câncer na infância na Suíça, com menos de 16 anos, estão expostos a pais que fumam e verificar ligações entre o tabagismo parental e problemas respiratórios.

O Estudo

O Estudo Suíço de Sobreviventes de Câncer Infantil (SCCSS) é um estudo de acompanhamento de longo prazo que rastreia sobreviventes de câncer infantil registrados em um banco de dados nacional. Esse registro contém informações sobre todos os residentes da Suíça diagnosticados com vários tipos de câncer infantil. Para o SCCSS, questionários foram enviados a sobreviventes de câncer que estavam livres da doença por pelo menos cinco anos.

Neste estudo, analisamos as respostas dos pais de sobreviventes de câncer infantil que eram menores de 16 anos e que compartilharam informações sobre seus hábitos de tabagismo e a saúde respiratória de seus filhos. O estudo teve aprovação ética, garantindo que seguisse as diretrizes necessárias.

Entendendo os Problemas Respiratórios

Os questionários perguntaram sobre vários problemas respiratórios que as crianças poderiam ter enfrentado no último ano, incluindo asma, tosse crônica durando mais de três meses e infecções de ouvido e sinusite recorrentes. Agrupamos as respostas em três categorias principais: infecções respiratórias superiores recorrentes, asma e sintomas respiratórios inferiores.

Sobreviventes que relataram sinusite recorrente ou infecções de ouvido foram classificados como tendo infecções respiratórias superiores recorrentes. Para sintomas respiratórios inferiores, qualquer relato de tosse crônica, chiado recente ou chiado durante exercícios foi considerado.

Tabagismo Parental e Informações Básicas

Perguntamos tanto às mães quanto aos pais se eles já tinham fumado e classificamos suas respostas como fumantes atuais, ex-fumantes ou nunca fumantes. Se não recebemos respostas sobre o status do tabagismo de ambos os pais, excluímos esses casos da nossa análise.

Também coletamos informações gerais sobre as famílias, como a idade da criança, gênero, onde moravam na Suíça e o nível de escolaridade e status de emprego dos pais. Essas informações ajudam a entender melhor os contextos dos sobreviventes de câncer infantil.

Resultados do Estudo

Dos 1846 sobreviventes de câncer infantil elegíveis, questionários foram enviados aos pais de 1628 deles. Recebemos respostas de 1070 famílias, levando a uma taxa de resposta de 66%. Depois de excluir alguns questionários sem dados sobre tabagismo ou respiratórios, analisamos as respostas de 1037 crianças.

A idade média dessas crianças era de 12 anos, e elas foram diagnosticadas com câncer em média aos 3 anos. A maioria das crianças tinha leucemia, tumores cerebrais ou neuroblastoma.

Entre as mães, 18% relataram ser fumantes atuais, enquanto 22% haviam parado de fumar. Para os pais, 24% eram fumantes atuais e mais 24% haviam parado. Em algumas famílias, ambos os pais fumavam, enquanto em muitas, nenhum dos pais fumava.

Problemas Respiratórios em Sobreviventes

O estudo descobriu que 8% dos sobreviventes de câncer na infância relataram ter infecções respiratórias superiores recorrentes, e 5% relataram ter asma. Cerca de 6% relataram sintomas respiratórios inferiores, com uma pequena porcentagem indicando problemas como tosse crônica e chiado. Muitos sobreviventes com sintomas respiratórios inferiores relataram mais de um problema.

Ligação entre Tabagismo Parental e Saúde Respiratória

Quando analisamos a saúde dos sobreviventes de câncer na infância em relação ao tabagismo dos pais, encontramos algumas tendências interessantes. Crianças cujas mães fumavam tinham mais probabilidade de ter problemas como infecções respiratórias superiores recorrentes e sintomas respiratórios inferiores em comparação com aquelas cujas mães não fumavam.

As mães geralmente são as cuidadoras primárias e podem estar em casa com suas crianças com mais frequência, expondo-as à fumaça do tabaco mais do que os pais. Essa maior exposição pode levar a mais problemas respiratórios nessas crianças.

Curiosamente, descobrimos que o status de tabagismo dos pais não teve um efeito notável na saúde respiratória dos sobreviventes. É possível que o tempo que as crianças passam com os pais seja diferente do tempo que passam com as mães.

À medida que as crianças crescem, as chances de terem infecções respiratórias superiores recorrentes diminuem. Sobreviventes que tiveram uma recaída do câncer eram mais propensos a experimentar sintomas respiratórios inferiores.

Limitações do Estudo

Embora este estudo forneça insights valiosos, ele tem algumas limitações. Como foi uma análise pontual, não podemos afirmar com certeza que o tabagismo causa problemas respiratórios; no entanto, sabemos que a fumaça do tabaco pode prejudicar os pulmões.

Os dados autorrelatados podem conter imprecisões, e algumas crianças podem não ter sido diagnosticadas corretamente. Também tivemos um número limitado de casos de problemas respiratórios, o que restringiu nossa capacidade de analisar o impacto do tabagismo dos pais entre os diferentes tipos de câncer ou tratamentos.

Conclusões e Recomendações

Em conclusão, o estudo destacou que muitos sobreviventes de câncer na infância estão em lares com pais que fumam, e essa exposição está ligada a mais problemas respiratórios. Há uma necessidade clara de mais pesquisas sobre os efeitos do tabagismo nas famílias de sobreviventes de câncer infantil, idealmente com estudos de longo prazo que incluam grupos de comparação.

Dadas as conhecidas perigos da fumaça do tabaco, é importante que os profissionais de saúde trabalhem com as famílias para promover a cessação do tabagismo e criar ambientes mais saudáveis em casa. Esse tipo de apoio é vital para garantir a saúde respiratória dos sobreviventes de câncer na infância enquanto crescem.

Fonte original

Título: Parental smoking and respiratory outcomes in young childhood cancer survivors

Resumo: BackgroundPassive exposure to cigarette smoke has negative effects on respiratory health. Childhood cancer survivors (CCS) are at an increased risk for respiratory disease due to treatment regimens that may harm the respiratory system. The objective of this study was to assess the prevalence of parental smoking among CCS and investigate its association with respiratory outcomes. ProcedureAs part of the Swiss Childhood Cancer Survivor Study, between 2007 and 2022 we sent questionnaires to parents of children aged [≤]16 years who had survived [≥] 5 years after cancer diagnosis. Parents reported on their childrens respiratory outcomes including recurrent upper respiratory tract infections (otitis media and sinusitis), asthma, and lower respiratory symptoms (chronic cough persisting > 3 months, current and exercise wheeze), and on parental smoking. We used multivariable logistic regression to investigate associations between parental smoking and respiratory outcomes. ResultsOur study included 1037 CCS (response rate 66%). Median age at study was 12 years (interquartile range [IQR] 10-14). Eighteen percent of mothers and 23% of fathers reported current smoking. CCS exposed to smoking mothers were more likely to have recurrent upper respiratory tract infections (OR 2.1; 95% CI 1.1-3.7) and lower respiratory symptoms (OR 2.0; 95%CI 1.1-3.7). We found no association with paternal smoking. ConclusionsA substantial proportion of CCS in Switzerland have parents who smoke. Exposure to maternal smoking was associated with higher prevalence of upper and lower respiratory problems. Physicians should advise and assist families of CCS in their endeavors to quit smoking.

Autores: Claudia E Kuehni, M. Zarkovic, G. Sommer, C. Nigg, T. Slama, C. Schneider, M. Ansari, N. von der Weid, C. Schindera

Última atualização: 2024-06-03 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.31.24308191

Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.31.24308191.full.pdf

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

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