Simple Science

Ciência de ponta explicada de forma simples

# Ciências da saúde# Salute pubblica e globale

Abordagens Estratégicas para Combater a Malária no Benin

Novas estratégias no Benin visam reduzir os casos de malária por meio de intervenções específicas.

― 7 min ler


Enfrentando a malária noEnfrentando a malária noBeninpor malária em crianças.Novas estratégias pra reduzir as mortes
Índice

Em 2022, a malária levou a vida de 608.000 pessoas no mundo todo, com impressionantes 76% dessas mortes sendo de Crianças com menos de cinco anos. Essa doença parasitária continua sendo uma das principais causas de morte entre crianças pequenas. Desde o ano 2000, houve grandes avanços na redução do impacto da malária, principalmente por causa do uso de redes tratadas com inseticida e medicamentos eficazes. No entanto, o progresso estagnou desde 2015. Os problemas de resistência a inseticidas e medicamentos, o surgimento de novas espécies de mosquitos e o financiamento insuficiente representam riscos sérios para os avanços conquistados.

Para combater a malária, agora são necessárias novas estratégias para complementar os métodos já existentes. Uma dessas estratégias é a Quimioprevenção da Malária Sazonal (QMS), que envolve a administração de medicamentos antimaláricos para todas as crianças que vivem em áreas onde a malária ocorre sazonalmente. Esse tratamento visa eliminar infecções existentes e prevenir novas. Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) endossou a QMS em 2012, o número de crianças tratadas aumentou drasticamente, de 200.000 em 2012 para 49 milhões em 2022.

No Benin, a malária é a principal causa de visitas ao hospital e representa uma parte notável dos Casos e óbitos globais por malária. A QMS foi introduzida pela primeira vez nas regiões de Alibori e Atacora do Benin em 2019 e, desde então, se expandiu para atender quase 600.000 crianças com menos de cinco anos nessas áreas.

Em 2022, a OMS atualizou suas diretrizes, agora recomendando a QMS para todas as crianças em alto risco de malária severa, não apenas aquelas com menos de cinco anos. Essa mudança apresenta uma oportunidade para os países afetados pela malária adaptarem suas estratégias às necessidades locais. No entanto, também apresenta desafios para os programas de saúde nacionais que precisam tomar decisões mais informadas com base nessas novas recomendações.

Após essa atualização, as autoridades de saúde do Benin começaram a colaborar com especialistas de um instituto de saúde suíço para avaliar os benefícios de duas estratégias potenciais: ampliar a QMS para incluir crianças com menos de 10 anos em áreas onde já foi implementada ou expandir a QMS para novas áreas, mas limitando-a a crianças com menos de cinco anos. Dada a ampla disseminação da malária no Benin e o financiamento limitado, os oficiais de saúde precisavam avaliar cuidadosamente ambas as opções para determinar qual seria mais eficaz.

Estudos mostram que a QMS é uma intervenção eficaz para crianças em ambas as faixas etárias. Algumas pesquisas indicaram que administrar a QMS para crianças com menos de 10 anos levou a reduções significativas nos casos de malária entre as crianças mais novas. No entanto, a extensão desses benefícios pode variar dependendo das condições locais.

Para ajudar na tomada de decisões, é crucial analisar qual estratégia levaria a mais vidas salvas, considerando os aspectos financeiros das intervenções. Modelagem matemática é uma ferramenta útil para simular diferentes cenários e prever os impactos de várias intervenções nos casos e mortes por malária.

A Abordagem de Modelagem

Nosso objetivo era avaliar qual estratégia de extensão da QMS seria mais eficaz e econômica no Benin. Utilizamos um software chamado OpenMalaria, que modela infecções humanas por malária simulando tanto as populações humanas quanto as de mosquitos envolvidas na transmissão da malária. O modelo foi ajustado para se adequar ao contexto específico do Benin usando dados locais.

Reunimos dados sobre a eficácia das intervenções e casos anteriores de malária no Benin para ajudar na calibração do modelo. As espécies de mosquitos responsáveis pela transmissão no Benin também foram identificadas, e seu comportamento foi considerado no modelo.

Variáveis-chave, como a frequência com que as pessoas usavam redes tratadas com inseticida e quão eficazes eram essas redes na proteção contra a malária, foram integradas na simulação. O modelo usou dados locais para avaliar o número de pessoas buscando tratamento para malária ao longo do tempo, fornecendo assim uma representação mais precisa da situação da malária.

Com essa estrutura de modelagem, exploramos os resultados de duas estratégias: uma que estendia a QMS para crianças com menos de 10 anos em regiões que já recebiam essa intervenção e outra que expandia a QMS para novas áreas, mas focava em crianças com menos de cinco anos.

Previsão de Resultados

Nossas simulações mostraram que se a QMS fosse estendida demograficamente para incluir crianças com menos de 10 anos nas áreas existentes, cerca de 600.000 casos de malária poderiam ser evitados entre 2024 e 2026. Essa extensão resultaria em uma redução nos casos severos e algumas vidas salvas. No entanto, o impacto foi consideravelmente menor em comparação com a extensão geográfica, que envolvia o direcionamento de crianças com menos de cinco anos em novas áreas.

A extensão geográfica previu que 1,5 milhão de casos de malária poderiam ser evitados no mesmo período, levando a significativamente mais casos severos evitados e vidas salvas. Com mais de 1,8 milhão de crianças com menos de cinco anos nas novas áreas, a extensão geográfica da QMS ofereceu um benefício muito maior.

Ao olhar para o número de casos evitados por criança alvo, a extensão demográfica mostrava que evitaria cerca de 609 casos a cada 1.000 crianças alvo. A extensão geográfica, por outro lado, poderia evitar aproximadamente 813 casos a cada 1.000 crianças com menos de cinco anos. Da mesma forma, a abordagem geográfica salvaria muitas mais vidas por criança alvo.

Tomada de Decisão para Programas de Saúde

Diante dessas descobertas, as autoridades de saúde enfrentaram uma decisão crítica. Embora ambas as estratégias tivessem benefícios potenciais, a extensão geográfica era claramente mais eficaz. Os programas de saúde do Benin decidiram implementar essa abordagem a partir de 2024.

Agentes de saúde comunitários vão realizar a QMS nas novas regiões-alvo, inicialmente focando em áreas onde esses trabalhadores já foram treinados. Essa escolha está alinhada com os dados fornecidos pelo nosso modelo e reflete uma consideração prática das capacidades locais.

Embora esta análise tenha se concentrado principalmente no contexto do Benin, a metodologia poderia ser adaptada para uso em outros países enfrentando desafios semelhantes com a malária.

Conclusão

A natureza em evolução da transmissão da malária exige adaptação contínua das estratégias. Nossa análise ilustrou que a extensão geográfica da QMS no Benin salvaria muitas mais vidas do que simplesmente ampliar a elegibilidade para crianças mais velhas nas áreas existentes.

Este exercício de modelagem reflete a importância de usar dados para informar decisões críticas de saúde pública. Mesmo diante de financiamento limitado, abordagens baseadas em evidências podem ajudar a priorizar intervenções que proporcionam os maiores benefícios para populações vulneráveis. O esforço colaborativo entre as autoridades locais de saúde e especialistas internacionais pode abrir caminho para estratégias mais eficazes contra a malária no futuro.

Fonte original

Título: Modelling to support decisions about the geographic and demographic extensions of seasonal malaria chemoprevention in Benin

Resumo: BackgroundSeasonal malaria chemoprevention (SMC) has been implemented yearly in northern Benin since 2019 to reduce the malaria burden in children under 5 years of age. Its geographic scope was progressively extended until in 2022 two different extensions of SMC were considered: either demographic - children aged 5 to 10 in the currently targeted departments would also receive SMC, or geographic to children under 5 in new eligible departments to the south. As SMC had neither been implemented in the areas nor age groups suggested for expansion, modelling was used to compare the likely impact of both extensions. MethodsThe model OpenMalaria was calibrated to represent the history of malaria interventions and transmission risk in Benin. Currently planned future interventions and two scenarios for SMC extensions were simulated to inform where impact would be the highest. ResultsThe model predicted that between 2024 and 2026 the geographic extension of SMC would avert at least four times more severe malaria cases and five times more direct malaria deaths per targeted child than the demographic extension. However, numbers of severe cases averted per targeted child were similar between health zones eligible for geographic extension. ConclusionsThe geographic extension is more impactful and likely more cost-effective than the demographic extension, and will be implemented from 2024. Health zones were prioritised by availability of community health workers to deliver SMC. Mathematical modelling was a supportive tool to understand the relative impact of the different proposed SMC extensions and contributed to the decision-making process. Its integration significantly enhanced the utilisation of data for decision-making purposes. Rather than being used for forecasting, the model provided qualitative guidance that complemented other types of evidence.

Autores: Jeanne Lemant, C. Champagne, W. Houndjo, J. Aïssan, R. Aïkpon, C. Houetohossou, S. Kpanou, R. Goers, C. Affoukou, E. Pothin

Última atualização: 2024-04-26 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.04.25.24306333

Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.04.25.24306333.full.pdf

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

Obrigado ao medrxiv pela utilização da sua interoperabilidade de acesso aberto.

Artigos semelhantes