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# Ciências da saúde# Oncologia

Uma Nova Maneira de Interpretar Ensaios Clínicos de Câncer

Pesquisadores desenvolvem ferramenta pra esclarecer os benefícios dos tratamentos em ensaios clínicos de fase III do câncer.

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Quando os pesquisadores testam novos tratamentos para câncer, eles costumam fazer o que chamam de ensaios clínicos randomizados e controlados de fase III (RCTs). Esses ensaios são super importantes porque ajudam a decidir se um novo tratamento é melhor que as opções que já existem. Mas, interpretar os resultados desses ensaios pode ser complicado.

O Básico dos Ensaios de Fase III

Em um ensaio de fase III, os participantes são aleatoriamente designados para receber o novo tratamento (grupo experimental) ou o tratamento padrão (grupo controle). Os pesquisadores então comparam quão bem os tratamentos funcionam, geralmente medindo as taxas de sobrevivência ou quanto tempo os pacientes vivem sem que o câncer piore.

Para fazer essas comparações, os pesquisadores usam uma medida chamada razão de risco (HR). Um HR menor que 1 sugere que o tratamento experimental é melhor que o controle. Porém, a interpretação do HR e estatísticas relacionadas pode acabar confundindo, especialmente quando os pesquisadores se baseiam muito nos valores de P.

Valores de P e Intervals de Confiança

Um valor de P ajuda os pesquisadores a determinar se os resultados de um ensaio são estatisticamente significativos. Um limite comum para valores de P é 0,05, o que significa que, se o valor de P estiver abaixo disso, os pesquisadores podem concluir que o tratamento experimental é melhor. Mas, muita gente entende errado os valores de P. Eles acham que um valor de P baixo indica uma alta probabilidade de que o novo tratamento funcione, o que não é verdade.

Além disso, os pesquisadores também usam Intervalos de Confiança (CIs) para expressar a incerteza em torno dos HRs. Um CI de 95% dá uma faixa de valores que se espera conter o verdadeiro efeito 95% das vezes. Infelizmente, muita gente interpreta isso como se houvesse 95% de chance de que o verdadeiro efeito esteja dentro dessa faixa, o que não é o caso.

A Necessidade de Ferramentas de Interpretação Melhores

Diante dessas confusões, há uma necessidade de formas mais simples e intuitivas de interpretar os resultados dos ensaios. Os pesquisadores propuseram usar abordagens bayesianas, que permitem calcular a probabilidade de que um tratamento seja eficaz. Esses métodos poderiam ser mais fáceis de entender tanto para médicos quanto para pacientes em comparação com as medidas estatísticas tradicionais.

No entanto, usar métodos bayesianos exige ter conhecimento prévio sobre a Eficácia do Tratamento, o que pode introduzir subjetividade no processo. Por isso, é importante encontrar um método claro e baseado em dados para estimar a probabilidade de benefício a partir de ensaios de fase III.

Criando uma Solução Amigável

Para lidar com essa necessidade, os pesquisadores desenvolveram um sistema que ajuda oncologistas a estimar a probabilidade de que novos tratamentos de ensaios de fase III sejam eficazes. Esse sistema se baseia em estatísticas padrão coletadas de uma ampla gama de ensaios de fase III em oncologia.

Analisando dados de 415 ensaios de fase III recentes, os pesquisadores criaram um prévio padrão que os oncologistas podem usar para avaliar a eficácia do tratamento. Esse prévio é derivado de dados de ensaios passados, garantindo que seja baseado em evidências e relevante para as questões enfrentadas na oncologia moderna.

Coleta e Análise de Dados

Os pesquisadores usaram dados do ClinicalTrials.gov, que é um registro público de ensaios clínicos. Eles se concentraram em ensaios que testaram novos tratamentos para câncer e incluíram tipos específicos de desfechos, principalmente aqueles que mediam o tempo até que um evento (como morte ou progressão da doença) ocorresse.

Os pesquisadores registraram estatísticas importantes como HRs e CIs desses ensaios. O objetivo era comparar o tratamento experimental com o grupo controle e interpretar os resultados para determinar se o tratamento experimental realmente oferecia benefícios.

Comparando Ensaios Passados e Presentes

Uma descoberta importante foi que os HRs dos ensaios de oncologia de fase III geralmente tinham z-scores maiores em comparação com ensaios de outras áreas da medicina. Isso sugere que ensaios sobre câncer normalmente têm sinais mais fortes indicando efeitos do tratamento. No entanto, muitos desses ensaios tendem a ser subdimensionados, o que significa que podem não ter participantes suficientes para detectar um efeito de tratamento de forma confiável.

O estudo descobriu que muitos ensaios relataram baixa potência, com um número significativo tendo menos de 80% de potência. Baixa potência pode levar a resultados falso-negativos, ou seja, um ensaio pode sugerir que um tratamento não é eficaz quando, na verdade, pode ser.

Usando o Novo Sistema

O novo prévio criado permite que os oncologistas insiram as estatísticas resumidas dos resultados dos ensaios e calculem as probabilidades de que um novo tratamento seja benéfico. Ao fazer isso, os oncologistas podem avaliar melhor se um tratamento é provavelmente uma melhoria significativa em relação às opções existentes.

O sistema também ajuda a esclarecer os resultados de ensaios que podem ter mostrado resultados "negativos" com base nos valores de P, mas tinham uma alta probabilidade de serem eficazes. Isso pode ajudar a evitar interpretações erradas e fornecer uma compreensão mais clara dos potenciais benefícios de um tratamento.

Estudos de Caso

Para ilustrar o uso prático desse sistema, considere dois ensaios de fase III recentes. Em um ensaio, os pesquisadores compararam uma combinação de gemcitabina e paclitaxel contra a gemcitabina sozinha para pacientes com câncer pancreático avançado. Embora o ensaio mostrasse resultados melhores em certas áreas, foi considerado "estatisticamente negativo" com base em seu valor de P. No entanto, o novo sistema sugeriu uma alta probabilidade de que o tratamento combinado oferecesse benefícios reais.

Em contraste, outro ensaio envolvendo câncer de pulmão não mostrou diferença significativa entre os grupos de tratamento, e o novo sistema também confirmou uma alta probabilidade de que não houvesse diferença clinicamente significativa nos resultados.

Conclusão

A ferramenta recém-desenvolvida para interpretar ensaios de oncologia de fase III representa um avanço significativo em como pesquisadores e oncologistas podem avaliar a eficácia do tratamento. Ao fornecer probabilidades claras de benefício, esse sistema promove uma abordagem mais informada e baseada em dados para o cuidado do paciente.

Embora nenhuma ferramenta estatística possa substituir o julgamento clínico dos profissionais de saúde, essa ferramenta permite um melhor contexto para os resultados dos ensaios e ajuda a orientar as decisões de tratamento. No geral, melhorar a forma como interpretamos e entendemos os resultados dos ensaios sobre câncer é crucial para avançar o cuidado ao paciente e garantir que novos tratamentos sejam eficazes e benéficos.

Fonte original

Título: An Evidenced-Based Prior for Estimating the Treatment Effect of Phase III Randomized Trials in Oncology

Resumo: PurposeThe primary results of phase III oncology trials may be challenging to interpret, given that such results are generally based on meeting P-value thresholds. The probability of whether a treatment is beneficial, although a more intuitive summary of the results, is not provided by most trials. In this study, we developed and released a user-friendly tool that calculates the probability that a treatment studied in a phase III oncology trial is beneficial using published summary statistics. MethodsWe curated the primary time-to-event outcomes of 415 phase III, superiority design, therapeutic randomized controlled trials of oncologic treatments enrolling 338,600 patients and published between 2004 and 2020. A phase III oncology-specific prior probability distribution for the treatment effect was developed based on an estimated three-component zero-mean mixture distribution of the observed z-scores. Using this prior, we computed the probability of any benefit (hazard ratio < 1) and the probability of clinically meaningful benefit (hazard ratio < 0.8) for each trial. The distribution of signal-to-noise ratios of phase III oncology trials was compared with that of 23,551 randomized trials from the Cochrane Database of Systematic Reviews. ResultsThe signal-to-noise ratios of phase III oncology trials tended to be much larger than randomized trials from the Cochrane database. Still, the median power of phase III oncology trials was only 49% (IQR, 14% to 95%), and the power was less than 80% in 65% of trials. Using the developed phase III, oncology-specific prior, only 53% of trials claiming superiority (114 of 216) had a [&ge;] 90% probability of providing clinically meaningful benefits. Conversely, the probability that the experimental arm was superior to the control arm (HR < 1) exceeded 90% in 17% of trials interpreted as having no benefit (34 of 199). ConclusionBy enabling computation of contextual probabilities for the treatment effect from summary statistics, our robust, highly practical tool, now posted on a user-friendly webpage, can aid the wider oncology community in the interpretation of phase III trials.

Autores: Erik van Zwet, A. D. Sherry, P. Msaouel, G. S. Kupferman, T. A. Lin, J. Abi Jaoude, R. Kouzy, Z. McCaw, E. B. Ludmir

Última atualização: 2024-04-01 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.04.01.24305158

Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.04.01.24305158.full.pdf

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

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