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Confiança, Solidão e Saúde Mental: Um Estudo

Analisando as ligações entre confiança, trauma na infância e resultados de saúde mental.

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Insights do Estudo sobreInsights do Estudo sobreConfiança e Solidãosaúde mental e na solidão.Explorando o impacto da confiança na
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Nos últimos dez anos, o interesse em como as habilidades sociais afetam nossa capacidade de formar e manter relacionamentos e redes sociais só tem crescido. Os pesquisadores estão observando de perto como experiências precoces, especialmente as negativas, podem influenciar a Saúde Mental mais tarde na vida.

Uma área de foco é a relação entre apego, como pensamos sobre nós mesmos e os outros (muitas vezes chamado de mentalização), e a confiança. Experiências negativas precoces podem causar problemas com a mentalização, o que afeta como confiamos nos outros. Quando alguém tem dificuldade em confiar nas pessoas, isso pode limitar sua capacidade de aprender com as interações sociais e se adaptar a diferentes situações.

Confiança é definida como a habilidade de ver informações dos outros como relevantes e úteis. Problemas de confiança podem levar a dificuldades em como aprendemos e interagimos socialmente. Experiências negativas podem causar padrões de desconfiança, que prejudicam a capacidade de adaptação e resiliência em várias situações sociais.

Entendendo a Confiança Epistemica

A confiança epistêmica é um conceito que ajuda a entender como decidimos em quem confiar em termos de informação social. Envolve ser capaz de avaliar a confiabilidade de uma fonte, a relevância da informação e a qualidade do que está sendo compartilhado. Por exemplo, algumas pessoas podem achar difícil confiar mesmo nas fontes mais confiáveis devido a experiências passadas de trauma ou traição.

Os pesquisadores identificaram três dimensões principais da confiança epistêmica:

  1. Confiança Epistêmica (CE): Envolve estar aberto a aprender com os outros e se sentir confiante na confiabilidade das informações deles.
  2. Desconfiança Epistêmica (DE): É quando alguém vê os outros como não confiáveis e está fechado à influência deles.
  3. Credulidade Epistêmica (CE): Refere-se à falta de cuidado na avaliação da informação, fazendo com que a pessoa seja facilmente enganada ou explorada.

Essas dimensões de confiança podem impactar significativamente a saúde mental, especialmente após adversidades na infância.

O Papel das Experiências na Infância

Experiências na infância podem ter um impacto duradouro sobre como confiamos nos outros e, por sua vez, na nossa saúde mental. Experiências negativas durante a infância podem criar padrões de desconfiança e afetar quão bem podemos avaliar informações sociais. Esse problema é crítico porque pode levar a problemas de saúde mental mais tarde na vida.

Por exemplo, se alguém cresce em um lar abusivo, pode aprender a desconfiar dos outros, mesmo daqueles que são genuinamente solidários. Essa desconfiança pode impedir que formem relacionamentos saudáveis, levando a sentimentos de Solidão e isolamento, o que pode afetar ainda mais sua saúde mental.

Principais Descobertas da Pesquisa

A pesquisa mostra que traumas na infância estão ligados a resultados negativos na vida adulta. Pessoas que sofreram trauma, especialmente abuso emocional ou negligência, costumam ter dificuldades com confiança em seus relacionamentos. Essa dificuldade pode levar a problemas como ansiedade, depressão e outros desafios de saúde mental.

Entender as ligações entre trauma infantil, confiança e saúde mental pode ajudar a informar intervenções voltadas para melhorar o bem-estar. Esse entendimento pode ser útil não só na terapia, mas também na vida cotidiana ao interagir com os outros.

Além disso, estudos mostram que a solidão pode afetar significativamente a saúde mental. Muitas pessoas experienciam solidão, que pode estar ligada a habilidades sociais ruins ou dificuldades em confiar nos outros. Sentir-se solitário pode criar um ciclo em que a pessoa se sente menos inclinada a buscar conexões sociais, levando a mais solidão e possíveis problemas de saúde mental.

O Estudo

Esse estudo teve como objetivo investigar como o conceito de confiança epistêmica se relaciona com solidão e saúde mental em uma população de fala francesa. Os pesquisadores queriam produzir uma ferramenta válida para medir a confiança epistêmica nesse grupo.

O estudo envolveu 372 participantes que foram convidados a completar uma série de questionários, incluindo medidas de trauma na infância, Estilos de Apego, habilidades de mentalização, solidão e sintomas gerais de saúde mental.

Participantes

Os participantes desse estudo foram uma mistura de homens e mulheres, com 18 anos ou mais. Precisavam falar francês fluentemente e não ter sido hospitalizados por razões psiquiátricas. Os participantes receberam um pequeno incentivo financeiro por participar da pesquisa.

Para garantir a qualidade das respostas, os pesquisadores realizaram várias checagens. Eles analisaram atividades anteriores em pesquisas e usaram perguntas específicas para filtrar aqueles que poderiam não ter levado a pesquisa a sério.

Medidas Utilizadas

O estudo utilizou vários questionários para reunir informações sobre o histórico dos participantes, incluindo suas experiências com trauma na infância, estilos de apego, habilidades de mentalização, níveis de solidão e sintomas de problemas de saúde mental.

  1. Questionário de Trauma na Infância: Essa ferramenta avalia a presença e a gravidade de experiências traumáticas na infância.
  2. Questionário de Função Reflexiva: Mede as habilidades de mentalização e como os indivíduos interpretam estados mentais em si mesmos e nos outros.
  3. Escala de Experiência em Relacionamentos Próximos: Avalia estilos de apego adulto, explorando como ansiedade e evitação impactam os relacionamentos.
  4. Escala de Solidão da UCLA: Mede sentimentos de solidão e isolamento social.
  5. Lista de Sintomas-90-Revisada: Avalia vários sintomas e problemas psicológicos.

Análise

Os pesquisadores realizaram uma série de testes para examinar as relações entre as diferentes dimensões da confiança epistêmica e a saúde mental. Eles analisaram correlações entre as pontuações dos participantes nas medidas de confiança epistêmica e outros questionários relevantes.

O estudo analisou como diferentes estilos de apego afetaram as pontuações nas escalas de confiança epistêmica. Eles também observaram como o trauma na infância influenciou os níveis de desconfiança e credulidade e examinaram as ligações entre solidão e problemas de saúde mental.

Principais Descobertas

Os resultados revelaram:

  • Confiança e Solidão: Níveis mais altos de desconfiança e credulidade epistêmica estavam ligados a níveis mais altos de solidão. Pessoas que lutam com a confiança tendem a se sentir mais sozinhas e isoladas.
  • Trauma na Infância: Existe uma relação significativa entre trauma na infância e tanto a desconfiança quanto a credulidade. Aqueles com um histórico de trauma tendem a ter mais dificuldades em confiar nos outros e podem ser mais ingênuos.
  • Estilos de Apego: Diferentes estilos de apego impactaram significativamente as pontuações nas escalas de confiança epistêmica. Por exemplo, indivíduos com apego seguro mostraram mais confiança do que aqueles com estilos de apego ansioso ou evitativo.

Discussão

Essas descobertas destacam a importância de entender a confiança nas interações sociais. Quando os indivíduos têm dificuldade em confiar nos outros, isso pode levar a resultados negativos de saúde mental. Por outro lado, incentivar a confiança pode ajudar a combater a solidão e melhorar o bem-estar geral.

O estudo também sugere que experiências na infância moldam como confiamos e interagimos com os outros na vida adulta. Traumas precoces podem levar a dificuldades nos relacionamentos e aumentar o risco de problemas de saúde mental.

Além disso, a conexão entre solidão e saúde mental enfatiza a necessidade de intervenções. Ajudar os indivíduos a desenvolver melhores habilidades sociais e confiança pode mitigar os efeitos isolantes da solidão.

Implicações para a Saúde Mental

As implicações dessa pesquisa são significativas, especialmente para profissionais de saúde mental. Sugere que abordar questões de confiança na terapia pode ser vital para aqueles que estão enfrentando solidão ou problemas de saúde mental. Focando em construir confiança, os terapeutas podem ajudar os clientes a desenvolver relacionamentos mais saudáveis e melhorar sua saúde mental geral.

Além disso, intervenções que ensinam habilidades sociais e melhoram a confiança podem ser benéficas para aqueles com um histórico de trauma na infância. Essas abordagens podem capacitar os indivíduos a romper ciclos de solidão e desconfiança, promovendo interações sociais mais saudáveis.

Conclusão

Esse estudo lança luz sobre as complexas relações entre experiências na infância, confiança, solidão e saúde mental. Compreender essas conexões pode ajudar a desenvolver intervenções mais eficazes que abordem problemas subjacentes de confiança, particularmente em indivíduos que sofreram traumas.

À medida que continuamos a aprender mais sobre como a confiança social afeta nosso bem-estar mental, será essencial explorar estratégias práticas para fomentar a confiança nos relacionamentos. Isso pode, em última análise, levar a ambientes sociais mais saudáveis e solidários, reduzindo a solidão e melhorando a saúde mental de muitas pessoas.

As descobertas incentivam pesquisas contínuas sobre confiança epistêmica e seu papel na saúde mental. Focando em construir confiança nas interações sociais, podemos pavimentar o caminho para melhorias significativas no bem-estar geral de indivíduos e comunidades.

Fonte original

Título: Epistemic Trust, Mistrust and Credulity Questionnaire (ETMCQ) validation in French language: Investigating association with loneliness

Resumo: The concept of epistemic trust is gaining traction in the mental health field. It is thought to play a foundational role as a resilience factor against the development and maintenance of psychopathology by facilitating social learnings useful to navigate in the modern world. The primary aim of this study is to validate in French language the Epistemic Trust, Mistrust, and Credulity Questionnaire (ETMCQ). We further investigate associations with key developmental and psychological factors (childhood trauma, mentalizing and attachment), besides possible mediating roles between childhood traumatic experiences and psychopathology and between loneliness and psychopathology. 302 participants were recruited for analysis via the online survey platform Prolific. Along with ETMCQ, measures of CTQ-SF, RFQ-8, ECR-R, UCLA-LS and SCL-90-R were administered. Confirmatory Factor Analysis and General Linear Model of Mediation were conducted. Our study shows that the ETMCQ represents a valid instrument to assess epistemic trust. We find an adequate replication of the original three-factor solution in a francophone population with a 12-item version, exhibiting satisfactory psychometric properties and external validity. We replicate previous findings that demonstrated epistemic trusts attachment style related differences, as well as the mediating effect between childhood traumatic experiences and psychopathology. We also observed that epistemic trust mediates the well-described association between loneliness and psychopathology. We add momentum to the framework that considers epistemic trust as key underlying contributor to the maintenance or alleviation of psychopathology. Future research should investigate the ETMCQ in clinical population, where psychopathological expressions are severe, enduring and connected, and where identifying potential intercessors could help target and improve interventions.

Autores: Christian Greiner, V. Besch, M. Bouchard-Boivin, C. Le Henaff, C. Von Rohr-De Pree, N. Perroud, P. Prada, M. Debbane

Última atualização: 2024-05-06 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.06.24306924

Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.05.06.24306924.full.pdf

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

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