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Desafios na Percepção do Olhar em Transtornos de Saúde Mental

Estudo revela problemas de percepção de olhar na esquizofrenia e transtorno bipolar.

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Percepção do olhar em SZPercepção do olhar em SZe BDolhares que afetam interações sociais.Estudo destaca dificuldades na troca de
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Pessoas com esquizofrenia (SZ) e transtorno bipolar (BD) geralmente enfrentam desafios constantes em situações sociais, vida familiar e trabalho, mesmo tomando remédio. Esses desafios vêm de dificuldades na cognição social, que é a habilidade de interpretar e responder a sinais sociais. Um aspecto chave da cognição social é como percebemos se alguém está olhando para nós. Essa habilidade, conhecida como percepção de olhar autorreferencial, é importante para entender as emoções e intenções dos outros, e afeta como tomamos decisões e nos comportamos em situações sociais.

A Importância da Percepção do Olhar

Quando interagimos com outros, confiamos em sinais como contato visual, expressões faciais e movimentos da cabeça para perceber como os outros estão se sentindo. Uma percepção de olhar precisa nos ajuda a navegar em situações sociais e construir relacionamentos. No entanto, pessoas com SZ e BD têm dificuldade nessas habilidades. Pesquisas mostram que elas costumam demorar mais para decidir se alguém está olhando para elas, e seus julgamentos são muitas vezes menos precisos.

Essa interrupção na percepção do olhar se relaciona a problemas mais amplos na cognição social e pode levar a sintomas mais severos na esquizofrenia, como alucinações e delírios. A relevância clínica dessas dificuldades na percepção do olhar sugere a necessidade de uma investigação mais profunda sobre como esses processos funcionam.

Mecanismos da Percepção do Olhar

Nossa habilidade de perceber o olhar depende de vários processos interconectados. Isso inclui como coletamos informações sensoriais, as suposições que fazemos sobre o que vemos, como combinamos essas informações, quão cautelosos somos em nossas respostas e como agimos com base em nossas decisões. Medidas tradicionais, como a rapidez ou precisão com que alguém responde em uma tarefa, muitas vezes não capturam as razões complexas por trás das dificuldades na percepção do olhar. Em vez disso, esses processos podem estar em jogo simultaneamente, levando a resultados diferentes.

Modelagem computacional oferece uma maneira de decompor esses processos complexos. Ao usar um modelo conhecido como modelo de drift-diffusion (DDM), os pesquisadores podem identificar como os mecanismos de percepção do olhar diferem em indivíduos com SZ e BD em comparação com pessoas saudáveis. O DDM ajuda a explicar como as pessoas coletam evidências para tomar decisões e quais fatores influenciam esse processo.

O Modelo Drift-Diffusion Explicado

No contexto da percepção do olhar, o DDM propõe que, ao decidir se alguém está olhando para elas, os indivíduos coletam evidências sensoriais até atingirem um certo limiar que os leva a tomar uma decisão. Diferentes elementos do processo de tomada de decisão podem ser avaliados usando parâmetros do DDM:

  1. Taxa de Drift: Isso indica quão rápido e precisamente alguém pode coletar evidências. Uma taxa de drift mais baixa significa decisões mais lentas e propensas a erros.

  2. Separação de Limiar: Isso reflete quanta evidência é necessária para tomar uma decisão. Um limiar mais alto significa que mais evidência é necessária, resultando, normalmente, em escolhas mais lentas e confiáveis.

  3. Ponto de Início: Esse é o viés inicial que uma pessoa pode ter ao tomar uma decisão. Um ponto de início mais próximo da opção "olhando para mim" indica uma expectativa de que os outros realmente estão olhando para elas.

  4. Viés de Drift: Isso mede quão fortemente uma pessoa favorece uma decisão em relação a outra. Se a taxa de drift para "olhando para mim" é significativamente maior, sugere um viés em assumir que alguém está olhando diretamente para ela.

  5. Tempo Não-Decisório (NDT): Isso representa o tempo gasto no processamento antes de uma decisão ser feita.

Visão Geral do Estudo

Um estudo explorou os processos de percepção do olhar em indivíduos com SZ, BD e controles saudáveis (HC) usando o DDM. Os participantes passaram por uma tarefa de percepção do olhar onde viram imagens de rostos mostrando diferentes direções de olhar (direto ou desviado), emoções faciais (neutras ou assustadas) e orientações da cabeça (voltadas para frente ou viradas). Eles tiveram que decidir se a pessoa na imagem estava olhando para eles ou não.

Essa tarefa foi realizada enquanto se coletavam dados para garantir que todos os participantes tivessem habilidades de saúde e cognitivas semelhantes. Era importante para os pesquisadores entender como diferentes condições de saúde mental podem alterar a percepção do olhar.

Resultados sobre a Percepção do Olhar

Taxas de Drift e Acúmulo de Evidências

O estudo descobriu que as taxas de drift eram significativamente mais baixas em indivíduos com SZ e BD em comparação com controles saudáveis. Isso significa que ambos os grupos demoraram mais para coletar evidências ao decidir se alguém estava olhando para eles. Em várias condições da tarefa, indivíduos saudáveis mostraram consistentemente um acúmulo de evidências mais eficiente em todas as situações.

Quando se olhou especificamente para a direção do olhar e orientação da cabeça, os controles saudáveis mantiveram taxas de drift mais altas em comparação com aqueles com SZ e BD, sugerindo que a habilidade de processar sinais sociais estava geralmente prejudicada nesses grupos. Essas diferenças de desempenho foram consistentes ao longo das diferentes condições da tarefa.

Separação de Limiar

Os resultados também indicaram que indivíduos com SZ apresentaram uma separação de limiar mais alta. Isso significa que eles precisavam de mais evidência para tomar uma decisão do que os controles saudáveis, sugerindo mais cautela em suas respostas. Essa cautela poderia ajudar a manter a precisão, mas veio à custa de decisões mais lentas.

Ponto de Início e Viés de Expectativa

Embora todos os grupos mostrassem algum viés inicial em pensar que os outros estavam olhando para eles, não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos nesse aspecto. Isso indica que a tendência de esperar que os outros olhem para nós é um traço humano comum, não exclusivamente prejudicado nessas condições de saúde mental.

Viés de Drift

Curiosamente, o viés de drift indicou que indivíduos com BD tinham uma tendência mais forte a acreditar que as pessoas estavam olhando para eles em comparação com controles saudáveis. Esse viés foi particularmente aparente com orientações da cabeça que não estavam voltadas para os espectadores. Em contraste, indivíduos com SZ mostraram um viés de drift favorecendo a ideia de que os outros não estavam olhando para eles, especialmente quando as orientações da cabeça estavam desviadas.

Implicações para Compreender Sintomas e Funcionamento Social

Os parâmetros do DDM se correlacionaram com vários aspectos da cognição social e geral. Especificamente, aqueles com melhores habilidades cognitivas tendiam a acumular evidências de forma mais eficiente e exibiam menos viés em seus julgamentos sobre o olhar. No entanto, indivíduos com maiores delírios dentro da SZ mostraram um viés inicial mais forte em acreditar que os outros estavam olhando para eles. Isso reflete a importância dos viéses cognitivos sociais na compreensão dos sintomas da SZ.

Explorando o Funcionamento Social

Para entender melhor como a percepção do olhar se relaciona com o funcionamento no mundo real, o estudo examinou se os parâmetros do DDM poderiam prever resultados de funcionamento social. Foi encontrado que viéses autorreferenciais na percepção do olhar eram preditivos de quão bem os indivíduos gerenciavam situações sociais em suas vidas diárias.

Após uma análise cuidadosa, ficou claro que aqueles que tendiam a esperar que os outros olhassem para eles com mais frequência costumavam ter dificuldades em interações sociais. No entanto, medidas tradicionais de desempenho, como precisão e tempo de reação, não mostraram essas mesmas relações, destacando as percepções únicas que a modelagem computacional pode trazer para entender a cognição social.

Conclusão

O estudo forneceu insights importantes sobre como indivíduos com esquizofrenia e transtorno bipolar percebem o olhar. Ao empregar modelagem computacional, os pesquisadores puderam identificar diferenças fundamentais na acumulação de evidências e viéses que afetam a cognição social. Essa pesquisa tem implicações para o desenvolvimento de intervenções direcionadas para melhorar o funcionamento social desses indivíduos, focando nos desafios de percepção do olhar.

Avançando, há uma necessidade de refinar abordagens de treinamento que abordem déficits cognitivos sociais específicos em vez de habilidades gerais. Isso poderia levar a melhores resultados em interações sociais para aqueles que lutam contra os efeitos dessas condições de saúde mental. Compreender a natureza intrincada de como as pessoas processam sinais sociais, como o olhar, continuará sendo crucial para melhorar a vida de indivíduos com SZ e BD.

Fonte original

Título: Cognitive Mechanisms of Aberrant Self-Referential Social Perception in Psychosis and Bipolar Disorder: Insights from Computational Modeling

Resumo: Background and HypothesisIndividuals with schizophrenia (SZ) and bipolar disorder (BD) show disruptions in self-referential gaze perception--a social perceptual process related to symptoms and functioning. However, our current mechanistic understanding of these dysfunctions and relationships is imprecise. Study DesignThe present study used mathematical modeling to uncover cognitive processes driving gaze perception abnormalities in SZ and BD, and how they relate to cognition, symptoms, and social functioning. We modeled the behavior of 28 SZ, 38 BD, and 34 controls (HC) in a self-referential gaze perception task using drift-diffusion models (DDM) parameterized to index key cognitive components: drift rate (evidence accumulation efficiency), drift bias (perceptual bias), start point (expectation bias), threshold separation (response caution), and non- decision time (encoding/motor processes). Study ResultsResults revealed that aberrant gaze perception in SZ and BD was driven by less efficient evidence accumulation, perceptual biases predisposing self-referential responses, and greater caution (SZ only). Across SZ and HC, poorer social functioning was related to greater expectation biases. Within SZ, perceptual and expectancy biases were associated with hallucination and delusion severity, respectively. ConclusionsThese findings indicate that diminished evidence accumulation and perceptual biases may underlie altered gaze perception in patients and that SZ may engage in compensatory cautiousness, sacrificing response speed to preserve accuracy. Moreover, biases at the belief and perceptual levels may relate to symptoms and functioning. Computational modeling can, therefore, be used to achieve a more nuanced, cognitive process-level understanding of the mechanisms of social cognitive difficulties, including gaze perception, in individuals with SZ and BD.

Autores: Carly A Lasagna, I. F. Tso, S. D. Blain, T. J. Pleskac

Última atualização: 2024-07-21 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.30.24304780

Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.30.24304780.full.pdf

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/

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