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# Biologia# Biologia vegetal

O Papel da Expressão Gênica na Evolução das Angiospermas

Este estudo mostra como a expressão gênica impulsiona a adaptação e diversidade das angiospermas.

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Índice

Como as plantas com flores, conhecidas como angiospermas, evoluíram rapidamente e se tornaram dominantes em vários ecossistemas é uma pergunta chave na biologia vegetal. Embora existam várias teorias sobre a rápida diversificação delas, esse estudo foca em entender o papel da Expressão Gênica nesse processo evolutivo.

A expressão gênica se refere a como os genes são ativados ou desativados em diferentes células. Embora espécies relacionadas possam parecer bem diferentes, muitas vezes elas compartilham muitos dos mesmos genes. Por causa disso, mudanças em como e quando esses genes são expressos podem resultar nas diferenças que vemos nas espécies. Ao examinar os níveis de expressão gênica em vários órgãos de várias espécies de plantas, nosso objetivo é descobrir padrões que poderiam explicar como as angiospermas prosperaram e se adaptaram.

Visão Geral do Estudo

Nesta pesquisa, coletamos e analisamos dados de expressão gênica de oito órgãos diferentes de sete espécies de angiospermas. Nosso objetivo era ver como os níveis de expressão gênica diferem entre essas espécies e como esses níveis podem ter evoluído ao longo do tempo.

Para isso, realizamos Sequenciamento de RNA, um método que nos permite capturar a atividade dos genes em tecidos específicos. Os órgãos que estudamos incluíram raízes, folhas, flores e mais. Esses dados foram depois comparados com dados existentes de espécies de mamíferos para avaliar as diferenças em como a expressão gênica evolui entre esses dois grupos.

Métodos de Coleta de Dados

Sequenciamento de RNA

Usamos uma técnica chamada sequenciamento de RNA para reunir nossos dados. Isso envolveu pegar amostras de órgãos específicos das plantas e isolar seu RNA. O RNA é uma molécula que serve como mensageiro, levando instruções do DNA para controlar a produção de proteínas. Especificamente, olhamos para RNA ribodepletado, ou seja, removemos o RNA ribossômico, que é abundante e interferiria em nossos resultados.

Preparamos amostras de várias espécies, incluindo parentes próximos e mais distantes, para ver como a expressão gênica diferia até mesmo entre espécies que compartilham um ancestral comum. As espécies que analisamos incluíram várias da família Brassicaceae, como Arabidopsis thaliana e seus parentes, assim como diferentes famílias como leguminosas e monocotiledôneas.

Análise de Dados

Depois de obter os dados de sequenciamento de RNA, realizamos uma série de análises para quantificar os níveis de expressão gênica em cada tipo de órgão. Ao comparar esses níveis entre as espécies, conseguimos identificar padrões na expressão gênica. Focamos especialmente em genes codificadores, que são genes que fornecem as instruções para a produção de proteínas, assim como genes não-codificadores, que não produzem proteínas mas podem desempenhar papéis regulatórios importantes.

Resultados sobre Padrões de Expressão Gênica

Número de Genes Expressos

Na nossa análise, descobrimos que cada espécie de planta expressou entre 25.000 a 35.000 Genes codificadores de proteínas em vários órgãos. Além disso, identificamos milhares de tipos de RNA não-codificadores, revelando uma rica diversidade na expressão gênica.

Curiosamente, o pólen, que é o gametófito masculino, tinha menos transcritos expressos em comparação com outros órgãos. Isso reflete seu papel específico e menor número de tipos celulares, enfatizando as características únicas desse órgão reprodutivo.

Conservação e Variação de Genes

Também examinamos a conservação dos genes, focando especialmente em genes codificadores de proteínas e RNAs não-codificadores. Apesar da diversidade entre as espécies, observou-se uma presença significativa de genes conservados nas angiospermas estudadas. Notamos que muitos RNAs longos não-codificadores eram específicos de espécies individuais, destacando os caminhos evolutivos únicos que essas plantas seguiram.

Padrões de Expressão Gênica entre Órgãos

Nossa análise aprofundada de Arabidopsis thaliana revelou que os níveis mais altos de expressão gênica geralmente ocorriam nas pontas das raízes, sementes maduras e estames em um estágio de desenvolvimento específico. Esses resultados demonstraram padrões consistentes de expressão gênica dentro dos tipos de órgão, mostrando que certos genes são mais ativos durante determinadas fases de crescimento.

Além disso, descobrimos que genes altamente conservados tendiam a ter níveis de expressão mais fortes do que genes mais novos, confirmando tendências vistas anteriormente em outros organismos.

Dinâmica Evolutiva da Expressão Gênica

Análise Comparativa de Angiospermas e Mamíferos

Enquanto explorávamos a Evolução da expressão gênica, fizemos comparações entre os padrões de expressão gênica das angiospermas e aqueles encontrados em mamíferos. Surpreendentemente, amostras de órgãos de angiospermas frequentemente se agrupavam por espécie, e não por tipo de órgão, sugerindo que a expressão gênica é mais estável dentro de uma espécie do que entre diferentes espécies.

Em contraste, muitos estudos de mamíferos mostraram que a expressão gênica tende a ser mais similar entre diferentes espécies do mesmo tipo de órgão. A diferença nos padrões de agrupamento entre esses dois grupos pode destacar as pressões evolutivas únicas enfrentadas pelas angiospermas em comparação com os mamíferos.

Taxa de Evolução da Expressão Gênica

Para medir a taxa em que a expressão gênica muda ao longo do tempo, analisamos como os níveis de expressão variavam entre espécies distantes relacionadas. Observamos que os níveis de expressão de genes codificadores em angiospermas evoluíam mais rapidamente do que os em mamíferos. Especificamente, genes que respondem a mudanças ambientais mostraram a maior variabilidade, o que poderia explicar como as angiospermas se adaptam ao seu entorno.

Essa observação é particularmente relevante dado o contexto ecológico em que essas plantas operam. Ao se adaptarem rapidamente a sinais ambientais, as plantas com flores podem ser mais capazes de sobreviver e prosperar em meio a condições em mudança.

O Papel dos RNAs Não-Codificadores

Um aspecto essencial da nossa investigação envolveu o estudo de RNAs não-codificadores, que muitas vezes desempenham um papel de apoio na regulação da expressão gênica. Nossos achados confirmaram que esses RNAs não-codificadores têm taxas de conservação mais baixas do que os genes codificadores. Esse nível mais baixo de conservação sugere que os RNAs não-codificadores podem evoluir mais rapidamente do que seus equivalentes codificadores, contribuindo para a natureza dinâmica da expressão gênica entre as espécies.

Variabilidade na Expressão de Genes Não-Codificadores

Ao analisar a expressão de genes não-codificadores, encontramos que os padrões de ramificação nas árvores filogenéticas eram semelhantes em todos os órgãos. No entanto, os ramos para transcritos não-codificadores eram significativamente mais longos do que aqueles para genes codificadores, indicando taxas de mudança mais rápidas na expressão gênica não-codificadora.

De forma geral, nossos estudos reforçam a ideia de que os RNAs não-codificadores são jogadores importantes no processo evolutivo, permitindo mais flexibilidade e variabilidade na expressão gênica, o que pode ser crucial para a adaptação.

Mudanças Evolutivas Entre Grupos Funcionais

A seguir, olhamos para a estabilidade da expressão gênica entre grupos de genes que desempenham funções semelhantes. Curiosamente, genes envolvidos em processos essenciais, como metabolismo e desenvolvimento, mostraram mais estabilidade em seus padrões de expressão em comparação com genes que respondem a estímulos ambientais.

Essa descoberta sugere que certos genes estão sob forte pressão seletiva para manter seus padrões de expressão. Em contraste, genes que lidam com mudanças externas e internas parecem ser mais adaptáveis, mostrando maior variabilidade na expressão.

Implicações para a Evolução das Plantas

Nossa pesquisa oferece insights sobre como as plantas com flores se diversificaram rapidamente e se adaptaram a vários nichos ecológicos. A capacidade das angiospermas de ajustar rapidamente seus padrões de expressão gênica permite que elas respondam de forma eficaz aos desafios ambientais, o que pode contribuir para seu sucesso evolutivo.

Os dados indicam que genes envolvidos em responder a estressores bióticos e abióticos têm algumas das maiores taxas de evolução da expressão. Essa adaptabilidade pode ser um fator-chave no sucesso contínuo das angiospermas em um mundo em constante mudança.

Direções para Pesquisas Futuras

Indo em frente, vincular eventos climáticos históricos às taxas de evolução da expressão gênica em linhagens específicas de angiospermas poderia trazer insights ainda mais profundos sobre a adaptabilidade das plantas. Estudos que olhem para espécies mais diversas e contextos ecológicos aprimorarão nossa compreensão de como as plantas com flores conseguiram alcançar uma diversidade e resiliência tão notáveis ao longo do tempo.

À medida que continuamos a explorar as complexidades da expressão gênica em relação à evolução, podemos descobrir novas estratégias que as plantas com flores empregam para prosperar em vários ambientes. Esse conhecimento poderia ter aplicações em agricultura, conservação e manejo ambiental.

Conclusão

As angiospermas mostraram uma capacidade excepcional para evolução e adaptação rápidas, e a expressão gênica desempenha um papel fundamental nesse processo. Por meio de uma análise abrangente da expressão gênica em diversos órgãos de plantas, descobrimos padrões que indicam como as plantas com flores podem se ajustar rapidamente aos seus ambientes.

As diferentes taxas de mudança observadas em genes codificadores e não-codificadores ilustram a complexidade da adaptação das plantas. Nossos achados enfatizam a importância de estudar a dinâmica da expressão gênica para obter insights sobre a evolução e ecologia das plantas, contribuindo, em última análise, para nossa compreensão do mundo natural.

Fonte original

Título: Rapid evolution of gene expression patterns in flowering plants

Resumo: Phenotypic differences between species are largely driven by changes in both protein-coding sequence and gene expression 1. The evolutionary history of angiosperms (flowering plants) is characterised by a highly accelerated rate of diversification, which Darwin referred to as an "abominable mystery" 2. Here we show, by analysing the transcriptomes from eight organs across seven species, that angiosperm protein-coding gene expression patterns evolve rapidly: within 45 million years, expression levels of orthologous genes diverged so strongly that they are more similar between different organs within a species than between what are considered homologous organs from different species. This finding differs from previous observations in mammals, which demonstrated that organ-dependent gene expression levels are largely conserved 3, 4, 5. Among the angiosperm organs, meristems and leaves show the highest degree of expression conservation, whereas stamen and pollen transcriptomes diverge rapidly. Examining changes in the expression level of functionally related genes, we found low rates for those involved in key cellular, metabolic and developmental processes. In contrast, particularly high rates were observed for genes that are involved in the response to endogenous and external stimuli, presumably reflecting an adaptive response of flowering plants to ever-changing environments. Our work reveals that the evolution of gene expression progresses at different rates in angiosperms and mammals, and provides a comprehensive resource to perform cross-kingdom comparative studies of transcriptome evolution.

Autores: Christoph Schuster, A. Gabel, H.-G. Drost, I. Grosse, O. Leyser, E. M. Meyerowitz

Última atualização: 2024-07-14 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2024.07.08.602577

Fonte PDF: https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2024.07.08.602577.full.pdf

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

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