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Priorizando o Consentimento na Saúde Mental Digital

Uma nova abordagem melhora o controle do usuário sobre os dados pessoais em ferramentas de saúde mental.

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A área da saúde mental digital tá crescendo rapidinho. A gente vê cada vez mais ferramentas e serviços que coletam dados sobre como os usuários interagem com eles. Esses dados ajudam a entender a saúde mental e questões relacionadas, mas também trazem preocupações. Os usuários dos serviços digitais geralmente têm pouco controle sobre como seus dados pessoais são coletados e compartilhados. Muitos sentem que sua privacidade é violada e não têm voz sobre como suas informações são usadas, muitas vezes para lucro de empresas privadas. Dado o histórico de excluir os usuários da conversa sobre seus dados, foi proposta uma nova abordagem chamada paradigma de consentimento ativo.

Esse paradigma enfatiza a importância de obter um consentimento claro e entusiasmado dos usuários antes que quaisquer dados sejam coletados ou usados. Ao focar no consentimento e nas escolhas dos usuários, nosso objetivo é construir confiança e proteger os usuários de danos. Este artigo vai delinear passos práticos para implementar esse paradigma e garantir que os usuários tenham uma experiência mais segura ao buscar cuidados de saúde mental.

O Crescimento das Ferramentas de Saúde Mental Digital

As ferramentas de saúde mental digital oferecem novas maneiras para quem precisa acessar ajuda, especialmente para populações que não têm tão acesso. Essas ferramentas incluem aplicativos, plataformas de redes sociais e grupos de apoio online que coletam dados valiosos sobre a vida diária e o sofrimento fora dos ambientes clínicos tradicionais. Esses dados podem levar a percepções significativas, como prever sintomas, conectar indivíduos a recursos relevantes e identificar momentos de crise para intervir.

Apesar dos benefícios potenciais, o crescimento rápido dessas ferramentas levou a uma norma preocupante. Muitos usuários não têm ideia de como seus dados são coletados ou usados, muitas vezes sem seu consentimento explícito. Os usuários dos serviços geralmente têm pouca voz sobre quem vê suas informações sensíveis e como isso pode ser monetizado pelas empresas.

Problemas com as Práticas Atuais

O Consentimento Informado é crucial tanto na pesquisa de saúde mental digital quanto tradicional. No entanto, muitos produtos de saúde mental digital carecem de transparência e não consideram o consentimento dos usuários durante o processo de design. A coleta de dados muitas vezes acontece com pouca supervisão e não está sujeita a regulamentos padrão de dados de saúde, permitindo que as empresas coletem dados sem permissão clara dos usuários. Essas informações costumam estar escondidas em longos termos de serviço e políticas de privacidade que a maioria dos usuários não lê ou entende completamente.

Como resultado, os usuários enfrentam riscos, como discriminação na saúde, oportunidades de emprego limitadas e publicidade indesejada de empresas que exploram suas informações sensíveis. Precisamos repensar como os dados são coletados, focando mais no consentimento dos usuários para construir confiança e melhorar a experiência geral para quem busca ajuda.

O Paradigma de Consentimento Ativo

Para abordar melhor os problemas mencionados acima, propomos um paradigma de consentimento ativo que promove o consentimento ativo na coleta de dados de saúde mental digital. Isso significa que a tecnologia deve pedir explicitamente permissão e obter aprovação entusiástica dos usuários antes de usar seus dados. O objetivo é devolver a agência e o controle sobre as informações pessoais aos usuários, garantindo que suas escolhas sejam respeitadas.

Princípios Chave do Paradigma de Consentimento Ativo

  1. Consentimento Voluntário: Os usuários devem dar seu consentimento livremente, sem se sentir pressionados. Eles devem se sentir à vontade para dizer não sem medo de perder o acesso aos serviços.

  2. Consentimento Informado: Os usuários devem receber informações claras sobre como seus dados serão usados, permitindo que tomem decisões informadas.

  3. Consentimento Reversível: Os usuários devem ter o direito de mudar de ideia e retirar o consentimento a qualquer momento, mesmo depois de terem concordado inicialmente.

  4. Consentimento Específico: Os usuários devem poder consentir a ações específicas em vez de acordos globais. Isso foca em dados específicos que eles estão confortáveis em compartilhar.

  5. Consentimento Sem Pressão: Os usuários não devem se sentir sobrecarregados ou estressados ao dar consentimento. Eles devem estar em um estado onde podem tomar decisões sem pressão extra.

Seguindo esses princípios, nosso objetivo é criar um ambiente onde os usuários se sintam seguros e empoderados ao interagir com ferramentas de saúde mental digital.

Perspectivas Históricas sobre Consentimento de Dados em Saúde Mental

Para entender a necessidade de uma abordagem de consentimento ativo, precisamos olhar para a história de como o consentimento foi tratado em contextos de saúde mental. Historicamente, a coleta de dados de saúde mental frequentemente ignorou a contribuição e os direitos dos indivíduos. Pacientes eram frequentemente internados em asilos sem seu consentimento, e seus dados eram coletados apenas para fins organizacionais, em vez de para seu bem-estar.

No século XIX, o Censo dos EUA começou a rastrear a saúde mental pedindo aos chefes de família que relatassem o número de indivíduos "insanos". Essa prática não considerava as vozes ou direitos desses indivíduos, levando a uma marginalização generalizada. A crença de que os pacientes não tinham capacidade para consentir ou contribuir para a coleta de dados era prevalente.

A psicanálise introduziu a noção de que os dados poderiam ser benéficos para os indivíduos, mas isso ainda acontecia muitas vezes sem consentimento explícito. Alguns profissionais argumentavam que os benefícios da pesquisa superavam a necessidade de aprovação individual. Essa perspectiva contribuiu para a falta de proteções aos direitos dos indivíduos em relação a seus dados.

Avanços legais na segunda metade do século XX começaram a reconhecer a importância da confidencialidade e do consentimento. No entanto, a era digital trouxe novos desafios, já que muitas ferramentas de saúde mental não estão sujeitas aos mesmos quadros legais que a saúde tradicional.

Violações de Consentimento Atuais

Apesar dos princípios estabelecidos de consentimento informado, muitas ferramentas de saúde mental digital foram projetadas sem considerar esses padrões éticos. Como resultado, os usuários frequentemente participam involuntariamente de coleta de dados não consensual. Duas situações contemporâneas ressaltam esse problema:

Intervenções Mediadas por Algoritmos

Plataformas de redes sociais e serviços online frequentemente usam algoritmos para analisar dados de usuários e identificar indivíduos em risco de autoagressão. Essas intervenções podem ocorrer sem o conhecimento ou consentimento do indivíduo. Por exemplo, se alguém expressar pensamentos suicidas em um grupo de apoio online, os serviços de emergência podem ser acionados sem que a pessoa entenda o processo. Essa falta de transparência pode criar medo e trauma para indivíduos que já estão em sofrimento.

Monetização e Reidentificação

Outra preocupação significativa é a monetização dos dados de saúde mental digital. Muitos aplicativos coletam dados que podem ser vendidos para anunciantes ou corretores de dados. Os usuários muitas vezes acreditam que suas informações são privadas, mas isso nem sempre é o caso. Dados sensíveis, incluindo nomes, diagnósticos e históricos de tratamento, podem ser compartilhados sem o consentimento adequado, resultando em danos potenciais aos indivíduos.

Benefícios de uma Abordagem de Consentimento Ativo

Uma abordagem de consentimento ativo poderia abordar essas questões e trazer várias vantagens:

Confiança Melhorada

Ao priorizar o consentimento do usuário, os serviços de saúde mental digital poderiam recuperar a confiança dos indivíduos em necessidade. Quando os usuários sabem que têm controle sobre seus dados, eles se sentirão mais seguros ao buscar ajuda e compartilhar suas experiências.

Segurança Aprimorada

Um foco no consentimento pode reduzir o risco de danos associados a intervenções não consensuais. Os usuários seriam informados sobre as possíveis ações tomadas com base em suas descobertas, permitindo uma experiência mais acolhedora e segura.

Usuários Empoderados

Esse paradigma permite que os usuários recuperem a agência sobre como suas informações pessoais são usadas. Com escolhas claras, os indivíduos podem interagir com ferramentas de saúde mental digital de uma forma que respeite suas preferências e necessidades.

Implementando o Paradigma de Consentimento Ativo

Para implementar efetivamente um paradigma de consentimento ativo, várias estratégias podem ser desenvolvidas:

Diretrizes de Voto Antecipado Psiquiátrico Digital (DVAPDs)

DVAPDs podem ser estabelecidas para permitir que os usuários declarem suas preferências para compartilhamento de dados e tratamento previamente. Assim como identificações médicas, essas diretrizes poderiam ser armazenadas de forma segura em dispositivos móveis, permitindo acesso durante momentos de crise. Essas ferramentas empoderam os usuários a determinar quais informações estão confortáveis em compartilhar e com quem.

Uso de Privacidade Diferencial

A privacidade diferencial é uma abordagem tecnológica que ajuda a garantir que os dados individuais não possam ser reidentificados, enquanto ainda permite análises significativas. Ao incorporar esse método, as plataformas de saúde mental digital podem proteger a privacidade dos usuários e reduzir os riscos associados a vazamentos de dados.

Aprendizado Federado

Essa abordagem permite que os dados sejam analisados localmente nos dispositivos dos usuários, em vez de serem enviados para um servidor central. Ao treinar modelos nos dispositivos, as informações sensíveis permanecem privadas, o que pode ser particularmente importante em contextos de saúde mental.

Criptografia de Ponta a Ponta

A comunicação segura é essencial para proteger conversas sensíveis dentro de aplicativos de saúde mental. A criptografia de ponta a ponta garante que apenas as partes pretendidas possam acessar e ler mensagens, mantendo a confidencialidade e protegendo a confiança.

Governança Participativa de Dados

Incluir usuários no processo de tomada de decisão sobre seus dados pode ajudar a construir um sistema mais equitativo. Mecanismos de governança devem empoderar os indivíduos a terem voz sobre como seus dados são usados e quem se beneficia deles. Isso pode ser alcançado por meio de conselhos consultivos e plataformas colaborativas de tomada de decisão.

Conclusão

O crescimento rápido das ferramentas de saúde mental digital apresenta tanto oportunidades quanto desafios. Uma abordagem de consentimento ativo pode transformar a forma como os dados são coletados, compartilhados e usados nesse espaço. Ao priorizar o consentimento e a agência dos usuários, podemos criar um ambiente mais seguro e confiável para indivíduos que buscam apoio em saúde mental.

Implementar esse paradigma envolve várias estratégias, incluindo diretrizes de voto antecipado psiquiátrico, tecnologias que melhoram a privacidade e governança participativa. À medida que avançamos, precisamos continuar a defender práticas que empoderem os usuários, respeitem suas escolhas e priorizem seu bem-estar nos sistemas de saúde digital.

Incorporar esses princípios não apenas melhorará a experiência para os usuários, mas também promoverá um cenário de saúde mental digital mais responsável e ético que atenda às diversas necessidades dos indivíduos que buscam cuidados.

Fonte original

Título: Advancing a Consent-Forward Paradigm for Digital Mental Health Data

Resumo: The field of digital mental health is advancing at a rapid pace. Passively collected data from user engagements with digital tools and services continue to contribute new insights into mental health and illness. As the field of digital mental health grows, a concerning norm has been established -- digital service users are given little say over how their data is collected, shared, or used to generate revenue for private companies. Given a long history of service user exclusion from data collection practices, we propose an alternative approach that is attentive to this history: the consent-forward paradigm. This paradigm embeds principles of affirmative consent in the design of digital mental health tools and services, strengthening trust through designing around individual choices and needs, and proactively protecting users from unexpected harm. In this perspective, we outline practical steps to implement this paradigm, toward ensuring that people searching for care have the safest experiences possible.

Autores: Sachin R. Pendse, Logan Stapleton, Neha Kumar, Munmun De Choudhury, Stevie Chancellor

Última atualização: 2024-04-22 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://arxiv.org/abs/2404.14548

Fonte PDF: https://arxiv.org/pdf/2404.14548

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

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