Esforços de Redução de Sódio nas Américas: Um Quadro Misturado
Os níveis de sódio em alimentos embalados em cinco países mostram progresso, mas ainda tem desafios pela frente.
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Índice
Hipertensão, ou pressão alta, é uma das principais causas de doenças cardíacas e AVCs. Em 2019, estava ligada a 10,8 milhões de mortes no mundo todo. O número de adultos com hipertensão cresceu bastante, afetando mais de 1 bilhão de pessoas naquele ano. Uma das principais razões para a hipertensão é o consumo excessivo de Sódio. Reduzir a ingestão de sódio pode levar a uma saúde cardíaca melhor.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos consumam menos de 5 gramas de sal por dia, o que equivale a cerca de 2 gramas de sódio. Infelizmente, a média global de consumo de sal era bem mais alta em 2019, chegando a cerca de 10,8 gramas de sal, ou 4,3 gramas de sódio diariamente.
Plano de Ação e Diretrizes da OMS
Em 2013, a OMS montou um plano para ajudar a reduzir a ingestão de sal em 30% até 2025. Quase todos os países assinaram esse acordo. Para apoiar essa meta, várias estratégias foram sugeridas. Isso incluiu reformular produtos alimentícios para ter menos sódio, estabelecer diretrizes para compras de alimentos públicos para limitar alimentos com alto teor de sódio, usar rótulos nas embalagens para informar os consumidores e realizar campanhas de mídia para aumentar a conscientização sobre a redução da ingestão de sódio.
Apesar desses esforços, um relatório no início de 2023 mostrou que muitos países não estavam no caminho certo para cumprir essas metas. Apenas uma pequena porcentagem de países implementou políticas eficazes para reduzir o sódio nos alimentos.
Metas para a Região das Américas
Para ajudar os países das Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estabeleceu metas de redução de sódio para vários tipos de alimentos em 2015. Um estudo de 2019 analisou os níveis de sódio em alimentos embalados em 14 países da América Latina e do Caribe. Esse estudo revelou que cerca de 82% dos alimentos atendiam às metas da OPAS, embora apenas 47% atendessem a metas de sódio mais rigorosas.
Em 2021, a OPAS atualizou essas metas para torná-las mais rigorosas para os anos de 2022 e 2025. A OMS também estabeleceu padrões globais para os níveis de sódio em várias categorias de alimentos. No entanto, desde 2018, não houve muito acompanhamento sobre os níveis de sódio em alimentos embalados nas Américas.
Propósito do Estudo Recente
O estudo recente focou em medir os níveis de sódio atuais em alimentos embalados em cinco países: Argentina, Canadá, Costa Rica, Panamá e Peru. Os objetivos eram dois: primeiro, verificar como esses países estavam indo em relação às metas atualizadas de sódio; e segundo, observar as mudanças no progresso da redução de sódio ao longo do tempo em três países da América Latina.
Metodologia
O estudo coletou dados de supermercados entre março e agosto de 2022, reunindo informações de mais de 44.000 itens alimentares. As informações nutricionais foram obtidas das tabelas de Nutrição. A coleta de dados utilizou um sistema baseado em smartphone desenvolvido pela Universidade de Toronto.
Os alimentos foram organizados em 16 categorias principais e 75 subcategorias de acordo com as metas atualizadas da OPAS. Apenas itens com teor de sódio claro foram incluídos na análise. Após excluir certos alimentos que não se encaixavam nas categorias ou faltavam informações necessárias, o conjunto final de dados incluiu cerca de 25.569 itens alimentares.
Níveis de Sódio em Alimentos Embalados
A análise revelou que 'carnes processadas e aves' e 'molhos, pastas, caldos e condimentos' tinham os níveis medianos de sódio mais altos por 100 gramas. Notavelmente, a quantidade de sódio variava bastante dentro das categorias de alimentos. O estudo também encontrou diferenças significativas nos níveis de sódio entre diferentes países.
Ao olhar os níveis de sódio em relação às calorias, alimentos como 'molhos, pastas, caldos e condimentos', 'sopas' e 'vegetais, feijões e leguminosas processados' tinham a maior densidade de sódio. Isso indica que alimentos com menos calorias geralmente têm níveis mais altos de sódio.
Conformidade com as Metas de Sódio
No geral, cerca de 47% dos alimentos analisados atenderam às suas respectivas metas de sódio estabelecidas para 2022. O Peru e a Argentina mostraram as taxas de conformidade mais altas, com 52% e 50%, enquanto a taxa do Panamá foi de apenas 36%. As categorias de alimentos que mais frequentemente atenderam às metas incluíram 'alimentos prontos' e 'carnes processadas e aves'. No entanto, categorias como 'produtos de padaria' e 'barras de granola' tiveram menor conformidade.
Ao considerar os níveis de sódio em relação às calorias, as taxas de conformidade foram similares, com o Peru liderando com 52%. Novamente, 'snacks salgados' tiveram a maior conformidade, enquanto 'produtos de padaria' e 'alimentos prontos' ficaram para trás.
Progresso Longitudinal
Para os países com dados disponíveis do passado, os resultados mostraram que a conformidade com as metas antigas de sódio aumentou com o tempo. Países como Argentina, Costa Rica e Peru viram melhorias de 2015 a 2022, com as taxas de conformidade aumentando de 82% para 90% para as metas regionais.
No entanto, esse progresso é lento, indicando que mais esforços são necessários para atingir a meta de redução de 30% na ingestão de sódio até 2025. Os governos são incentivados a pressionar por medidas obrigatórias de redução de sódio em nível de fabricante, além de aumentar a conscientização pública.
Políticas e Programas Nacionais
Os cinco países envolvidos no estudo têm políticas nacionais voltadas para a redução da ingestão de sódio. Por exemplo, a Argentina estabeleceu limites máximos de sódio para certos alimentos e tem programas de monitoramento em andamento. A Costa Rica tem uma estratégia voluntária de redução de sódio, enquanto o Canadá tem diretrizes para alimentos pré-embalados.
O Panamá recentemente introduziu um plano nacional para reduzir o consumo de sódio. Apesar desses esforços, os resultados indicam que a conformidade com as metas atualizadas ainda está faltando em muitas áreas.
Conclusão e Recomendações
Esse estudo mostra o estado atual dos níveis de sódio em alimentos embalados em cinco países das Américas. Embora tenha havido algum progresso, a conformidade geral com as metas de redução de sódio continua modesta. Como resultado, são necessárias ações mais decisivas para atingir a meta global de redução de sódio da OMS até 2025.
As ações recomendadas incluem implementar metas obrigatórias de redução de sódio, incentivar a reformulação de alimentos e promover campanhas de conscientização pública. Há também a necessidade de transformar os sistemas alimentares para focar em opções de alimentos mais saudáveis e menos processados a fim de melhorar os resultados de saúde pública.
Em resumo, embora tenham havido melhorias na conformidade com o sódio, o ritmo não é suficiente para atender às futuras metas. Compromissos mais fortes e ações mais amplas são essenciais para uma redução eficaz do sódio e uma saúde melhor para a população.
Título: Monitoring sodium content in packaged foods sold in the Americas and compliance with the Updated Regional Sodium Reduction Targets
Resumo: BackgroundSodium reduction is a cost-effective measure to prevent noncommunicable diseases. The World Health Organization (WHO) established a target of a 30% relative reduction in mean population intake of sodium by 2025. The Pan American Health Organization (PAHO) published sodium reduction targets for packaged foods in 2015, expanding and updating the targets in 2021 to help Member States with its efforts in reducing population sodium intake. ObjectiveThis study examined the current sodium levels in packaged foods among five countries in the Americas and monitored cross-sectional and longitudinal compliance with the sodium targets from 2015 to 2022. MethodsFood labels were systematically collected from the main supermarkets in five countries in the Americas region in 2022. Sodium levels per 100g and per kcal for collected food labels in 16 PAHO categories and 75 subcategories were analyzed and compared against the Updated Regional Targets. Further analysis of three countries that have longitudinal data for 2015-2016, 2017-2018 and 2022 was conducted to compare sodium per 100 g against the 2015 PAHO Targets. ResultsA total of 25,569 food items were analyzed. Overall, processed meat and poultry had the highest sodium levels, although there were large variations within categories. 47% and 45% of products met the sodium per 100g and per kcal 2022 targets, respectively. Peru had the highest compliance, whereas Panama had the lowest for both targets. Among Argentina, Costa Rica and Peru, the proportion of foods meeting the 2015 PAHO lower targets were 48, 53 and 61% for 2015-2016, 2017-2018 and 2022, respectively. ConclusionsThis study showed that around half of the examined foods met their respective sodium targets and there have been small improvements in compliance over time. Further efforts are required to reach the WHOs global sodium reduction goal by 2025, such as implementation of mandatory sodium reduction targets and front-of-pack labelling regulations.
Autores: Mary R. L’Abbé, Y. Yang, N. Flexner, M. V. Tiscornia, L. Guarnieri, A. Blanco-Metzler, H. Nunez-Rivas, M. Rosello-Araya, P. Arevalo-Rodriguez, M. F. Kroker-Lobos, F. Diez-Canseco, M. Meza-Hernandez, K. Yabiku-Soto, L. Saavedra-Garcia, L. Allemandi, L. Nederveen, M. R. LAbbe
Última atualização: 2024-05-23 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.23.24307787
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.23.24307787.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
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