Enfrentando a Demência: Mudanças de Estilo de Vida Importam
Fatores de risco reduzidos podem atrasar ou prevenir a demência no Canadá.
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Índice
Com a população global envelhecendo rápido, o número de pessoas vivendo com demência deve aumentar bastante. Até 2050, o número de casos de demência no mundo pode saltar de 57 milhões para 152 milhões. No Canadá, a prevalência de demência deve crescer 66% até 2031. Demência é uma condição complexa causada por vários fatores, incluindo danos cerebrais, problemas de fluxo sanguíneo, questões de metabolismo e inflamação. Muitos desses fatores estão ligados a questões que podem ser mudadas ou gerenciadas através de escolhas de estilo de vida.
Intervenções de Estilo de Vida
Mudar o estilo de vida pode ajudar a reduzir a carga da demência, abordando Fatores de Risco que podem ser modificados. Iniciativas de saúde pública voltadas para indivíduos e comunidades podem trabalhar junto com novos tratamentos médicos que foquem nas causas subjacentes da demência. Um relatório de 2020 sugeriu que até 40% dos casos globais de demência poderiam estar ligados a 12 fatores de risco relacionados a comportamentos de saúde, condições médicas e influências ambientais ao longo da vida de uma pessoa. Esses fatores fazem parte de um modelo que enfatiza a prevenção da demência ao lidar com riscos ao longo da vida.
Fatores de Risco para Demência
Seguindo esse modelo, pesquisadores estimaram o impacto de diferentes fatores de risco para a demência em vários países. A forma como esses fatores afetam as taxas de demência varia de acordo com a presença deles na população. Por exemplo, em países mais pobres, a falta de educação é um fator de risco mais significativo em comparação à solidão social, já que as pessoas tendem a ter laços comunitários mais fortes, mesmo enfrentando desafios educacionais.
O Canadá, uma nação de alta renda com sistema de saúde universal, está se aproximando de um ponto onde mais de 20% da população será de adultos mais velhos, marcando-o como um país "super-envelhecido". Apesar disso, atualmente não existe um estudo abrangente no Canadá que analise o impacto dos fatores de risco modificáveis para a demência, tornando essa pesquisa essencial para o desenvolvimento de estratégias de prevenção eficazes.
Fatores de Risco Emergentes
Descobertas recentes também destacaram o sono e a dieta como fatores de risco emergentes para a demência. Vários estudos testaram como intervenções de sono e dieta podem melhorar a função cognitiva. Porém, medir o impacto da dieta é complicado, e enquanto algumas estimativas sugerem que 5,7% dos casos de demência podem estar ligados a um sono ruim, os efeitos das perturbações do sono ainda não foram totalmente avaliados.
A poluição do ar foi mencionada como um fator de risco, mas focar apenas nas mudanças de estilo de vida sem considerar fatores ambientais pode não ser eficaz na prevenção da demência.
Metas da Pesquisa
O objetivo dessa pesquisa foi identificar e estimar a prevalência e o possível impacto de fatores de risco modificáveis, incluindo perturbações do sono, entre os adultos canadenses. Usando o maior estudo de coorte no Canadá, a análise visou comparar esses fatores entre diferentes países. Outro objetivo era fornecer estratégias de prevenção personalizadas com base na idade e no sexo, já que isso poderia melhorar os esforços de redução do risco de demência.
Desenho do Estudo
O estudo analisou dados de uma coorte abrangente de canadenses com idades entre 45 e 85, coletados entre 2012 e 2015. Os participantes foram escolhidos com base em critérios específicos, e aqueles com comprometimento cognitivo anterior ou que não conseguiam se comunicar em nenhuma das línguas oficiais do Canadá foram excluídos.
Identificando Fatores de Risco
O estudo identificou 12 fatores de risco com base em definições estabelecidas. Esses incluíram nível de educação, perda auditiva, lesões traumáticas cranianas, pressão alta, consumo de álcool, Obesidade, tabagismo, depressão, isolamento social, atividade física, diabetes e perturbações do sono. Cada fator de risco foi avaliado com base na saúde e nos comportamentos relatados pelos participantes.
Análise Estatística
Os pesquisadores calcularam a prevalência desses fatores de risco em diferentes grupos etários e resumiram características demográficas. Eles utilizaram métodos específicos para estimar como cada fator contribuía para o risco de demência, fornecendo uma medida ponderada de seu impacto.
Descobertas
O estudo incluiu mais de 30.000 participantes, com uma média de idade de 59,7 anos. Cerca de 52% dos participantes eram mulheres. A maioria era branca e vivia em áreas urbanas. O fator de risco mais comum observado foi a Inatividade Física, afetando 83% dos participantes, seguido por perturbações do sono em 40%. Outros fatores prevalentes incluíram obesidade (31%) e pressão alta (30%). Em contraste, tabagismo e isolamento social eram menos comuns.
Quase metade dos casos de demência no Canadá foram atribuídos aos fatores de risco identificados, que foi maior do que a média global. Os principais contribuintes incluíram inatividade física e vários fatores da meia-idade, como perda auditiva e obesidade.
Diferenças de Idade e Sexo
Diferenças nos fatores de risco foram evidentes entre os sexos. As mulheres apresentaram taxas mais altas de inatividade física e depressão, enquanto os homens tiveram taxas mais altas de perda auditiva e consumo excessivo de álcool. A prevalência dos fatores de risco tende a aumentar com a idade.
O impacto combinado dos fatores de risco identificados no risco de demência aumentou significativamente com a idade. Isso sugere que intervenções devem começar mais cedo na vida para ter um efeito mais significativo na prevenção da demência.
Análise de Sensibilidade
Quando os pesquisadores usaram diferentes métodos para definir os fatores de risco, descobriram que as estimativas de prevalência e impacto mudaram. Por exemplo, quando o isolamento social foi definido de forma mais ampla, sua prevalência aumentou significativamente, destacando a complexidade de medir fatores de risco com precisão.
Implicações para a Saúde Pública
As descobertas indicam que quase 50% dos casos de demência no Canadá poderiam potencialmente ser prevenidos ao focar na modificação desses 12 fatores de risco, incluindo abordar as perturbações do sono. Este estudo representa um passo crucial na estimativa do impacto potencial dos fatores de risco modificáveis na demência no Canadá.
Conclusão
A pesquisa destaca que quase metade dos casos de demência poderiam ser adiados ou prevenidos através de mudanças no estilo de vida e comportamentos. Os principais fatores de risco identificados incluíram inatividade física, obesidade, hipertensão e perda auditiva. Reduzir esses riscos através de estratégias direcionadas poderia diminuir significativamente as taxas de demência no Canadá.
Dada a alta prevalência de inatividade física e perturbações do sono, há uma necessidade urgente de programas de intervenção eficazes. Esses poderiam incluir a promoção do exercício e o apoio a hábitos saudáveis de sono, além de incentivar exames auditivos regulares.
Começando os esforços de prevenção mais cedo na vida, especialmente durante a meia-idade, o Canadá poderia reduzir significativamente sua carga futura de demência. Cada um desses fatores de risco apresenta uma oportunidade para iniciativas de saúde pública melhorarem a saúde e o bem-estar geral entre os canadenses.
Título: Potentially Modifiable Dementia Risk Factors in Canada: An Analysis of Canadian Longitudinal Study on Aging with a Multi-Country Comparison
Resumo: INTRODUCTIONPrevious estimates suggested that 40% of dementia cases worldwide are associated with modifiable risk factors, however, these estimates are not known in Canada. We aimed to estimate the population impact of 12 risk factors in Canada, addressing potential differences by sex and age groups, and to compare with other countries. METHODSPrevalence and Population Attributable Fraction (PAF) of 12 modifiable risk factors were estimated using the Canadian Longitudinal Study on Aging baseline dataset (N=26,777). RESULTSRisk factors with the largest PAF were physical inactivity (11.3%), hearing loss (6.9%), and obesity (6.9%). Combined PAF of all risk factors was 49%, and it increased with age. The prevention potential was greater in men (54.1%) than in women (50.5%). CONCLUSIONSNearly 50% of dementia cases in Canada could be prevented by modifying 12 risk factors across the lifespan and Canadian risk reduction strategies should prioritize targeting physical inactivity, hearing loss, and obesity.
Autores: Manuel Montero-Odasso, S. Son, M. Speechley, G. Zou, M. Kivipelto, F. Mangialasche, H. Feldman, H. Chertkow, S. Belleville, H. Nygaard, V. Hachinski, F. Pieruccini-Faria
Última atualização: 2024-04-13 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.02.20.24303090
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.02.20.24303090.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
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