Novas Ideias sobre o Tratamento da Síndrome de Hemorragia Pulmonar por Leptospirose
Pesquisas destacam opções de tratamento para uma complicação grave da leptospirose.
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Índice
- Sintomas e Fases da Leptospirose
- Uma Complicação Grave: Síndrome de Hemorragia Pulmonar por Leptospirose (LPHS)
- Encontrando Tratamentos Eficazes
- Evidências do Sri Lanka
- Visão Geral do Estudo
- Principais Descobertas
- Tratamentos Utilizados
- Complicações: Infecções Adquiridas em Hospital
- Conclusão e Direções Futuras
- Fonte original
A leptospirose é uma infecção causada por umas bactérias chamadas Leptospira, mais especificamente a Leptospira interrogans. Essa doença é conhecida por se espalhar de animais para humanos. Todo ano, ela causa muitas mortes, com estimativas variando de cerca de 23.800 a 95.900 no mundo todo. As pessoas infectadas com leptospirose costumam ter sintomas como febre alta, dor muscular intensa e irritação nos olhos.
Sintomas e Fases da Leptospirose
A leptospirose geralmente aparece em duas fases principais. A primeira fase, chamada de "fase leptospirêmica", pode durar de três a nove dias. Durante esse período, a pessoa pode ter febre, cansaço extremo e dor muscular. As bactérias se espalham pela corrente sanguínea e podem afetar vários órgãos.
Depois dessa fase, a doença entra na "fase imunológica", onde o sistema imunológico do corpo tenta combater a infecção. Nessa fase, as pessoas normalmente têm um aumento de anticorpos específicos contra as bactérias. Aqui, a inflamação pode causar danos em órgãos como fígado, pulmões, rins, coração e cérebro.
Uma Complicação Grave: Síndrome de Hemorragia Pulmonar por Leptospirose (LPHS)
Uma complicação severa da leptospirose é a Síndrome de Hemorragia Pulmonar por Leptospirose (LPHS). Essa condição ocorre em 20% a 70% dos infectados e tem uma taxa de mortalidade alta, com cerca de 43% a 55% dos pacientes morrendo na primeira semana da doença. A LPHS envolve sangramento nos pulmões, que pode ser causado pelo dano direto das bactérias ou pela resposta imunológica do corpo a elas.
Estudos mostram que há sinais de inflamação grave em pacientes com LPHS. Por exemplo, certas proteínas que indicam inflamação foram encontradas nos pulmões deles. A forma exata como a LPHS ocorre ainda está sendo pesquisada, mas acredita-se que tanto os efeitos das bactérias quanto a resposta do sistema imunológico tenham um papel.
Encontrando Tratamentos Eficazes
Encontrar o tratamento certo para a LPHS é complicado porque há pouca evidência científica para orientar os médicos. A maioria das opções de tratamento vem de casos individuais ou opiniões de especialistas, em vez de grandes estudos. Alguns tratamentos que foram testados incluem Esteroides e um processo chamado troca de plasma (Plex), que visa remover substâncias prejudiciais do sangue.
Alguns relatos sugerem que os esteroides podem ajudar a melhorar os sintomas de alguns pacientes, enquanto outros não mostram benefícios. O PLEX também mostrou promessas em melhorar as taxas de sobrevivência, mas não há grandes estudos que comprovem essas afirmações.
Evidências do Sri Lanka
No Sri Lanka, a leptospirose é comum e frequentemente causa surtos sérios. Há uma necessidade urgente de mais informações para reduzir as mortes por essa doença. Diretrizes nacionais recomendam altas doses de esteroides baseadas em evidências limitadas, e muitos hospitais estão usando PLEX devido a benefícios observados.
Um estudo recente analisou muitos pacientes com LPHS tratados em um hospital importante no Sri Lanka. O objetivo era comparar os resultados de pacientes tratados com diferentes combinações de esteroides, PLEX e outro tratamento chamado desmopressina (DDAVP).
Visão Geral do Estudo
Esse estudo foi uma revisão dos registros de pacientes de um hospital específico. Incluiu pacientes diagnosticados com leptospirose e LPHS de janeiro de 2019 a janeiro de 2022. A aprovação ética foi obtida para o estudo, e o consentimento dos pacientes foi dispensado, já que foram analisados registros já existentes.
Os pesquisadores coletaram detalhes sobre os pacientes, incluindo idade, gênero, condições de saúde antes da admissão e os tratamentos que receberam no hospital.
Principais Descobertas
Um total de setenta pacientes com LPHS foram incluídos no estudo. A maioria deles era do sexo masculino, com uma idade média de 42,69 anos. A maior parte dos diagnósticos foi confirmada por testes laboratoriais. Um número significativo de pacientes precisou de ventilação mecânica e suporte renal.
Entre os pacientes, houve 16 mortes, o que mostra uma taxa de mortalidade de cerca de 22,9%. Aqueles que morreram tinham taxas de batimento cardíaco mais altas, níveis de acidez no sangue mais baixos e níveis mais altos de lactato no sangue em comparação com os sobreviventes.
Analisando os tratamentos, foi observado que combinações específicas de tratamentos como PLEX e DDAVP levaram a taxas de sobrevivência melhores do que outras. O estudo descobriu que todos os que receberam PLEX e DDAVP juntos sobreviveram, enquanto o grupo que recebeu apenas esteroides teve mortalidade mais alta.
Tratamentos Utilizados
Os tratamentos para LPHS incluíram esteroides intravenosos, DDAVP administrada pelo nariz e PLEX com plasma fresco congelado. Os esteroides foram dados em doses variadas. Os pesquisadores compararam os dados dos pacientes em diferentes grupos de tratamento.
Os pacientes que receberam apenas PLEX tinham marcadores de saúde iniciais piores, como níveis mais altos de lactato, sugerindo que estavam mais gravemente doentes. A combinação de PLEX e DDAVP mostrou os melhores resultados, levando a taxas de sobrevivência superiores em comparação com outros tratamentos.
Complicações: Infecções Adquiridas em Hospital
Durante o estudo, cerca de 35,7% dos pacientes desenvolveram infecções adquiridas enquanto estavam no hospital. Os tipos mais comuns foram infecções pulmonares e infecções na corrente sanguínea relacionadas a cateteres.
Fatores específicos como a necessidade de ventilação mecânica e o tempo gasto na UTI estavam relacionados a um risco maior dessas infecções. Curiosamente, os pacientes tratados com PLEX e DDAVP tiveram menos casos de infecções hospitalares em comparação com os outros.
Conclusão e Direções Futuras
A LPHS é uma complicação perigosa da leptospirose, levando a uma alta taxa de mortalidade. Os tratamentos atuais continuam controversos devido à falta de evidências sólidas. No entanto, este estudo fornece insights valiosos sobre como diferentes tratamentos podem afetar a sobrevivência dos pacientes.
Os achados sugerem que o uso de PLEX e DDAVP juntos pode ser mais eficaz do que os tratamentos tradicionais com esteroides. Mais pesquisas são necessárias para confirmar esses resultados e orientar futuros ensaios clínicos.
Pacientes com LPHS costumam apresentar complicações severas que afetam órgãos importantes. Intervenção precoce, melhores estratégias de tratamento e compreensão das características dos pacientes podem levar a resultados melhores no futuro. À medida que surtos de leptospirose continuam a ocorrer, a necessidade de opções de tratamento mais eficazes é crítica para reduzir as taxas de mortalidade e melhorar o atendimento ao paciente.
Título: Clinical characteristics and outcomes of pulmonary haemorrhage in leptospirosis: A retrospective cohort study from Sri Lanka
Resumo: BackgroundLeptospirosis, a tropical, spirochaetal infection presents as an acute febrile illness with organ injury. There is a paucity of data on clinical characteristics and treatment for Leptospirosis Pulmonary Haemorrhage Syndrome (LPHS). Methodology and principal findingsA retrospective cohort study was conducted including all patients with LPHS treated in the medical Intensive Care Unit (ICU), at National Hospital Sri Lanka from 2019 to 2022 to describe the clinical characteristics and factors related to poor outcomes. Survival of patients who received different treatment modalities for LPHS was compared. Seventy patients were studied with a mean age of 42.69 {+/-} 27.84 years and 61 (87.1%) males. Forty-nine (70%) were mechanically ventilated and 16 (22.9%) died. Higher heart rate, higher lactate, lower pH on admission to ICU, and requirement of blood product transfusion were associated with increased mortality. Patients were treated with plasmapheresis (PLEX), intranasal desmopressin (DDAVP), and intravenous steroids alone or in combination as the specific treatment for LPHS. Seven (10%) patients were treated with PLEX alone, 13 (18.6%) with PLEX + DDAVP, 46 (65.7%) with PLEX + DDAVP + steroids, and 4(5.7%) were treated with steroids alone. All patients who received the PLEX and DDAVP combination survived. There were 11 (23.9%) deaths in the PLEX+ DDAVP + steroids group, 3 (49.2%) in the PLEX alone group, and 2 (50%) in the steroids alone group. Mortality was least when PLEX was done for 3 days. Twenty-five (35.7%) patients developed hospital-acquired infections and risk factors were mechanical ventilation and longer ICU stay. ConclusionsThe presence of tachycardia, acidosis, and high lactate predicted death in LPHS. PLEX and DDAVP combination had better survival than other treatments alone or in combination for LPHS. Randomized clinical trials are urgently needed to identify the role of PLEX and DDAVP in treating LPHS. Author SummaryLeptospirosis, a tropical infection causes multiple organ injury. Bleeding into the lungs (pulmonary haemorrhage) in leptospirosis is poorly studied. There is no established treatment for pulmonary haemorrhage in leptospirosis (LPHS). A large cohort of LPHS patients treated in a medical ICU in Sri Lanka was studied to identify clinical characteristics and outcomes. The presence of higher heart rate, high lactate, lower pH, need for blood product, and intravenous tranexamic acid were identified as risk factors for death. We compared different treatment modalities used for the treatment of LPHS. In addition to standard treatment with antibiotics and supportive care, a combination of steroids, plasma exchange (PLEX), and intranasal desmopressin (DDAVP) were used to treat LPHS. Mortality was least when patients were treated with DDAVP + PLEX. The optimum duration of PLEX was 3 days. Clinical trials are urgently needed to identify the benefit of PLEX and DDAVP in the treatment of LPHS.
Autores: Pramith Ruwanpathirana, N. Perera, R. Rambukwella, D. Priyankara
Última atualização: 2024-03-26 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.25.24304826
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.25.24304826.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
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