O Impacto da COVID-19 nas Taxas de Nascimento Global
A pandemia de COVID-19 mudou drasticamente as taxas de natalidade no mundo todo, mostrando fatores sociais e econômicos complexos.
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Índice
A pandemia de COVID-19, que rolou de 2020 a 2022, teve um impacto grande nas taxas de natalidade pelo mundo todo. No começo, muitos países viram uma queda temporária nos nascimentos entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. Depois disso, teve uma recuperação rápida em março de 2021, mas as tendências mudaram de um país pra outro. Alguns países, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, até tiveram um leve aumento nas taxas de natalidade no segundo ano da pandemia, que foi 2021.
Mas, começando em 2022, muitos países ricos enfrentaram uma queda inesperada nas taxas de natalidade. Essa queda continuou em 2023 e ficou até mais evidente. Aí surge a questão: o que causou essa queda repentina nos nascimentos?
Voltando no Tempo pra Identificar Fatores
Pra entender a queda nos nascimentos que começou em janeiro de 2022, dá pra olhar pra primavera de 2021. Naquela época, muita gente começou a voltar a uma vida mais normal. Os lockdowns e o distanciamento social estavam diminuindo, permitindo que as pessoas se socializassem mais livremente. Além disso, as condições econômicas estavam melhorando, com a recuperação dos empregos perdidos na pandemia. O acesso generalizado às vacinas contra a COVID-19 em meados de 2021 ajudou a trazer esse sentimento de normalidade.
Apesar desses sinais positivos, a inflação começou a subir por causa de vários fatores, como o aumento dos preços do petróleo e as interrupções nas cadeias de suprimentos globais. Mais tarde, a situação piorou com a alta nos preços de energia e a incerteza causada por eventos geopolíticos, como a invasão da Ucrânia pela Rússia. Essa combinação de eventos levou a quedas nas taxas de natalidade em muitos países, com alguns registrando as Taxas de Fertilidade mais baixas em tempos recentes.
Incerteza Econômica e Seus Efeitos
Fatores econômicos têm um papel importante nas decisões das pessoas sobre ter filhos. Durante a pandemia, as preocupações com desemprego e inflação aumentaram. Muitas mulheres escolheram adiar ou até desistir de ter filhos, já que enfrentavam incerteza econômica. Enquanto os governos tentavam minimizar as consequências econômicas com programas de retenção de empregos e apoio à renda, a inflação subiu em 2021, o que afetou negativamente o desejo por bebês.
Conforme a pandemia avançava, as pessoas se adaptaram e desenvolveram estratégias de enfrentamento, que podem ter mudado como as políticas afetavam as taxas de fertilidade. Enquanto alguns casais usaram o tempo em casa durante os lockdowns pra repensar seus planos familiares, outros enfrentaram estresse e problemas de relacionamento, complicando ainda mais suas decisões.
O Impacto dos Lockdowns e Restrições Sociais
Os lockdowns e outras restrições fizeram com que as pessoas ficassem mais tempo em casa, o que pra alguns melhorou relacionamentos e ajudou a planejar filhos. Mas, à medida que as restrições foram sendo levantadas, muitas pessoas voltaram às suas atividades normais fora de casa. Em países onde as políticas rígidas tinham aumentado as taxas de natalidade anteriormente, o relaxamento dessas regras provavelmente levou a quedas.
Quando se trata da campanha de Vacinação, os planos iniciais criaram hesitação entre os casais sobre gravidez. Surgiram preocupações sobre a segurança das vacinas durante a gravidez, fazendo com que muitos adiassem seus planos familiares até se sentirem seguros sobre o processo de vacinação. Mesmo com pesquisas mostrando que as vacinas contra a COVID-19 não prejudicavam a fertilidade nem causavam problemas na gravidez, o receio ainda influenciou as escolhas das pessoas.
O Papel da Vacinação na Queda das Taxas de Natalidade
As campanhas de vacinação foram implementadas em fases, geralmente começando com populações mais velhas. Eventualmente, pessoas mais jovens em idade reprodutiva se tornaram elegíveis. Estudos mostraram que muitos casais escolheram adiar a chegada de filhos enquanto se vacinavam, acreditando que isso reduziria potenciais riscos à saúde. Essa escolha de esperar era mais sobre percepção do que evidências, já que as descobertas científicas indicavam que as vacinas eram seguras para grávidas.
À medida que muitas pessoas concluíram seus esquemas de vacinação, houve uma leve recuperação nas taxas de fertilidade. No entanto, a queda que começou na fase inicial de vacinação contribuiu para uma Taxa de Natalidade mais baixa no começo de 2022.
Tendências de Fertilidade Durante o Final de 2022 e Além
Conforme os países saíam da pandemia, novos desafios apareceram. No final de 2022, as taxas de natalidade continuaram a cair em muitos lugares, impulsionadas pelo aumento da inflação e da incerteza econômica. As interrupções da pandemia nos encontros, parcerias e dinâmicas sociais podem ter efeitos duradouros nas tendências de natalidade.
Notavelmente, as mudanças nas taxas de natalidade não foram uniformes pelo mundo. Enquanto muitos países europeus viram quedas marcantes, outras regiões, como partes da América do Norte e da Ásia, não enfrentaram a mesma queda nas taxas de fertilidade.
Conclusão
A pandemia de COVID-19 trouxe flutuações significativas nas taxas de natalidade em diversos países. Inicialmente, teve uma queda passageira nos nascimentos, seguida por uma recuperação temporária em alguns lugares. No entanto, conforme a pandemia avançou, a incerteza econômica e as mudanças no comportamento social influenciaram as decisões das pessoas sobre planejamento familiar. O retorno gradual à vida normal, combinado com a vacinação, teve efeitos imediatos e retardados nas taxas de natalidade.
Enquanto os casais podem ter visto os lockdowns como uma oportunidade para começar famílias, o levantamento das restrições e os desafios impostos pela inflação levaram a uma queda significativa nos nascimentos. Entender essas dinâmicas revela como fatores externos podem moldar escolhas pessoais, especialmente em decisões tão cruciais quanto começar uma família. À medida que o mundo continua lidando com as consequências da pandemia, as implicações de longo prazo para as taxas de natalidade continuarão a ser uma área de interesse importante.
Título: Fertility decline in the later phase of the COVID-19 pandemic: The role of policy interventions, vaccination programmes, and economic uncertainty
Resumo: BACKGROUNDDuring the COVID-19 pandemic, birth rates in most higher-income countries first briefly declined and then shortly recovered, showing no common trends afterwards until early 2022, when they unexpectedly dropped. STUDY FOCUSWe analyse monthly changes in total fertility rates in higher-income countries during the COVID-19 pandemic, with a special focus on 2022, when birth rates declined in most countries. We consider three broader sets of explanatory factors: economic uncertainty, policy interventions restricting mobility and social activities outside the home, and the role of vaccination programmes. STUDY DESIGN, DATAThis study uses population-wide data on monthly total fertility rates adjusted for seasonality and calendar effects provided in the Human Fertility Database (HFD, 2023). Births taking place between November 2020 and October 2022 correspond to conceptions occurring between February 2020 and January 2022, i.e., after the onset of the pandemic but prior to the Russian invasion of Ukraine. The data cover 26 countries, including 21 countries in Europe, the United States, Canada, Israel, Japan and the Republic of Korea. METHODSFirst, we provide a descriptive analysis of the monthly changes in the total fertility rate (TFR). Second, we estimate the effects of the explanatory factors on the observed fertility swings using linear fixed effects (within) regression models. MAIN RESULTSWe find that birth trends during the COVID-19 pandemic were associated with economic uncertainty, as measured by increased inflation, the stringency of pandemic policy interventions, and the progression of the COVID-19 vaccination campaign, whereas unemployment did not show any link to fertility during the pandemic. LIMITATIONS, REASONS FOR CAUTIONOur research is restricted to higher-income countries with relatively strong social support policies provided by the government as well as wide access to modern contraception. Our data do not allow analysing fertility trends by key characteristics, such as age, birth order and social status. WIDER IMPLICATIONS OF THE FINDINGSThis is the first multi-country study of the drivers of birth trends in a later phase of the COVID-19 pandemic. In the past, periods following epidemics and health crises were typically associated with a recovery in fertility. In contrast, our results show that the gradual phasing out of pandemic containment measures, allowing increased mobility and a return to more normal work and social life, contributed to declining birth rates in most countries. In addition, our analysis indicates that some women avoided pregnancy during the initial vaccination roll-out.
Autores: Maria Winkler-Dworak, K. Zeman, T. Sobotka
Última atualização: 2024-04-28 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.04.26.24306444
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.04.26.24306444.full.pdf
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