O Papel da Telemedicina na Saúde Sexual e Reprodutiva Durante a COVID-19
Analisando como a telessaúde mudou os serviços de saúde sexual e reprodutiva durante a pandemia de COVID-19.
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Índice
- Impacto da COVID-19 nos Serviços de Saúde
- Modalidades de Telemedicina
- O Papel dos Prestadores de Saúde
- Design do Estudo e Metodologia
- Analisando os Dados
- Perspectivas dos Prestadores sobre Telemedicina
- Experiências com Telemedicina
- Modalidades de Telemedicina Utilizadas
- Desafios na Utilização da Telemedicina
- Fatores que Influenciam a Implementação da Telemedicina
- Conclusão
- Fonte original
A pandemia de COVID-19 trouxe várias mudanças para a saúde ao redor do mundo. Uma das maiores mudanças foi como os serviços de saúde sexual e reprodutiva (SRH) foram oferecidos. Durante a pandemia, muitos serviços de saúde tiveram que fechar ou mudar sua forma de operação. Isso afetou o atendimento de rotina, incluindo serviços para pessoas vivendo com HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Em 2021, foi relatado que as mortes relacionadas ao HIV e novas infecções aumentaram significativamente. Muitas clínicas encontraram dificuldades para oferecer serviços de saúde sexual de rotina, já que recursos foram direcionados para o atendimento urgente de COVID-19. Um estudo mostrou que 86% dos profissionais de saúde relataram que os pacientes tinham menos acesso aos serviços de SRH durante a pandemia. Nos EUA, as prescrições para profilaxia pré-exposição (PrEP), usada para prevenir o HIV, caíram 80%. Além disso, houve um aumento notável nas mortes maternas, algumas devido a interrupções nos sistemas de saúde.
Impacto da COVID-19 nos Serviços de Saúde
Conforme a pandemia se intensificou, os prestadores de saúde adotaram serviços de telemedicina para continuar atendendo os pacientes, especialmente aqueles com necessidades não urgentes. Telemedicina se refere ao uso de tecnologia como computadores e smartphones para fornecer serviços de saúde à distância. Isso permitiu que os pacientes recebessem atendimento sem precisar visitar uma clínica pessoalmente. Isso foi especialmente importante durante os lockdowns, quando muitas instalações de saúde estavam fechadas para proteger a equipe e os pacientes do COVID-19.
A e-saúde também surgiu, que envolve o uso da internet para fornecer informações e serviços de saúde. A combinação de telemedicina com e-saúde ajudou os prestadores de saúde a gerenciar os pacientes enquanto minimizava a propagação do COVID-19. Uma pesquisa nos EUA descobriu que a telemedicina ajudou a suprir lacunas nos serviços de SRH, com muitas mulheres optando por consultas virtuais para suas necessidades contraceptivas.
Modalidades de Telemedicina
A telemedicina foi oferecida de várias maneiras, sendo as videochamadas a mais comum. Outras formas incluíam o envio de informações médicas para os prestadores à distância e o uso de aplicativos para comunicação por texto ou e-mail. A maioria das instalações de saúde usou uma mistura de chamadas telefônicas e videochamadas para as consultas de telemedicina. Os prestadores frequentemente usavam aplicativos seguros para garantir a privacidade dos pacientes durante essas consultas virtuais.
No entanto, os serviços de telemedicina e sua entrega variavam de região para região. Cada estado tinha regras diferentes sobre quais serviços de saúde podiam ser cobertos pelo seguro, levando a disparidades no acesso e nos cuidados. Muitos profissionais de saúde em Nova York Ocidental Central tiveram dificuldade em documentar suas experiências com telemedicina e serviços de SRH durante a pandemia.
O Papel dos Prestadores de Saúde
Durante os primeiros estágios da pandemia, os serviços de SRH foram reduzidos significativamente em Nova York, já que muitos prestadores focaram no COVID-19. Os profissionais de saúde foram incentivados a avaliar a saúde sexual e abordar ISTs apesar das restrições. Autoridades de saúde emitiram orientações para apoiar a continuidade dos serviços de saúde sexual, que foram cruciais para prevenir a disseminação de infecções.
Coletar informações de prestadores de saúde sobre suas experiências com telemedicina e serviços de SRH durante a pandemia foi importante. Pesquisadores realizaram entrevistas com os prestadores para entender melhor as mudanças e os desafios que enfrentaram.
Design do Estudo e Metodologia
Para coletar informações, foi adotada uma abordagem qualitativa, permitindo que os pesquisadores explorassem profundamente as experiências dos prestadores de saúde. Entrevistas detalhadas foram realizadas com dez prestadores de saúde que tinham experiência com atendimento de saúde sexual. Esse grupo foi escolhido para abranger uma variedade de experiências e perspectivas. Os prestadores foram recrutados por meio de vários canais, incluindo e-mails e discussões em reuniões de saúde.
As entrevistas focaram no impacto da COVID-19 nas práticas, mudanças na entrega de serviços e uso da telemedicina. Cada sessão durou de 30 a 45 minutos, com os participantes sendo compensados pelo tempo. As entrevistas foram gravadas e transcritas para permitir uma análise detalhada.
Analisando os Dados
A análise envolveu a busca por temas e experiências comuns compartilhadas pelos prestadores de saúde. Os pesquisadores leram as transcrições várias vezes para entender completamente o conteúdo e identificar ideias principais. Esse processo incluiu anotar comentários e perspectivas significativas relacionadas à telemedicina e aos serviços de SRH durante a pandemia.
Por meio dessa análise, três temas centrais emergiram sobre o uso da telemedicina durante a pandemia: as visões dos prestadores sobre a telemedicina, suas experiências com a telemedicina e os fatores que influenciaram a implementação dos serviços de telemedicina.
Perspectivas dos Prestadores sobre Telemedicina
Os prestadores de saúde geralmente viam a telemedicina de forma positiva, reconhecendo seus potenciais benefícios para os serviços de SRH, apesar de alguns desafios iniciais. Eles enfatizaram que tornar a telemedicina mais amplamente disponível aumentou seu sucesso e acessibilidade, especialmente para as pessoas que buscavam prevenção e cuidados para o HIV.
Os prestadores notaram que a telemedicina permitiu que casais e famílias participassem de consultas com mais conforto. Alguns participantes mencionaram como a telemedicina facilitou a conexão com os pacientes, já que podiam convidar os parceiros a participar das consultas sem problemas.
A telemedicina também foi vista como uma forma de reduzir o estigma em torno da busca por atendimento para ISTs. Os pacientes podiam acessar os serviços sem precisar visitar uma clínica pessoalmente, o que era especialmente atraente para aqueles que poderiam se sentir envergonhados ou preocupados com julgamentos.
Experiências com Telemedicina
As experiências dos prestadores de saúde com a telemedicina foram moldadas em grande parte por como suas clínicas se adaptaram às restrições da pandemia. Algumas instalações rapidamente mudaram para a telemedicina, enquanto outras demoraram mais para se ajustar. Houve experiências mistas quanto à eficácia da telemedicina em manter os serviços de SRH.
Alguns prestadores destacaram a transição bem-sucedida para a telemedicina, onde usaram opções de envio para testes de ISTs e continuaram a fornecer o atendimento necessário. No entanto, outros encontraram desafios em manter a conexão com os pacientes devido à redução das visitas presenciais.
Os prestadores indicaram que a telemedicina foi especialmente útil na continuidade do atendimento. Eles encontraram maneiras de implementar consultas virtuais, garantindo que os pacientes ainda pudessem receber os cuidados necessários, mesmo que isso significasse uma mudança temporária das visitas tradicionais.
Modalidades de Telemedicina Utilizadas
Os prestadores de saúde relataram o uso de várias modalidades de telemedicina com base nas capacidades de suas clínicas. As videochamadas eram o método preferido, permitindo avaliações visuais durante as consultas. No entanto, algumas clínicas tinham opções limitadas devido a restrições tecnológicas.
Os prestadores compartilharam que visitas de telemedicina bem-sucedidas geralmente dependiam de garantir que os pacientes tivessem acesso a uma internet confiável e dispositivos apropriados. Em casos onde os pacientes não tinham capacidade de vídeo, muitos prestadores procuravam maneiras alternativas de envolvê-los.
Práticas de telemedicina bem-sucedidas envolviam comunicação aberta e garantir que os pacientes estivessem confortáveis e informados sobre suas consultas. Os prestadores também enfatizavam a importância de manter um ambiente de apoio durante essas visitas virtuais.
Desafios na Utilização da Telemedicina
Apesar dos benefícios, os prestadores de saúde enfrentaram desafios ao utilizar a telemedicina. Uma preocupação significativa era o acompanhamento dos pacientes, com alguns sendo mais difíceis de reconectar após a mudança para consultas virtuais. Os prestadores expressaram frustração com o fato de que alguns pacientes pareciam se desligar do atendimento durante essa transição.
Outro desafio foi a impossibilidade de realizar exames físicos durante as consultas de telemedicina. Sem a oportunidade de examinar os pacientes pessoalmente, os prestadores sentiram desvantagem ao avaliar certas condições e fornecer cuidados.
Além disso, problemas de conectividade à internet frequentemente atrapalharam as consultas de telemedicina. Muitos pacientes, especialmente aqueles de classes baixas, enfrentaram dificuldades em acessar uma internet confiável, o que limitou sua capacidade de se envolver plenamente nos serviços de telemedicina.
Preocupações em torno da privacidade dos pacientes também eram comuns. Os prestadores se preocupavam que os pacientes não tivessem espaços privados para discutir questões de saúde sensíveis durante as visitas de telemedicina, o que poderia dificultar a comunicação aberta.
Fatores que Influenciam a Implementação da Telemedicina
A adoção dos serviços de telemedicina foi influenciada por vários fatores. Muitos prestadores notaram que sua experiência anterior com telemedicina tornou a transição mais suave. Instalações que já tinham começado a implementar telemedicina antes da pandemia encontraram mais facilidade em se adaptar.
No entanto, as políticas de reembolso para serviços de telemedicina desempenharam um papel crítico na sustentabilidade. Os prestadores expressaram frustração pelo fato de que alguns planos de seguro só reembolsavam videochamadas, enquanto não cobriam consultas por telefone. Essa inconsistência criou barreiras para pacientes sem acesso a smartphones ou internet confiável.
Os prestadores de saúde frequentemente colaboravam com outros membros da equipe para aprimorar a entrega dos serviços de telemedicina. Utilizar uma abordagem interdisciplinar ajudou a atender as necessidades dos pacientes de forma eficaz, mesmo quando as consultas presenciais eram limitadas.
Conclusão
No geral, a telemedicina surgiu como uma ferramenta vital para continuar os serviços de saúde sexual e reprodutiva durante a pandemia de COVID-19. Embora os prestadores relataram experiências positivas e benefícios, os desafios permaneceram na sua implementação. Abordar questões como acesso à tecnologia, acompanhamento de pacientes e preocupações com a privacidade será essencial para sustentar os serviços de telemedicina no futuro.
Os sistemas de saúde precisam reconhecer a importância dos serviços de SRH e a necessidade de tornar a telemedicina uma opção permanente para os pacientes. Pesquisas contínuas, treinamento e ajustes nas políticas serão necessários para garantir que a telemedicina possa atender efetivamente diversas populações no futuro.
Título: Telehealth use for sexual and reproductive health promotion and care during the early phase of COVID-19 pandemic: A descriptive-interpretive qualitative study of healthcare providers perspectives and experiences in Western - Central New York State
Resumo: Telehealth emerged as an option for the provision of sexual and reproductive health (SRH) care and promotion during COVID-19 pandemic restrictions. However, studies are limited on the perspectives and experiences of healthcare providers (HCPs) practicing in the Western-Central region of New York State. This qualitative interpretive study explored the perspectives and experiences of HCPs with telehealth use for sexual and reproductive health promotion including counselling, testing, care and treatment for HIV infection and other sexually transmitted infections (STIs), in Western New York State. Ten HCPs participated in semi-structured in-depth interviews from October 2019-February 2021. These providers were predominately white, female, ranged in years of clinical experience (1-30 years). The narratives revealed three major themes: 1) healthcare providers perspectives of telehealth use, 2) healthcare providers experiences with telehealth use for SRH promotion and care, and 3) determinants of telehealth implementation. Though all providers reported an increase in the use of telehealth, experiences in the delivery of telehealth varied especially for sexual and reproductive health services. Some providers reported having more time to consult with patients because of a decrease in patient load which freed up time to engage with patients. Others reported technological limitations among some patients which impacted care. Strengthening telehealth-based sexual health promotion will serve to address efforts toward ending the HIV epidemic, reducing other STIs, and ensuring consistent access to contraception. To effectively implement telehealth findings, suggest a need to ensure adequate technological resources for patients, and a need to increase HCPs comfort to engage patients in sexual health conversations via telehealth.
Autores: Sadandaula Rose Muheriwa-Matemba, D. C. Alcena-Stiner, A. Glazier, N. M. LeBlanc
Última atualização: 2024-05-03 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.02.24306759
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.02.24306759.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/publicdomain/zero/1.0/
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