Esforços de Vacinação Contra Hepatite E em Bentiu
Explorando o impacto da vacinação e os desafios no campo de IDPs de Bentiu.
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Índice
A Hepatite E é uma infecção viral que atinge o fígado. Os genótipos 1 e 2 desse vírus causam mais de 3 milhões de casos sintomáticos de hepatite aguda todo ano. A situação é especialmente séria para Mulheres Grávidas, que enfrentam um risco de fatalidade de até 65%. Os Surtos de hepatite E normalmente acontecem quando a água potável está contaminada com fezes. Desde 1988, teve pelo menos um grande surto a cada década, com alguns afetando mais de 5.000 pessoas.
Esses surtos são mais comuns em áreas com poucos recursos, especialmente em partes da África e da Ásia, onde a superlotação, a falta de Saneamento e o acesso difícil a água limpa aumentam o risco. Refugiados e pessoas deslocadas internamente estão em maior risco por causa dessas condições de vida.
Vacina Contra a Hepatite E
AUma forma de controlar os surtos de hepatite E é pela vacinação. Uma vacina recombinante, HEV239, conhecida como Hecolin, mostrou ser segura e eficaz para pessoas de 16 a 64 anos. Porém, ela só é aprovada para uso na China e no Paquistão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não a recomendou para uso regular em países onde a hepatite E é comum, principalmente por falta de dados sobre sua eficácia na população geral. Mesmo assim, em 2015, a OMS sugeriu considerar a vacina como uma forma de prevenir surtos.
O esquema atual de vacinação exige três doses em seis meses, o que não é ideal para uma resposta rápida durante um surto. No entanto, as epidemias prolongadas de hepatite E indicam que até mesmo um regime de seis meses poderia ajudar a reduzir doenças e mortes, especialmente entre grupos vulneráveis como refugiados e mulheres grávidas.
Hepatite E no Campo de IDP de Bentiu
No campo de pessoas deslocadas internamente (IDP) de Bentiu, no Sudão do Sul, a hepatite E é um problema desde a sua abertura em 2014, com grandes surtos ocorrendo em 2015-2016 e novamente em 2019. De outubro de 2014 até abril de 2022, houve 2.227 casos confirmados de hepatite E. Em resposta, o Ministério da Saúde e a Médicos Sem Fronteiras (MSF) lançaram a primeira campanha de vacinação contra hepatite E em março de 2022, focando em pessoas de 16 a 40 anos, incluindo mulheres grávidas.
A campanha rolou em três rodadas ao longo de março, abril e outubro de 2022. Junto a esse esforço, foi feita uma pesquisa para avaliar a segurança, eficácia e viabilidade da vacinação. Uma pesquisa foi realizada após a última rodada de vacinação, revelando que 86% da população-alvo recebeu pelo menos uma dose. Os principais motivos para não se vacinar foram estar fisicamente ausente durante a campanha e preocupações sobre a vacina.
Métodos de Pesquisa
A pesquisa envolveu vários grupos no campo de Bentiu, incluindo líderes comunitários, adultos elegíveis, mulheres grávidas e trabalhadores da saúde. Discussões em grupos focais foram feitas para coletar opiniões e experiências sobre a hepatite E e a vacina. A coleta de dados ocorreu em novembro de 2022, usando um quadro para entender os fatores que influenciam a aceitação da vacinação, focando em conhecimento, crenças, influências sociais, motivação e questões práticas.
As discussões foram feitas na língua local, Nuer, ou em inglês, e foram gravadas, transcritas e traduzidas. Dois codificadores analisaram os dados para encontrar temas relacionados às percepções sobre a hepatite E e a vacina.
Conhecimento e Percepções sobre a Hepatite E
Os participantes de todos os grupos tinham bom conhecimento sobre os sintomas, transmissão e prevenção da hepatite E. Os sintomas comuns mencionados incluíam icterícia (olhos amarelados), febre e urina escura. Muitos reconheceram a importância do saneamento e higiene na prevenção da infecção, mas sentiram que a vacinação sozinha não era suficiente devido às condições de superlotação do campo. Por exemplo, um líder comunitário destacou os desafios de defender a vacinação quando os problemas de saneamento persistem.
A maior parte dos participantes via a hepatite E como uma doença séria, muitas vezes comparando-a desfavoravelmente à malária, que é tratável. Alguns compartilharam métodos tradicionais usados em suas vilas para tratar a hepatite E, que incluíam práticas prejudiciais.
Experiências pessoais com a hepatite E eram comuns, com muitos tendo sofrido da doença ou conhecido alguém que teve. Essa conexão pessoal aumentou a conscientização deles sobre os perigos da doença. Grupos vulneráveis como crianças, mulheres grávidas e idosos foram frequentemente identificados como estando em maior risco de desfechos graves da hepatite E.
Os participantes expressaram alta confiança na eficácia e segurança da vacina, e muitos acreditavam que era seguro para mulheres grávidas receberem. Impactos positivos da campanha de vacinação foram relatados, incluindo uma percepção de diminuição nos casos de hepatite E.
Fatores que Influenciam a Aceitação da Vacinação
Os participantes apoiaram em grande parte a campanha de vacinação, acreditando que seus líderes comunitários e religiosos também estavam a favor. A confiança em trabalhadores da saúde e organizações, como a MSF, teve um papel significativo nas decisões de se vacinar. Os participantes apreciaram o fato de a vacina ser gratuita e acessível, já que os vacinadores alcançaram várias áreas do campo.
No entanto, barreiras à vacinação persistiram. Algumas pessoas não conseguiram receber a vacina simplesmente porque estavam fora do campo durante os dias de vacinação. Outros notaram que rumores e desinformação que circulavam na comunidade afetaram a disposição das pessoas para se vacinarem.
Principais Conclusões
O estudo destacou uma demanda significativa pela vacina contra hepatite E no campo de Bentiu, após seu primeiro uso durante um surto. Experiências pessoais com a doença e uma forte crença na importância e segurança da vacina foram cruciais para encorajar as pessoas a se vacinarem. Havia uma visão consistente entre os participantes sobre a seriedade da hepatite E e a necessidade de mais oportunidades de vacinação.
Embora a campanha de vacinação tenha sido bem-sucedida, desafios ainda permanecem. A principal barreira à vacinação foi estar fora do campo durante a campanha, indicando a necessidade de estratégias de vacinação mais flexíveis.
Os participantes apontaram consistentemente que crianças e idosos estão em alto risco para hepatite E. No entanto, a campanha de vacinação não atingiu esses grupos etários, o que gerou algumas frustrações entre os membros da comunidade. Campanhas futuras podem precisar expandir a elegibilidade para incluir essas populações vulneráveis.
Embora a maioria dos participantes tenha expressado opiniões positivas sobre a vacina, o estudo sugere que mais pesquisas são necessárias para entender completamente as perspectivas da comunidade e melhorar a aceitação da vacinação. Superar os desafios relacionados à confiança, desinformação e logística pode aumentar a cobertura da vacina e proteger os mais vulneráveis em cenários semelhantes.
Abordar questões como saneamento e água limpa também é essencial para o controle a longo prazo da hepatite E e para reduzir o risco de surtos futuros. Construir relações fortes com a comunidade e fornecer educação sobre a vacina e a hepatite E em si pode fomentar a confiança e encorajar mais pessoas a se vacinarem em campanhas futuras.
Título: High confidence and demand for hepatitis E vaccine during an outbreak in Bentiu, South Sudan: A qualitative study
Resumo: IntroductionIn 2021 in response to an outbreak of hepatitis E in Bentiu internally displaced persons camp the South Sudanese Ministry of Health with support from Medecins Sans Frontieres implemented the first-ever mass reactive vaccination campaign with HEV239 (Hecolin; Innovax, Xiamen, China). As part of an evaluation of the feasibility of hepatitis vaccination as part of an epidemic response, we conducted qualitative research to assess knowledge, attitudes, and practices related to hepatitis E and the hepatitis E vaccine. MethodsWe conducted 8 focus group discussions (FGDs) with community leaders, the general population of vaccine-eligible adults, vaccine-eligible pregnant women (vaccinated and non-vaccinated), and healthcare workers. FGDs were separate by gender and were audio recorded, transcribed, and translated to English by trained research assistants. Two coders used inductive thematic analysis to organize emergent themes. ResultsData were collected in November 2022. Most individuals had personal experiences with hepatitis E. Hepatitis E was perceived as a dangerous disease, and almost everyone was knowledgeable about transmission pathways. Participants believed children, pregnant women, and the elderly were the highest risk groups. Participants frequently made requests for additional hepatitis E vaccination campaigns and expanded eligibility criteria for vaccination. The primary barriers to vaccination were practical issues related to being away from the camp at the time of the campaign, but participants shared that some in the community were unvaccinated due to fears about injections, social pressure, misinformation about side effects such as infertility, concerns about why some groups were eligible for vaccination and not others (e.g. young children), and a lack of information about the vaccine/vaccination campaigns. ConclusionPersonal experiences with hepatitis E illness, perceived severity of illness, and confidence in organizations recommending the vaccine were drivers of high demand for hepatitis E vaccines in the first-ever use of the vaccine in an outbreak setting.
Autores: Aybüke Koyuncu, K. V. Asilaza, J. Rumunu, J. Wamala, P. Gitahi, Z. Antier, J. Duncker, P. Nkemenang, P. Gakima, M. Haile, E. Gignoux, M. Albela, F. B. Loro, D. Biem, M. Rull, A. S. Azman, I. Ciglenecki, R. Nesbitt
Última atualização: 2024-06-26 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.06.25.24309497
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.06.25.24309497.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
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