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# Ciências da saúde# Oncologia

A Ligação Entre o Colesterol Remanescente e o Risco de Câncer

Pesquisas mostram que os níveis de colesterol remanescente podem impactar o risco de câncer ao longo do tempo.

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O Câncer tá virando um grande problema de saúde global, com uma expectativa de aumento nos novos casos. Até 2040, estimam que vão ter cerca de 28,4 milhões de novos casos de câncer no mundo todo, um aumento significativo em comparação com 19,3 milhões de casos em 2020. O câncer também é uma das principais causas de morte, com cerca de 16 milhões de mortes previstas para 2040. Pra lidar com esse problema crescente, é super importante encontrar formas eficazes de prevenir o câncer, identificando fatores que podem ser mudados e entendendo quanto eles contribuem pro total de casos de câncer.

Fatores de Risco para o Câncer

Um dos fatores ligados ao risco de câncer é a dislipidemia, que se refere a níveis anormais de gorduras no sangue. Embora muitos estudos tenham focado em certos tipos de gorduras, como lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e triglicerídeos, foi dado menos foco ao colesterol remanescente (RC). Esse tipo de colesterol vem das lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL), que transportam gordura no sangue e também incluem restos de quilomicrons.

O colesterol remanescente foi associado a outros problemas de saúde sérios, como doenças cardíacas, diabetes e doença hepática gordurosa. Apesar da sua importância, nenhuma pesquisa examinou especificamente como o RC pode afetar o risco de câncer. Este estudo tinha como objetivo ver se havia uma conexão entre os níveis de RC e a chance de desenvolver câncer em uma população geral, além dos efeitos a longo prazo do RC.

Desenho do Estudo

Esse estudo foi revisado e aprovado por um comitê de ética local e seguiu diretrizes para pesquisas que envolvem participantes humanos. Ele usou dados de saúde existentes de um banco de dados que cobre uma grande parte da população de Hong Kong. Esse banco de dados inclui registros médicos detalhados, como dados demográficos dos pacientes, resultados de exames laboratoriais e visitas ao hospital.

O estudo focou em adultos com 18 anos ou mais que não tinham histórico anterior de câncer e que frequentaram clínicas de medicina de família em Hong Kong entre janeiro de 2000 e dezembro de 2003. Pra ser incluído, os pacientes precisavam ter dados iniciais de RC, além de pelo menos três medidas de acompanhamento de RC durante suas visitas.

Acompanhamento e Resultados

Os pacientes foram monitorados até o final de 2019. O principal objetivo era descobrir quantos pacientes desenvolveram câncer durante esse tempo, enquanto o objetivo secundário era acompanhar mortes relacionadas ao câncer.

Os dados coletados incluíram informações básicas como idade e gênero, condições de saúde existentes, medicamentos e resultados laboratoriais. O estudo analisou especificamente a pressão arterial, os níveis de glicose e os perfis de gordura nos pacientes.

Resultados

Um total de 155.066 pacientes foi identificado, e depois de aplicar os critérios de exclusão, 75.342 pacientes foram incluídos na análise final. A idade média dos participantes foi de 62,5 anos, com quase 40% sendo homens.

Durante um período de acompanhamento com média de 16,8 anos, cerca de 11,1% dos pacientes desenvolveram novos casos de câncer, e 5,7% morreram por conta do câncer. Os tipos mais comuns de câncer identificados foram os cânceres gastrointestinal, geniturinário e colorretal.

O estudo encontrou que níveis mais altos de RC estavam associados a mais casos de câncer. No entanto, não foi encontrada uma ligação significativa entre uma única medida de RC e o risco de novos casos de câncer ou mortes por câncer.

Por outro lado, ao olhar como os níveis de RC mudaram ao longo do tempo (RC ponderado por tempo), uma associação significativa foi encontrada. Níveis mais altos de RC ponderado por tempo estavam ligados a um aumento de 41% no risco de novos casos de câncer e um aumento de 62% no risco de morte por câncer. Essa relação foi particularmente forte para tipos específicos de câncer, incluindo câncer de pulmão, gastrointestinal e ovariano.

Análises de Subgrupo

Ao analisar diferentes grupos, foram encontradas conexões significativas entre RC ponderado por tempo e risco de câncer tanto em homens quanto em mulheres, além de em indivíduos mais jovens e mais velhos. Níveis mais altos de RC ponderado por tempo também mostraram uma associação consistente com o risco de câncer em pacientes, independentemente de outras condições de saúde existentes.

Curiosamente, uma relação mais forte foi notada entre pacientes com histórico de hipertensão. O estudo também descobriu que para pacientes que não estavam tomando certos medicamentos, como estatinas, houve um aumento notável no risco de câncer associado a níveis mais altos de RC.

Discussão

Essa pesquisa destaca várias descobertas importantes. Primeiro, enquanto medições únicas de RC não mostraram uma forte ligação ao risco de câncer, acompanhar as mudanças no RC ao longo do tempo parecia ser significativo. Isso sugere que monitorar o RC por períodos mais longos poderia ser mais útil na avaliação do risco de câncer.

Estudos anteriores já tinham indicado uma relação entre colesterol e câncer, sugerindo que os níveis de colesterol poderiam desempenhar um papel no desenvolvimento do câncer. As descobertas dessa pesquisa acrescentam a esse conhecimento ao mostrar que o RC ponderado por tempo poderia ser um indicador valioso para a avaliação do risco de câncer.

Apesar das forças do estudo, como o grande tamanho da amostra e o longo período de acompanhamento, algumas limitações existem. Como foi baseado em dados existentes, fatores não contabilizados ainda podem influenciar os resultados. Além disso, como o estudo foi conduzido apenas em Hong Kong, os achados podem não se aplicar a outras populações.

Conclusão

O estudo reforça a necessidade de mais pesquisas sobre como o RC e suas variações ao longo do tempo podem influenciar o risco de câncer. Essa associação pode abrir portas para novas formas de avaliar o risco de câncer e estratégias preventivas que foquem na gestão dos níveis de colesterol.

Fonte original

Título: Association between Time-Weighted Remnant Cholesterol and Incident Cancer: A Population-Based Chinese Cohort Study

Resumo: BackgroundRemnant cholesterol (RC) is becoming an increasingly well-recognized risk factor for cardiometabolic diseases. However, no study has explored the predictive role of RC in new-onset cancer. This study aimed to examine the associations between RC and time-weighted RC with incident cancer in the general population. MethodsThis was a retrospective population-based study enrolling patients attending family medicine clinics in Hong Kong between 1st January 2000 and 31st December 2003 with at least three RC measurements during follow-up visits. The primary outcome was new-onset cancer. The secondary outcome was cancer-related mortality. Multivariable Cox regression was used to evaluate associations between baseline RC and time-weighted RC with outcomes. ResultsA total of 75,342 adults (39.7% males, mean age: 62.5 years old) were included. During a median follow-up of 16.8 years, 8335 (11.1%) incident cancer and 4349 (5.7%) cancer-related deaths were observed. After adjusting for potential confounders, one mmol/L increased of time-weighted RC was associated with 41% and 62% higher risk of incident cancer (HR, 1.41; 95%CI, 1.26-1.57; p

Autores: Jiandong Zhou, L. Li, N. Zhang, Y. Yang, H. H. H. Pui, B. K. H. Leung, O. H. I. Chou, C. Chang, A. K. C. Wai, G. Lip, G. Tse, T. Liu

Última atualização: 2024-03-08 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.07.24303903

Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.07.24303903.full.pdf

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

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