Altas taxas de mortalidade materna e infantil na Somália
A Somália enfrenta sérios desafios na saúde materna e infantil.
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A Somália enfrenta um problema sério com altas taxas de Mortalidade Materna e infantil. A taxa de mortalidade materna no país é estimada em 692 mortes a cada 100.000 nascimentos vivos. Esse número é três vezes maior que a média global de 223 mortes por 100.000 nascimentos e quase duas vezes a de países de baixa e média renda, que é em torno de 368 mortes por 100.000. Isso coloca a Somália ao lado do Iémen e do Sudão do Sul como um dos países com taxas muito altas de mortalidade materna.
A Mortalidade Infantil também é uma preocupação urgente, com 68 mortes de bebês e 28 natimortos a cada 1.000 nascimentos. Essa taxa é aproximadamente o dobro da média de mortalidade infantil em países de baixa e média renda, que é cerca de 43 mortes a cada 1.000 nascimentos. Essas estatísticas alarmantes mostram a dificuldade da Somália em cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados à saúde materna e infantil.
Desafios na Saúde Materna
As altas taxas de mortalidade materna e infantil na Somália destacam questões mais amplas relacionadas ao acesso a cuidados maternos, infraestrutura e pobreza. Dados recentes mostram que apenas 23% das mães na Somália recebem pelo menos quatro consultas de pré-natal, uma queda significativa em relação aos 85% que recebem pelo menos uma visita. Além disso, cerca da metade dos partos acontece em hospitais, e apenas 10% das mães recebem Cuidados Pós-natais. Isso mostra que a maioria das mães na Somália não tem acesso aos serviços necessários de saúde materna, e aquelas que têm muitas vezes não recebem cuidados consistentes.
Além dos problemas de acesso, fatores como baixas taxas de amamentação exclusiva e a presença de doenças e desnutrição complicam ainda mais a saúde infantil na Somália. Para enfrentar esses desafios, é crucial garantir atendimento contínuo nos serviços de saúde materna.
Gravidezes Não Planejadas
Um grande problema na Somália é a alta taxa de gravidezes não planejadas. Estimativas recentes sugerem que cerca de 40% das gravidezes que resultam em nascimentos vivos na Somália não eram planejadas na concepção. O acesso limitado a planejamento familiar e serviços seguros de aborto são fatores centrais que contribuem para esse problema.
Essas gravidezes não planejadas criam barreiras para receber consistentemente os serviços de saúde materna. Quando as mães perdem consultas de planejamento familiar, elas perdem oportunidades de receber orientações sobre como acessar os cuidados maternos. Além disso, as emoções negativas associadas a gravidezes não planejadas podem desencorajar as mães a buscarem o cuidado que precisam. Muitas vezes, essas gravidezes são reconhecidas tardiamente, o que pode atrasar o início do pré-natal e comprometer a continuidade do atendimento.
Apesar da conexão clara entre gravidezes não planejadas e o acesso aos cuidados maternos, houve pouca pesquisa sobre esse tema na Somália. Assim, este estudo pretende investigar como as gravidezes não planejadas afetam a continuidade do cuidado nos serviços de saúde materna no país.
Dados e Metodologia
Os dados para este estudo vêm da Pesquisa de Saúde e Demografia da Somália (SHDS) conduzida em 2020. Esta foi a primeira pesquisa nacionalmente representativa realizada pelo governo somali, seguindo processos de amostragem estabelecidos de pesquisas semelhantes em outros países. A pesquisa incluiu um desenho de amostragem em múltiplos estágios para garantir uma representação justa de diversas regiões, incluindo áreas urbanas, rurais e nômades.
No total, 1.433 áreas de enumeração foram selecionadas, e mais de 16.700 mães foram entrevistadas. Para esta análise, um subconjunto de 7.079 mães foi escolhido com base em critérios específicos, incluindo ter dado à luz nos três anos anteriores à pesquisa.
Analisando a Continuidade do Cuidado
A continuidade do cuidado (CoC) foi definida com base no uso de pré-natal, assistência qualificada ao parto e cuidados pós-natais. Os níveis de CoC foram classificados como alto, médio e baixo com base no número de visitas de pré-natal e na presença de pessoal qualificado durante o parto e consultas pós-natais.
Os resultados mostraram que apenas 8,46% das mães tiveram pelo menos quatro consultas de pré-natal, apenas 35,12% tiveram assistência ao parto qualificada, e apenas 7,91% receberam cuidados pós-natais dentro de 48 horas após o parto. No geral, a maioria das mães se enquadrou na categoria de CoC mais baixa, destacando uma lacuna significativa na oferta de serviços de saúde materna.
Quebrando os Dados por Intenção de Gravidez
O estudo também examinou como as intenções das mães em relação às suas gravidezes influenciaram seu acesso aos cuidados maternos. Entre as mães, 62,5% relataram que suas gravidezes eram intencionais, enquanto 27,6% disseram que suas gravidezes estavam mal calculadas e 9,9% indicaram que não queriam estar grávidas.
A pesquisa revelou que mães com gravidezes planejadas tinham melhor acesso aos serviços de saúde materna. Por exemplo, cerca de 38,2% das mães que pretendiam suas gravidezes acessaram pelo menos uma visita de pré-natal, em comparação com números significativamente mais baixos para aquelas com gravidezes mal planejadas ou indesejadas. Os achados demonstraram uma queda acentuada no acesso ao cuidado para mães com gravidezes não intencionais.
Efeitos da Intenção de Gravidez na Continuidade do Cuidado
O estudo analisou o impacto da intenção de gravidez no nível de CoC usando modelos estatísticos. Inicialmente, os pesquisadores descobriram que mães com Gravidezes indesejadas tinham uma probabilidade consideravelmente menor de alcançar níveis moderados ou altos de CoC em comparação com mães com gravidezes intencionais. Mesmo após ajustar diversos fatores como idade, educação e status social, as tendências persistiram.
Mães entre 20 e 34 anos e aquelas com mais educação tinham melhores chances de alcançar níveis mais altos de CoC. Aqueles que participaram da tomada de decisões sobre seus cuidados de saúde e tiveram maior exposição à mídia de massa também mostraram maiores chances de acessar melhores cuidados. Em contraste, mães que vivem em regiões nômades ou aquelas com níveis mais baixos de educação eram menos propensas a receber cuidados maternos adequados.
Abordando as Questões Subjacentes
O estudo destacou o grande ônus das gravidezes não planejadas na Somália e como elas impactam o acesso aos cuidados maternos. Aproximadamente 38% dos nascimentos vivos no país foram não planejados, uma taxa muito mais alta do que em muitas outras regiões.
A falta de acesso a serviços de planejamento familiar, a educação sexual deficiente e barreiras culturais contribuem para uma alta taxa de gravidezes não planejadas. É essencial enfrentar esses desafios melhorando o acesso a métodos contraceptivos, aprimorando a educação sexual e envolvendo as comunidades em programas de saúde reprodutiva.
Fortalecer os serviços de planejamento familiar e promover a conscientização sobre a importância da saúde materna são passos cruciais para reduzir as gravidezes não planejadas e melhorar os resultados de saúde materna e infantil na Somália.
Conclusão
No geral, este estudo revela os baixos níveis de continuidade do cuidado na Somália, especialmente em relação às gravidezes não planejadas. Há uma necessidade urgente de abordar esses desafios por meio de políticas direcionadas e iniciativas comunitárias. Melhorar a infraestrutura de saúde, promover o planejamento familiar e aumentar a conscientização sobre a saúde materna serão passos vitais para reduzir as gravidezes não planejadas e melhorar os resultados de saúde para mães e crianças na Somália.
Título: Effect of pregnancy intention at conception on the continuity of care in maternal healthcare services use in Somalia: Evidence from first national health and demographic survey
Resumo: BackgroundUnintended pregnancies pose a significant challenge to maternal healthcare service utilization and continuity of care (CoC) in low-resource settings. This study investigates the impact of pregnancy intention at conception on CoC in maternal healthcare service use in Somalia. MethodsData comprising 7,079 mothers were extracted from the First National Health and Demographic Survey of Somalia conducted in 2020, with the condition that they had given birth within the three years preceding the survey. Level of Continuity of Care (CoC), categorized as lowest, middle, or highest, in receiving maternal healthcare services, was considered as the explanatory variable and assessed based on the receipt of antenatal healthcare (ANC,
Autores: Md Nuruzzaman Khan, M. B. Alam, S. J. Khanam, M. A. Kabir, I. Y. Khalif
Última atualização: 2024-04-03 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.04.03.24305262
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.04.03.24305262.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/
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