Futebol e Saúde Mental: Resultados de um Estudo
Investigando o impacto de cabecear a bola nas habilidades cognitivas de jogadores de futebol.
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Índice
Há evidências crescentes de que jogar esportes de contato, como o futebol, tá ligado a problemas de raciocínio e memória. No futebol, mesmo não sendo considerado um esporte de contato, os jogadores acabam se esbarrando ou batendo a bola com a cabeça. As bolas podem viajar super rápido, levando a impactos repetidos que talvez não causem ferimentos imediatos, mas que podem afetar o cérebro ao longo do tempo. Isso levanta preocupações sobre a saúde a longo prazo dos jogadores de futebol, especialmente em relação à função cerebral.
Estudos sobre a Saúde do Cérebro
Estudos recentes investigaram se os jogadores de futebol têm um risco maior de deterioração da saúde cerebral comparado ao público em geral. Uma análise da Escócia revelou que jogadores profissionais de futebol tinham um risco bem maior de morrer de Alzheimer em relação aos não jogadores. Outro estudo da Suécia também encontrou um aumento significativo do risco de Alzheimer para os jogadores de futebol. Resultados semelhantes vieram de um estudo na França, que mostrou taxas mais altas de morte relacionada à demência entre jogadores de futebol.
No entanto, quando os pesquisadores compararam os jogadores de futebol entre si, as descobertas foram mistas. Para os jogadores na Escócia, aqueles que jogaram mais tempo tinham um risco maior de morrer de demência. Em contrapartida, outros estudos não encontraram uma ligação clara entre a posição que um jogador ocupava em campo ou quanto tempo jogou e problemas cognitivos. Enquanto alguns estudos mostraram que cabecear a bola com mais frequência estava ligado a problemas de memória, outros não encontraram diferenças nas habilidades cognitivas entre jogadores ativos e o público em geral.
O Estudo HEADING
Para aprofundar essas questões, foi lançado o estudo HEADING. O objetivo desse estudo era descobrir como cabecear a bola e outros tipos de impactos na cabeça se relacionam com as habilidades cognitivas mais tarde na vida de ex-jogadores profissionais de futebol. Os pesquisadores coletaram dados usando questionários e criaram modelos para avaliar quanto os jogadores foram expostos a cabeceios e outros impactos ao longo de suas carreiras.
Esse estudo foi parecido com outro chamado estudo BRAIN, que analisou a ligação entre concussões auto-relatadas e função cognitiva em ex-jogadores de rugby. Envolveu jogadores de futebol masculinos com mais de 50 anos, com muitos sendo recrutados através de uma associação de jogadores. Os participantes forneceram informações sobre suas carreiras no futebol, histórico de saúde e detalhes sobre os incidentes de Concussão.
Avaliando Impactos na Cabeça e Concussões
Para o propósito do estudo, concussão foi definida como qualquer alteração na função cerebral devido a uma força externa, independente de a pessoa ter perdido ou não a consciência. Os pesquisadores pediram aos jogadores para relatar com que frequência eles cabeceavam a bola e vivenciavam outros tipos de impactos na cabeça durante suas épocas de jogo. Eles também analisaram quantas concussões cada jogador sofreu ao longo de suas carreiras.
Para avaliar a saúde cognitiva, os pesquisadores usaram testes que medem memória e habilidades de raciocínio. As avaliações incluíram várias partes focadas em lembrar palavras, recontar histórias e completar tarefas que medem raciocínio rápido e resolução de problemas.
Descobertas sobre Cabeceio e Função Cognitiva
O estudo encontrou uma ampla gama de exposição ao cabeceio entre os participantes, de algumas centenas a mais de cem mil cabeceios ao longo de suas carreiras. Embora parecesse haver uma ligação entre cabeceio e a duração da carreira de um jogador, os pesquisadores não encontraram uma relação clara entre cabeceio e saúde cerebral.
Embora modelos não ajustados sugerissem que a função cognitiva poderia diminuir à medida que a exposição ao cabeceio aumentava, isso não foi significativo após ajustar para outros fatores. Na verdade, quando analisaram posições específicas dos jogadores, basicamente não havia associação relevante.
Quando se tratou de outros tipos de impactos na cabeça que eram mais severos que cabecear a bola, o estudo encontrou algumas ligações com a deterioração cognitiva, mas apenas entre jogadores em certas posições. Notavelmente, jogadores que relataram concussões mostraram uma função cognitiva mais fraca no geral. Para cada concussão adicional, a função cognitiva mostrou uma leve diminuição, indicando que concussões repetidas podem ter um impacto duradouro na saúde cerebral.
Limitações do Estudo
Várias limitações estavam presentes nesse estudo. Um desafio foi que ele usou um design transversal, significando que coletou dados em um único momento em vez de ao longo de um longo período. Isso torna mais difícil tirar conclusões sobre causa e efeito. Também pode ter havido algum viés de lembrança, já que jogadores poderiam ter dificuldade em lembrar com precisão sua história de jogo ou experiências de concussão.
Além disso, o viés de seleção foi uma preocupação porque apenas uma pequena porcentagem dos jogadores convidados concordou em participar. Aqueles que experimentaram mais concussões podem ter sido mais propensos a entrar no estudo. Embora isso possa afetar os resultados, a análise geral utilizou principalmente comparações internas, ajudando a minimizar viéses potenciais.
Outra limitação foi a falta de informações sobre níveis de inteligência pré-existentes, que também poderiam influenciar o desempenho cognitivo. O estudo não coletou dados sobre fatores como depressão, que também podem impactar a saúde cerebral.
Conclusão
O estudo HEADING oferece insights valiosos sobre os efeitos de cabecear a bola e impactos na cabeça na função cognitiva em ex-jogadores profissionais de futebol masculinos. É importante destacar que ele sugere que cabecear a bola não afeta significativamente a saúde cognitiva mais tarde na vida. No entanto, há uma ligação clara entre a experiência de concussões e problemas cognitivos, o que se alinha com descobertas de outros esportes. Essas informações podem guiar futuras políticas e regulamentos voltados a reduzir o risco de problemas de saúde relacionados ao cérebro entre jogadores de futebol.
À medida que a compreensão da saúde cerebral em atletas evolui, é crucial continuar explorando como diferentes experiências em campo impactam a função cognitiva. Pesquisas adicionais podem ajudar a esclarecer essas relações e levar a melhores estratégias de prevenção para proteger atletas em esportes de contato.
Título: Cognitive function among former professional male soccer players, the HEADING study
Resumo: BackgroundThe HEalth and Ageing Data IN the Game of football (HEADING) study assessed the associations between exposure to heading a football, other impacts to the head, and concussions, with cognitive function, among former professional soccer players in England. MethodsRecruitment of former male professional soccer players aged 50+ years was conducted through the English Professional Footballers Association. Cumulative exposure to heading and other impacts to the head was estimated from the playing history questionnaire. Concussion was self-reported and assessed with the BRAIN-Q tool. The primary outcome was cognitive function measured with the Preclinical Alzheimer Cognitive Composite (PACC). FindingsData for a total of 199 males were available for analysis. No overall association was found between heading and/or other impacts to the head and cognitive function. Amongst forwards only, those in the fourth (highest) quartile of exposure to other impacts to the head had a significantly lower PACC score compared to those in the first quartile (* = -0.65, 95% C.I. -1.23, -0.07). For all players, self-reported concussions were associated with slightly lower cognitive function (* = -0.01; 95% C.I. -0.01, -0.001). InterpretationThis study generally does not support an association between exposure to heading a football and poorer cognitive function among former male professional players. However, an association between the number of concussions sustained and poorer cognitive function was present, although the effect size is relatively small. FundingThis study was funded with a grant of the Drake Foundation to the London School of Hygiene and Tropical Medicine. Research in context Evidence before this studyThere is increasing evidence for an association between sport-related concussion and poorer cognitive function later in life, in former athletes. In soccer, heading the ball is a common event, particularly for outfield players, and involves repetitive sub-concussive impacts. The association between exposure to heading and cognitive function later in life is not consistent in the literature. Added value of this studyThis study is the first to provide appropriately modelled exposure estimates of both heading the ball and other impacts to the head among soccer players. Our findings do not support an association between heading and poorer cognitive function later in life. However they do suggest an association between concussion and poorer cognitive function among soccer players, although the size of the effect is relatively small. Other impacts to the head, such as head-to-head collisions, that did not result in the clinical features of concussions were also shown to be associated with poorer cognitive function, but only among forwards. Implication of the available evidenceThese findings support a continuous focus on the prevention of concussion in all sports, including soccer, whilst the consequences of repeated exposure to head impacts need to be further explored. Methodologically, it would be advisable to harmonise the tools developed to estimate cumulative exposures to heading, to other head impacts, and to sport-related concussion, to increase comparability of results across studies, thus enabling a sound synthesis of the evidence.
Autores: Valentina Gallo, G. Seghezzo, I. Basinas, E. Williamson, Y. van Hoecke, D. Davoren, S. Kemp, S. Mian, S. Langan, H. Zetterberg, D. Pearce, J. Cherrie, D. McElvenny, N. Pearce
Última atualização: 2024-03-26 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.26.24304885
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.26.24304885.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/
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