Adaptando Habilidades Motoras Sem Propriocepção
Estudo revela como as pessoas se adaptam nos movimentos apesar de perder o feedback sensorial.
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Habilidades motoras são as capacidades que a gente usa pra mover nossos corpos. Quando jogamos esportes, tipo tênis, ou fazemos tarefas do dia a dia, contamos com essas habilidades. Às vezes, as coisas mudam ao nosso redor ou dentro do nosso corpo. Por exemplo, se o vento desvia uma bola de tênis, os jogadores ajustam rapidamente seus movimentos pra continuar acertando o alvo. Esse ajuste acontece de duas maneiras: uma é quando os jogadores pensam em como mudar seu movimento, e a outra é automática, quando o corpo faz as mudanças sem a pessoa precisar pensar.
Quando algo inesperado acontece - como o vento afetando a bola - os jogadores percebem a diferença entre o que esperavam e o que realmente aconteceu. Essa diferença é chamada de "erro perceptual." Ela avisa o corpo que algo precisa mudar pra manter um bom desempenho. O corpo consegue ajustar seus movimentos pra corrigir o erro sem precisar pensar muito sobre isso.
Pesquisadores têm investigado como essa adaptação automática funciona, especialmente pra pessoas com condições que afetam a percepção de onde estão seus membros, chamada de Propriocepção. Propriocepção é a nossa capacidade de perceber onde nossas partes do corpo estão no espaço e como estão se movendo. Por exemplo, quando você fecha os olhos e toca seu nariz, você depende da propriocepção pra saber onde seu dedo tá.
Algumas pessoas têm condições que dificultam a recepção de feedback sensorial dos membros, o que oferece uma oportunidade única de estudar a adaptação motora. Por exemplo, uma condição rara chamada "deafferentação" acontece quando a pessoa perde a capacidade de sentir seus membros e suas posições. Os pesquisadores querem saber como esses indivíduos adaptam suas habilidades motoras sem o feedback usual dos corpos deles.
Em experimentos recentes, os pesquisadores testaram grupos de pessoas, incluindo aquelas com e sem perda de propriocepção. Eles pediram pros participantes realizarem uma tarefa de alcançar, onde tinham que acertar um alvo na tela com um cursor. Em algumas tentativas, o cursor era manipulado pra sempre aparecer em um lugar que não estava alinhado com o alvo real; isso era conhecido como "feedback comprimido." A ideia era ver se os participantes ajustariam automaticamente seus movimentos baseados nesse feedback incorreto.
O Objetivo do Estudo
O principal objetivo do estudo era entender como a perda de propriocepção afeta a adaptação motora e os resultados percebidos dos movimentos. Os pesquisadores fizeram duas previsões principais:
- Eles acreditavam que pessoas com perda de propriocepção dependeriam mais de pistas visuais, o que levaria a uma mudança maior na percepção dos alvos de movimento, resultando em uma resposta automática mais forte.
- Eles achavam que essa dependência de informações visuais levaria a ajustes ainda maiores em como eles alcançavam os alvos.
Como o Estudo Foi Conduzido
Os pesquisadores compararam seis participantes com perda severa de propriocepção a 60 participantes de controle que eram parecidos em idade, gênero e lateralidade. Cada participante participou de tarefas de alcançar em uma tela com feedback visual.
Os participantes completaram dois tipos principais de tentativas:
- Tentativas normais, onde o feedback estava corretamente alinhado com os movimentos deles.
- Tentativas de feedback comprimido, onde a localização do cursor foi artificialmente deslocada.
Os participantes deram um feedback sobre a percepção do resultado do movimento a cada dez tentativas, relatando onde achavam que sua mão estava em relação ao alvo.
Os pesquisadores usaram várias fases durante a tarefa pra medir como os participantes adaptaram seus movimentos. Essas fases incluíam um período base onde não havia erros visuais, uma fase de adaptação inicial, uma fase de adaptação final, e uma fase de efeito residual onde nenhum feedback foi dado.
Descobertas sobre Adaptação Implícita
Os resultados do estudo mostraram que tanto o grupo de controle quanto o grupo de deafferentados adaptaram seus movimentos de maneira semelhante. Os participantes de controle ajustaram os ângulos das mãos na direção oposta à perturbação visual. Quando analisaram os participantes de deafferentação, eles também mostraram capacidade de adaptação apesar de perderem a sensação de propriocepção.
Embora ambos os grupos mostrassem adaptação implícita, não foram encontradas diferenças significativas entre os dois grupos em relação ao grau de adaptação. Isso significa que a perda de propriocepção não parecia atrapalhar a capacidade de adaptar os movimentos. Os pesquisadores também observaram que ambos os grupos mostraram um efeito residual notável, que é uma mudança persistente no comportamento após a remoção do feedback, destacando que a adaptação tinha acontecido.
Resultados Percebidos dos Movimentos
Os pesquisadores também queriam entender como a perda de propriocepção influenciava a percepção dos participantes sobre seus resultados de movimento. Quando os participantes foram perguntados onde achavam que sua mão estava, tanto o grupo de controle quanto o de deafferentados mostraram um viés em relação ao feedback visual comprimido. Esse viés indicou que eles estavam sendo influenciados pelo cursor deslocado, em vez de avaliar com precisão a posição da mão.
Os relatos dos resultados percebidos indicaram um padrão consistente, com ambos os grupos mostrando um deslocamento perceptual em direção ao feedback visual. No entanto, esse deslocamento não foi mais pronunciado no grupo de deafferentados como os pesquisadores tinham inicialmente antecipado. Ambos os grupos apresentaram erros perceptuais semelhantes, o que sugere que a perda de propriocepção não amplificou significativamente a dependência de informações visuais.
Implicações do Estudo
Os achados sugerem que as pessoas podem adaptar suas habilidades motoras mesmo quando não recebem feedback de seus membros. O estudo forneceu evidências de que informações visuais podem guiar a adaptação motora de maneira eficaz, mesmo quando as pistas proprioceptivas estão comprometidas. Importante, a falta de deslocamentos perceptuais acentuados nos adultos de deafferentação indica que seus processos cognitivos e visuais apoiaram suficientemente sua capacidade de adaptação.
Além disso, os resultados ampliam a compreensão de como as habilidades motoras funcionam em indivíduos com perda sensorial. Mostra que, embora a propriocepção desempenhe um papel no movimento, outros inputs sensoriais e processos cognitivos podem compensar a informação perdida. Esse insight é crucial para desenvolver estratégias de reabilitação para pessoas com deficiências sensoriais.
Variabilidade no Desempenho Motor
Apesar da capacidade preservada de adaptação, os pesquisadores perceberam que o grupo de deafferentados mostrou maior variabilidade em seus movimentos de mão. Isso significa que, mesmo podendo se adaptar, seus movimentos eram menos consistentes em comparação com indivíduos com propriocepção normal. A variabilidade pode ser um resultado de depender mais de pistas visuais, o que pode, às vezes, levar a movimentos menos precisos.
Ao analisar os dados mais a fundo, os pesquisadores não encontraram diferenças significativas no desempenho geral entre os dois grupos quando começaram a tarefa. No entanto, a variabilidade nos movimentos foi maior para o grupo de deafferentados, indicando que, embora eles se adaptassem bem, a qualidade dos seus movimentos era inconsistente.
Conclusão e Direções Futuras
Em conclusão, este estudo ilumina como pessoas com perda de propriocepção adaptam suas habilidades motoras. Mostra que elas ainda podem performar de forma eficaz confiando em informações visuais, embora seus movimentos possam ser mais variáveis. Esses insights são valiosos pra entender como o cérebro e o corpo trabalham juntos pra manter habilidades motoras em diferentes condições.
Estudos futuros poderiam explorar tarefas mais longas ou investigar diferentes métodos de feedback pra ver como esses fatores influenciam os processos de adaptação. Pesquisadores também podem investigar outros modos sensoriais, como feedback auditivo, pra ver como podem melhorar ainda mais as habilidades motoras em indivíduos com perda sensorial. Entender os mecanismos por trás da adaptação motora continuará a desempenhar um papel crucial nos esforços de reabilitação e na melhoria da vida de quem tem deficiências sensoriais.
Título: Minimal impact of proprioceptive loss on implicit sensorimotor adaptation and perceived movement outcome
Resumo: Implicit sensorimotor adaptation keeps our movements well-calibrated amid changes in the body and environment. We have recently postulated that implicit adaptation is driven by a perceptual error: the difference between the desired and perceived movement outcome. According to this perceptual re-alignment model, implicit adaptation ceases when the perceived movement outcome - a multimodal percept determined by a prior belief conveying the intended action, the motor command, and feedback from proprioception and vision - is aligned with the desired movement outcome. Here, we examined the role of proprioception in implicit motor adaptation and perceived movement outcome by examining individuals who lack proprioception. We used a modified visuomotor rotation task designed to isolate implicit adaptation and probe perceived outcome throughout the experiment. Surprisingly, implicit adaptation and perceived outcome were minimally impacted by deafferentation, posing a challenge to the perceptual re-alignment model of implicit adaptation.
Autores: Jonathan S Tsay, A. M. Chandy, R. Chua, R. C. Miall, J. Cole, A. Farne, R. B. Ivry, F. R. Sarlegna
Última atualização: 2024-02-14 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2023.01.19.524726
Fonte PDF: https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2023.01.19.524726.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/
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