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Desvendando os Segredos dos Microrganismos Não Cultivados

Pesquisadores revelam a diversidade escondida em microrganismos não cultivados através de métodos inovadores.

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Nos últimos anos, os cientistas desenvolveram novos métodos pra estudar organismos minúsculos que a gente geralmente não consegue ver ou cultivar em laboratório. Esses métodos ajudam a gente a juntar informações sobre os muitos tipos de Bactérias e archaea que vivem em diferentes ambientes. O jeito tradicional de estudar esses organismos envolvia tentar cultivá-los em laboratórios, o que muitas vezes limitava nossa compreensão da diversidade e dos papéis que eles têm na natureza.

Pesquisas recentes mostraram que uma parte significativa da vida microbiana ainda não foi cultivada, ou seja, a gente ainda não estudou ou nem identificou um monte desses organismos. A Metagenômica, que é o estudo do material genético direto de amostras ambientais, ajudou a gente a descobrir novos tipos de bactérias e archaea em lugares como oceanos, solos e outros ecossistemas. Essas descobertas sugerem que existem muitas variações escondidas no mundo microbiano.

A Importância dos Microorganismos Não Cultivados

Não dá pra subestimar a importância de estudar microorganismos não cultivados. A maioria das bactérias e archaea que existem acredita-se que sejam incultiváveis. Isso significa que elas não crescem bem em condições de laboratório. Ao focar nesses organismos, os pesquisadores esperam responder a muitas perguntas biológicas importantes.

O crescimento de métodos que não dependem de cultivar esses micróbios em laboratórios expandiu significativamente nossa compreensão da vida microbiana. A gente começou a descobrir as muitas adaptações e interações que esses organismos têm em seus ambientes. Além disso, estudos recentes levaram à identificação de vários novos grupos de micróbios, como as bactérias CPR, archaea DPANN e archaea Asgard, desafiando nossas visões tradicionais sobre a vida na Terra.

Metagenômica e a Busca pela Diversidade Oculta

O estudo dos metagenomas proporcionou uma vasta quantidade de conhecimento sobre a diversidade microbiana. A pesquisa metagenômica ajudou a identificar novos grupos de microorganismos e forneceu uma visão de como eles se adaptam aos seus ambientes. No entanto, apesar desses avanços, muitas proteínas previstas a partir de metagenomas continuam sem anotações, ou seja, suas funções e classificações taxonômicas são desconhecidas.

Essa falta de anotações cria uma grande lacuna na nossa compreensão da diversidade microbiana. Muitos cientistas acreditam que são necessárias técnicas novas pra estudar essas sequências não caracterizadas de forma mais eficaz. Os métodos atuais que dependem de múltiplos alinhamentos de sequências têm dificuldade em classificar a ampla variedade de sequências ambientais.

Um grande desafio ao estudar essas sequências é o alto nível de divergência em relação às sequências bem caracterizadas. Isso dificulta encontrar comparações significativas entre sequências primárias de organismos cultivados e seus equivalentes ambientais. Como resultado, reconstruir uma árvore evolutiva abrangente se tornou complicado.

Abordagens Alternativas

Pra enfrentar esses desafios, os pesquisadores começaram a desenvolver novos métodos que podem ajudar a estudar esses micróbios desconhecidos. Uma abordagem promissora é usar métodos baseados em redes pra analisar as relações entre sequências. Redes de co-ocorrência ajudam a identificar os papéis ecológicos de táxons desconhecidos, enquanto redes de similaridade de sequências (SSNs) permitem comparação entre sequências de organismos cultivados e não cultivados.

Por exemplo, em 2012, pesquisadores usaram SSNs pra identificar novas linhagens a partir de sequências ambientais de 16S rRNA. Estudos subsequentes mostraram que as SSNs podem revelar efetivamente distâncias significativas e relações entre sequências, ajudando os pesquisadores a ganhar insights sobre a diversidade de amostras ambientais.

Uma Nova Abordagem Iterativa

Baseando-se em métodos anteriores, os pesquisadores desenvolveram uma abordagem iterativa pra pesquisar conjuntos de dados ambientais. Esse método envolve várias rodadas de busca e agregação de sequências homólogas ao redor de um conjunto de sequências sementes. À medida que mais homólogos são encontrados, eles são incorporados à busca, permitindo a identificação de variantes cada vez mais divergentes.

Ao aplicar esse método, os pesquisadores encontraram homólogos distantes de famílias de proteínas importantes em metagenomas oceânicos. Esse procedimento iterativo possibilita uma exploração mais profunda da diversidade genética presente em microbiomas marinhos e pode ajudar a descobrir variantes estruturais e de sequência significativas de importância biológica.

Resultados: Descoberta de Novas Variantes

Através de métodos inovadores de sequenciamento, os pesquisadores identificaram várias variantes altamente divergentes em metagenomas oceânicos. Uma descoberta chave foi a identificação de homólogos distantes associados a famílias de proteínas bem estudadas. Um exemplo envolveu as DNA polimerases, uma família crucial de proteínas responsáveis pela replicação do DNA.

Ao examinar essas famílias de proteínas, os pesquisadores encontraram várias novas sequências que eram previamente não caracterizadas. Eles descobriram que essas variantes divergentes podem indicar a presença de linhagens totalmente novas de microorganismos e destacar a vasta diversidade presente no microbioma do oceano.

Esse método também revelou novas características estruturais e funcionais de proteínas que são essenciais para vários processos biológicos. No geral, essas descobertas sugerem que o oceano abriga uma infinidade de organismos novos, muitos dos quais ainda não foram descritos.

Compreendendo Famílias de Proteínas

O processo iterativo de descoberta permitiu que os pesquisadores reunissem informações significativas sobre famílias de proteínas antigas e conservadas. Analisar essas famílias de proteínas ajudou a fornecer insights sobre processos biológicos que podem não ter sido totalmente apreciados.

Por exemplo, os pesquisadores estudaram Proteínas SMC responsáveis por manter a estrutura do cromossomo. Eles descobriram um novo clado de variantes SMC que são altamente abundantes em amostras oceânicas. Essas descobertas sugerem que esse grupo novo desempenha um papel importante em funções celulares que foram subestimadas anteriormente.

Além disso, a pesquisa revelou agrupamentos de sequências que podem pertencer a tipos completamente novos de organismos que se ramificam consideravelmente das famílias procarióticas conhecidas. Entender o contexto filogenético dessas sequências é crucial pra entender a evolução microbiana.

Descoberta de DNA Polimerases Oceânicas

Uma descoberta particularmente empolgante foi a identificação de novas variantes de DNA polimerases em amostras oceânicas. Essas proteínas são críticas para a replicação do DNA e desempenham várias funções dentro de diferentes domínios da vida.

Os cientistas encontraram agrupamentos de homólogos ambientais distantes relacionados a conhecidas DNA polimerases. Analisando as relações entre essas sequências, indicou-se a presença de linhagens novas, potencialmente se ramificando de organismos conhecidos. Essa descoberta sugere que existem muitos organismos marinhos não cultivados com mecanismos únicos para a replicação do DNA.

Novos Clados de Proteínas SMC

Outra descoberta significativa envolveu a detecção de um novo clado de proteínas SMC identificadas em Actinobacteria. Os pesquisadores descobriram que essas proteínas podem desempenhar funções alternativas dentro de seus respectivos contextos celulares.

Através da análise filogenética, ficou claro que esse novo clado de proteínas SMC tem uma divergência substancial das proteínas SMC conhecidas, indicando uma possível origem evolutiva única. Essas descobertas levantam questões intrigantes sobre como essas proteínas funcionam em ambientes oceânicos em comparação com as proteínas SMC caracterizadas anteriormente em ambientes de laboratório.

Descobertas de Grupos de Ramificação Profunda

Os esforços de pesquisa também resultaram na descoberta de grupos de ramificação profunda dentro da árvore da vida microbiana. Especificamente, algumas recombinases de DNA mostraram uma considerável divergência em relação às sequências conhecidas, sugerindo que pertencem a novas linhagens não caracterizadas.

Analisar essas sequências divergentes destacou o potencial para descobrir novos organismos que ainda não foram documentados. A amplitude da diversidade presente dentro desses grupos indica que muitos processos biológicos podem ser realizados por organismos que ainda não foram estudados de forma eficaz, enfatizando ainda mais a importância de investigar ambientes marinhos.

O Vastíssimo Desconhecido nos Metagenomas Ambientais

À medida que a pesquisa avança, a presença do desconhecido nos metagenomas ambientais continua vasta. Existem muitas sequências genéticas, organismos e interações que permanecem não descobertos. Isso requer uma exploração contínua e o desenvolvimento de novas técnicas pra desvendar essa diversidade escondida.

A cada nova descoberta, os pesquisadores estão lentamente montando um quadro mais completo do mundo microbiano. O método de busca de rede iterativa permite que os cientistas naveguem por uma complexa gama de informações genéticas, revelando relações e funções ofuscadas por abordagens tradicionais.

Olhando pra Frente: Direções Futuras

As descobertas dessa pesquisa despertaram o interesse em desenvolver novas metodologias que podem explorar ainda mais os mistérios da vida microbiana. Estudos futuros podem utilizar comparações estruturais em 3D pra aprimorar nossa compreensão dos papéis funcionais dessas proteínas.

Ao focar menos em comparações de sequências primárias e mais em similaridades estruturais, os pesquisadores podem descobrir novos insights funcionais e aprofundar seu conhecimento sobre a vasta diversidade microbiana que existe nos nossos oceanos. O esforço colaborativo pra estudar esses organismos permitirá que os cientistas abordem questões fundamentais sobre evolução microbiana, ecologia e bioquímica.

Conclusão

Os avanços nas tecnologias de sequenciamento e metagenômica abriram novas possibilidades pra estudar microorganismos que antes eram largamente inacessíveis. Entender a diversidade de micróbios não cultivados é crucial pra uma visão mais abrangente da vida na Terra.

Através de abordagens iterativas e análises baseadas em rede, os pesquisadores estão começando a revelar os tesouros ocultos nas amostras ambientais. À medida que continuamos essa jornada de exploração, estamos não apenas desvendando as complexidades da vida microbiana, mas também ganhando insights que poderiam reformular a nossa compreensão da biologia como um todo. O oceano está repleto de potenciais descobertas, e a busca pra aprender mais sobre isso tá apenas começando.

Fonte original

Título: New groups of highly divergent proteins in families as old as cellular life with important biological functions in the ocean

Resumo: BackgroundMetagenomics has considerably broadened our knowledge of microbial diversity, unravelling fascinating adaptations and characterising multiple novel major taxonomic groups, e.g. CPR bacteria, DPANN and Asgard archaea, and novel viruses. Such findings profoundly reshaped the structure of the known tree of life and emphasised the central role of investigating uncultured organisms. However, despite significant progresses, a large portion of proteins predicted from metagenomes remain today unannotated, both taxonomically and functionally, across many biomes and in particular in oceanic waters, including at relatively lenient clustering thresholds. ResultsHere, we used an iterative, network-based approach for remote homology detection, to probe a dataset of 40 million ORFs predicted in marine environments. We assessed the environmental diversity of 53 gene families as old as cellular life, broadly distributed across the Tree of Life. About half of them harboured clusters of environmental homologues that diverged significantly from the known diversity of published complete genomes, with representatives distributed across all the oceans. In particular, we report the detection of environmental clades with new structural variants of essential genes (SMC), divergent polymerase subunits forming deep-branching clades in the polymerase tree, and variant DNA recombinases of unknown origin in the ultra-small size fraction. ConclusionsThese results indicate that significant environmental diversity may yet be unravelled even in strongly conserved gene families. Protein sequence similarity network approaches, in particular, appear well-suited to highlight potential sources of biological novelty and make better sense of microbial dark matter across taxonomical scales.

Autores: Duncan Sussfeld, R. Lannes, E. Corel, G. Bernard, P. Martin, E. Bapteste, E. Pelletier, P. Lopez

Última atualização: 2024-07-11 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2024.01.08.574615

Fonte PDF: https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2024.01.08.574615.full.pdf

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

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