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O Papel do Fluído Menstrual na Pesquisa em Saúde

O fluido menstrual pode ajudar a diagnosticar endometriose através de amostragem não invasiva.

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Fluido Menstrual eFluido Menstrual eEndometriosediagnóstico da endometriose.Métodos não invasivos podem mudar o
Índice

O fluido menstrual é o líquido liberado durante o ciclo menstrual de uma mulher. Esse fluido contém Células importantes que podem ser úteis para a pesquisa médica e tratamento. Durante a menstruação, uma mulher perde cerca de 86 mililitros desse líquido, que inclui sangue, células do útero, colo do útero, vagina e possivelmente outras áreas. Os pesquisadores acreditam que o fluido menstrual pode ser uma boa fonte de células vivas, como células imunes e células-tronco, que são essenciais para estudar saúde e doenças.

Fluido Menstrual e Sua Importância

O fluido menstrual é considerado valioso porque contém muitas células vivas que podem ajudar em pesquisas e, possivelmente, em tratamentos para várias questões de saúde. Foi sugerido que as células do fluido menstrual poderiam ajudar a diagnosticar condições como a Endometriose, uma doença que afeta cerca de 10% das mulheres. A endometriose ocorre quando o tecido que normalmente reveste o interior do útero começa a crescer fora dele, causando dor e possíveis problemas de fertilidade. Diagnosticar a endometriose pode levar muito tempo, geralmente cerca de 8 a 10 anos, devido à necessidade de procedimentos invasivos para confirmá-la.

Desafios no Diagnóstico da Endometriose

O processo de diagnosticar a endometriose pode ser complicado. Os médicos muitas vezes precisam fazer cirurgia para obter um diagnóstico claro, o que não é ideal. Por isso, há uma necessidade de formas melhores e menos invasivas para detectar a endometriose cedo. Pesquisas mostraram que o fluido menstrual pode ser uma maneira útil de coletar informações sobre a saúde de uma mulher sem precisar de cirurgia.

Entendendo a Composição do Fluido Menstrual

Estudos mostraram que a composição celular do fluido menstrual, incluindo quantas células estão vivas e quais tipos de células estão presentes, ainda não foi totalmente explorada. Também não está claro se os marcadores que ajudam a identificar a endometriose em outros tecidos podem ser encontrados no fluido menstrual também.

Coletar fluido menstrual é relativamente fácil, e pode ser feito usando copos menstruais. Os pesquisadores analisaram esse fluido para ver se ele realmente representa os tipos de células encontradas no útero. Eles compararam amostras de mulheres com endometriose e aquelas sem a doença para entender as diferenças na composição celular.

Analisando Amostras de Fluido Menstrual

Para estudar o fluido menstrual, os pesquisadores coletaram amostras de 15 mulheres saudáveis durante seu ciclo menstrual. Essas amostras foram processadas para separar os diferentes tipos de células. Os pesquisadores então usaram técnicas especiais para contar e analisar as células.

A análise revelou que o volume médio de fluido menstrual coletado era de cerca de 5 mL por amostra. A maioria das amostras continha uma quantidade saudável de células vivas. No entanto, três das 25 amostras não tinham células vivas, mas as doadoras conseguiram fornecer mais amostras depois.

Tipos de Células no Fluido Menstrual

Os pesquisadores identificaram vários tipos de células no fluido menstrual, incluindo células imunes, células epiteliais e células estromais, que são todas componentes importantes do endométrio. O estudo mostrou que as células epiteliais representavam cerca de 50% das células encontradas no fluido menstrual. A composição celular era semelhante entre diferentes amostras, indicando que o fluido menstrual representa efetivamente o que é encontrado no útero.

Fluido Menstrual vs. Biópsias Endometriais

Para determinar quão semelhante o fluido menstrual é às células do útero, os pesquisadores compararam os dois. Eles descobriram que as células no fluido menstrual corresponderam de perto àquelas encontradas em biópsias endometriais. Isso significa que o fluido menstrual pode fornecer uma alternativa confiável a procedimentos invasivos ao estudar o endométrio.

Uso Potencial para Diagnóstico de Endometriose

Os pesquisadores também coletaram amostras de fluido menstrual de mulheres diagnosticadas com endometriose. O objetivo era ver se o fluido poderia ajudar a identificar diferenças entre aquelas com a doença e indivíduos saudáveis. No total, eles analisaram 36 amostras de mulheres em diferentes estágios da endometriose e as compararam com amostras de mulheres saudáveis.

Os resultados mostraram que não havia diferenças significativas no volume ou número de células entre os dois grupos. Isso sugere que a coleta de fluido menstrual poderia ser uma maneira viável de analisar a saúde sem precisar de procedimentos invasivos.

Análise Adicional dos Tipos de Células

Uma nova rodada de análise focou no RNA das células do fluido menstrual para entender melhor as mensagens enviadas pelos genes. Os pesquisadores examinaram 93 amostras para identificar diferenças na expressão gênica entre aquelas com endometriose e indivíduos saudáveis.

A análise revelou que amostras frescas de fluido menstrual continham uma variedade de marcadores de células sanguíneas, indicando uma rica presença de células imunes. Em contraste, amostras cultivadas tendiam a ser mais uniformes e continham principalmente células estromais.

Padrões Encontrados em Pacientes com Endometriose

Na análise do fluido menstrual de mulheres com endometriose, muitos genes foram encontrados com expressão diferente em comparação com controles saudáveis. Alguns genes que normalmente estão envolvidos em inflamação e cicatrização mostraram menor expressão em mulheres com endometriose, sugerindo que a doença pode alterar as funções habituais dessas células.

Por outro lado, alguns outros genes associados ao crescimento do tecido e resposta a mudanças hormonais foram encontrados mais ativos no fluido menstrual de pacientes com endometriose. Essas descobertas mostram um ambiente imune e celular alterado em mulheres que sofrem com a doença.

Identificando Biomarcadores Potenciais

Os pesquisadores também buscaram encontrar marcadores específicos no fluido menstrual que poderiam ajudar no diagnóstico da endometriose. Usando vários métodos, eles identificaram vários genes que mostraram níveis de expressão diferentes entre os dois grupos. Alguns genes já reconhecidos no contexto da endometriose estavam downregulados em mulheres com a doença, enquanto alguns outros estavam upregulados.

Entre os marcadores identificados, alguns eram conhecidos por estarem envolvidos nas respostas inflamatórias, enquanto outros estavam ligados ao comportamento dos tecidos do corpo. Isso sugere que a análise do fluido menstrual poderia levar à descoberta de biomarcadores que ajudem a diagnosticar a endometriose de forma mais fácil.

Conclusão

Usar o fluido menstrual como fonte para estudar a saúde endometrial apresenta uma alternativa indolor e não invasiva aos métodos tradicionais. Os achados desta pesquisa indicam que o fluido menstrual contém uma variedade de células vivas e mantém uma relação com a composição celular do endométrio. O potencial de usar o fluido menstrual para identificar marcadores únicos para a endometriose abre novos caminhos para pesquisa e diagnóstico.

Resumindo, o fluido menstrual é uma área promissora para investigação futura. Com pesquisas contínuas, há esperança de que isso leve a Diagnósticos e opções de tratamento mais eficientes para mulheres que sofrem de endometriose e, possivelmente, outras questões de saúde reprodutiva.

O estudo enfatiza a importância de entender o papel do fluido menstrual na saúde das mulheres e seu potencial significativo para avançar o conhecimento médico nessa área. A exploração contínua do fluido menstrual poderia melhorar o cenário diagnóstico para condições como a endometriose, que há muito tempo é negligenciada na pesquisa médica.

Fonte original

Título: Single-cell characterization of menstrual fluid at homeostasis and in endometriosis

Resumo: Progress in detecting and understanding endometrial conditions in women of fertile age, such as endometriosis, has been hampered by the invasiveness of the sample collection procedure. Menstrual fluid (MF) can be sampled non-invasively and could provide a unique opportunity to study the physiological state of tissues in the reproductive system. Despite this potential, the use of MF for diagnostics and research has been limited. Here we establish protocols and assess the feasibility of collecting and processing MF in an outpatient setting. We characterize the cellular contents of MF from 15 healthy women using flow cytometry and single-cell RNA-sequencing, and demonstrate the ability to recover millions of live cells from the different cellular fractions of interest (epithelial, stromal, endothelial, perivascular and blood). Through computational integration of MF with endometrial samples we show that MF sampling is a good surrogate for endometrial biopsy. In a proof-of-principle case-control study, we collect MF from a further 7 women with a diagnosis of endometriosis and 11 healthy controls. Through RNA sequencing of 93 MF samples from these women we highlight important differences between ex vivo and cultured cells, identify impaired decidualisation, low apoptosis, high proliferation, and both higher and lower inflammatory activity in different subsets of immune cells as distinguishing features of endometriosis patients. Finally, we identify potential novel pan-cell-type biomarkers for this neglected condition.

Autores: Angela Goncalves, P. C. Schwalie, C. Bafligil, J. Russeil, M. Zachara, M. Biocanin, D. Alpern, E. Aasna, B. Deplancke, G. Canny

Última atualização: 2024-05-06 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.06.24306766

Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.06.24306766.full.pdf

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

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