Barreiras e Facilitadores nos Programas de Tratamento da Esquistossomose
Este estudo analisa os fatores que afetam a administração em massa de medicamentos para esquistossomose em Uganda.
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Índice
- Como a Esquistossomose Afeta a Saúde
- Esforços para Controlar a Esquistossomose
- Desafios na Implementação de Programas
- Estudo de Caso: Esquistossomose em Uganda
- Objetivos do Estudo
- Desenho e Local do Estudo
- Participantes do Estudo
- Métodos de Coleta de Dados
- Entrevistas com Informantes-Chave
- Entrevistas em Profundidade
- Discussões em Grupo Focadas
- Observações dos Participantes
- Analisando os Dados
- Considerações Éticas
- Resultados: Fatores Facilitadores
- Conscientização e Conhecimento
- Engajamento Comunitário
- Observando Resultados Positivos
- Dinâmica de Gênero
- Resultados: Fatores Inibidores
- Mobilização Fraca
- Desinformação
- Preocupações de Saúde
- Crenças Culturais
- Influência Política
- Conclusão e Recomendações
- Fonte original
A Esquistossomose é uma doença causada por vermes minúsculos chamados Schistosoma. Esses vermes podem ser encontrados em certas fontes de água e podem levar a sérios problemas de saúde. Ela afeta principalmente pessoas que vivem em áreas mais pobres, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Atualmente, cerca de 220 milhões de pessoas estão estimadas como infectadas pela esquistossomose. A infecção acontece quando as pessoas entram em contato com água poluída com dejetos que contêm os ovos desses vermes. Esse problema é bem sério em lugares como a África Subsaariana, onde o acesso a água limpa e saneamento é limitado.
Como a Esquistossomose Afeta a Saúde
O impacto da esquistossomose pode variar dependendo do tipo de verme envolvido. As pessoas podem enfrentar diferentes problemas de saúde, incluindo anemia, problemas de crescimento e dificuldades com o raciocínio e o trabalho. Em alguns casos, a exposição prolongada aos vermes pode levar a problemas de saúde graves que podem ser fatais. Na África, um número significativo de pessoas que precisa de tratamento para esquistossomose vive em áreas com água de baixa qualidade e sistemas de saneamento precários.
Esforços para Controlar a Esquistossomose
Os esforços para gerenciar a esquistossomose mudaram ao longo dos anos. No passado, alguns países desenvolveram programas que usavam vários métodos para controlar a doença. Por exemplo, o Sudão e o Egito usaram métodos como fornecer medicamentos, controlar populações de caracóis e melhorar as instalações de água e saneamento. Hoje em dia, a maioria dos países foca principalmente na distribuição de um remédio chamado Praziquantel (PZQ) para aqueles que estão em risco. Esse remédio tem se mostrado eficiente e seguro no tratamento da esquistossomose.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) inicialmente tinha uma meta para 2025 para reduzir os casos graves de esquistossomose em crianças. No entanto, essa meta mudou para a eliminação da esquistossomose até 2030.
Apesar dos avanços, alcançar esse objetivo tem sido desafiador. Em muitas áreas, controlar a esquistossomose requer recursos significativos e uma abordagem bem organizada. A melhor forma de lidar com essa doença envolve várias estratégias que consideram as circunstâncias locais.
Desafios na Implementação de Programas
Os programas para distribuir PZQ envolvem vários fatores, como conscientização da comunidade, entrega de medicamentos e envolvimento de diferentes organizações. Esses fatores podem afetar o quão bem-sucedidos os programas são. Os métodos usados para entregar os remédios podem variar dependendo das condições locais, incluindo se o programa foca em escolas ou comunidades e com que frequência o tratamento é fornecido.
Por vários motivos, incluindo necessidades educacionais e práticas de saúde locais, alguns programas podem não atingir suas metas. Embora tenha havido sucessos significativos em nível nacional em alguns países desde que começaram as distribuições em massa de medicamentos em 2003, a doença ainda persiste em certas áreas. Em alguns casos, comunidades específicas podem continuar relatando altas taxas de esquistossomose devido a fatores geográficos e sociais.
Estudo de Caso: Esquistossomose em Uganda
Em Uganda, a distribuição de praziquantel começou em 2003, com cerca de 400.000 doses dadas naquele ano. O programa desde então aumentou para tratar cerca de 1,5 milhão de crianças todos os anos, levando a uma queda nos casos de esquistossomose. No entanto, algumas áreas ainda apresentam altos níveis da doença, o que pode afetar a eficácia do programa.
Fatores socioeconômicos desempenham um papel crucial em como as pessoas participam dos esforços de Administração em Massa de Medicamentos (MDA). A confiança da comunidade nos trabalhadores de saúde locais e o engajamento dos líderes podem impactar significativamente o sucesso do programa. Por outro lado, a falta de participação pode surgir de várias razões, como desinformação sobre o remédio, medo de efeitos colaterais ou simplesmente não reconhecer a necessidade de tratamento.
Objetivos do Estudo
O principal objetivo deste estudo é investigar as barreiras e facilitadores relacionados à implementação de programas de administração em massa de medicamentos com foco no combate à esquistossomose. Ao olhar as experiências e opiniões de diferentes membros da comunidade, o estudo busca entender o que ajuda ou dificulta as pessoas a participarem desses programas.
Desenho e Local do Estudo
Este estudo usou uma abordagem etnográfica, coletando dados por meio de entrevistas e discussões em grupo para capturar as experiências de adultos nas comunidades afetadas. A equipe de pesquisa incluiu indivíduos treinados que trabalharam dentro da comunidade e falavam as línguas locais. O trabalho de campo ocorreu ao longo de seis semanas no Distrito de Hoima, em Uganda, em áreas próximas ao Lago Albert, onde a esquistossomose é comum.
Participantes do Estudo
Os participantes foram escolhidos de comunidades ao redor de escolas específicas envolvidas no estudo. Os participantes incluíram residentes locais, trabalhadores de saúde e líderes dentro da comunidade. O objetivo era reunir uma variedade de perspectivas sobre as barreiras e facilitadores para participar dos programas de MDA para esquistossomose.
Métodos de Coleta de Dados
O estudo coletou dados por meio de vários métodos:
Entrevistas com Informantes-Chave
Entrevistas foram realizadas com líderes comunitários e oficiais do governo local para coletar informações sobre a perspectiva da comunidade como um todo.
Entrevistas em Profundidade
Entrevistas individuais foram realizadas com membros da comunidade que tinham experiência com a esquistossomose. Isso ajudou a entender experiências pessoais e estratégias de enfrentamento.
Discussões em Grupo Focadas
Grupos de membros da comunidade foram reunidos para discutir suas opiniões sobre a esquistossomose e a participação nos programas de MDA.
Observações dos Participantes
Membros da equipe de pesquisa também observaram atividades diárias dentro da comunidade para entender como essas práticas se relacionam com a transmissão da esquistossomose.
Analisando os Dados
Os dados foram analisados identificando temas e padrões comuns das entrevistas e discussões. Essa abordagem permitiu que os pesquisadores compreendessem melhor as experiências dos participantes.
Considerações Éticas
A pesquisa foi conduzida de forma ética, garantindo a confidencialidade de todos os participantes. O consentimento informado foi obtido antes de coletar quaisquer dados, com processos traduzidos para as línguas locais para garantir compreensão.
Resultados: Fatores Facilitadores
Conscientização e Conhecimento
A maioria dos participantes informou estar ciente da esquistossomose e das opções de tratamento disponíveis. Esse conhecimento incentivou a participação nos programas de MDA, já que as pessoas entenderam a seriedade da doença e queriam melhorar sua saúde.
Engajamento Comunitário
A participação de distribuidores de medicamentos comunitários (CDDs) e equipes de saúde da vila foi um facilitador significativo. Esses indivíduos locais eram confiáveis e conhecidos dentro da comunidade, o que ajudou as pessoas a se sentirem mais à vontade para participar dos programas.
Observando Resultados Positivos
Participantes que viram outras pessoas se recuperarem da esquistossomose após tomar praziquantel eram mais propensos a participar também. Testemunhos pessoais e experiências compartilhadas desempenharam um papel crucial na motivação dos indivíduos a se juntarem.
Dinâmica de Gênero
As mulheres costumavam ser mais proativas que os homens na participação do MDA. Muitas queriam dar o exemplo para suas famílias e garantir que seus filhos recebessem tratamento.
Resultados: Fatores Inibidores
Mobilização Fraca
Alguns desafios surgiram de práticas tradicionais de pesca, onde os pescadores passavam longos períodos longe de casa. Isso dificultou o alcance de certos membros da comunidade pelos trabalhadores de saúde.
Desinformação
Alguns indivíduos, especialmente migrantes de regiões próximas, não estavam bem informados sobre a esquistossomose e os programas de tratamento. Essa falta de entendimento limitou sua participação nos esforços de MDA.
Preocupações de Saúde
Muitos temiam os efeitos colaterais do praziquantel, como náuseas ou dores de cabeça. Essas preocupações frequentemente superavam sua compreensão dos benefícios do remédio.
Crenças Culturais
Algumas crenças locais sobre fertilidade e saúde reprodutiva desencorajaram a participação no MDA. Rumores sobre o remédio causar infertilidade ou outros problemas de saúde contribuíram ainda mais para a hesitação.
Influência Política
Em alguns casos, membros da comunidade foram desencorajados a tomar o remédio devido a desacordos políticos ou influência de grupos opostos.
Conclusão e Recomendações
Os resultados destacam vários fatores que afetam o sucesso dos programas de MDA para controle da esquistossomose. Embora muitos membros da comunidade demonstrassem disposição para participar do tratamento, barreiras como desinformação e medos de efeitos colaterais continuam a representar desafios.
Para aumentar as taxas de participação, é vital melhorar a conscientização e fornecer informações precisas sobre a esquistossomose e seu tratamento. Envolver líderes comunitários e trabalhadores de saúde locais na mobilização dos residentes para a participação também pode ajudar a combater a desinformação e construir confiança nos programas. Além disso, é importante abordar equívocos relacionados a riscos à saúde e organizar campanhas de tratamento que considerem os estilos de vida únicos das comunidades afetadas.
Ao promover uma compreensão mais profunda da esquistossomose e seu tratamento por meio de contínuo engajamento e educação comunitária, pode ser possível superar as barreiras que impedem a participação bem-sucedida nos programas de administração em massa de medicamentos.
Título: Community education through local spheres of influence and lived experience of health benefits improve population adherence to programmatic Mass Drug Administration in a persistent schistosomiasis hotspot: an ethnographic study
Resumo: BackgroundThe WHO Neglected Tropical Disease Roadmap update for 2021-2030 includes new goals of elimination of schistosomiasis as a public health problem in all endemic countries. Despite heightened efforts since 2012, critical action is still required in addressing barriers to Mass Drug Administration, the primary method of control. This includes improvement in adherence by the populations in persistent schistosomiasis hotspots. One such hotspot is the shoreline of Lake Albert, Uganda, where schistosomiasis control is provided to school-aged children and adults. An overemphasis on regular treatment, without comprehensively addressing factors that result in low uptake of treatment in these high-risk populations is likely to impact the elimination of schistosomiasis as a public health problem. MethodsAn ethnographic study using in-depth interviews, key informant interviews, focus group discussions and participant observation was conducted in two study sites along Lake Albert. Thematic content analysis was used during data analysis. ResultsThe study revealed that the size, taste and smell of the drug, along with its side-effects; poor community integration and occupational behaviour resulting in non-mobilisation; and unfounded rumours and beliefs remain reasons for persistent low uptake of praziquantel by some. Conversely, lived experience of improved health through participation and knowledge of the dangers of the disease if not treated, facilitated treatment uptake. Social influence in crucial knowledge attainment was clear through positive attitudes to localised sensitisation by community drug distributors, along with the delivery of the drug at no cost at home. Crucially, for the majority of participants the facilitating factors were found to outweigh the inhibitory factors related to the drugs side effects. ConclusionWe recommend a good community engagement strategy that provides continuous education and sensitisation, with improved recruitment and training provision for Community Drug Distributors to facilitate programme reach to groups with current poor engagement. Author summaryOver the last two decades, in the Lake Albert region, Uganda, there has been a number of interventions targeted at schistosomiasis by grass root structures, and district and national level actors; but despite this the Lake Albertine districts remain a highly endemic region for schistosomiasis. In recognition of this persistent schistosomiasis, we examined the factors that inhibit or facilitate adherence to mass drug administration (MDA) using an ethnographic approach. Lived experience of improved health through participation and knowledge of the dangers of the disease if not treated, facilitated treatment uptake. Localised social influence was crucial in gaining knowledge that facilitated uptake. Key were positive attitudes to sensitisation conducted by community drug distributors; whilst uptake of treatment by children was reportedly heavily influenced by their mothers positive attitudes to treatment. The drug itself, praziquantel, was described as "very strong" and "effective" because of the relief from symptoms. There are, however, a number of people, both children and adults, who fail to adhere to MDA. Therefore, we recommend continuous education and sensitisation, alongside increased number and training of Community drug distributors/village health team members; with continued motivation for them as they are vital in enabling treatment uptake.
Autores: Shona Wilson, P. Odoi, S. Neema, B. J. Vennervald, E. M. Tukahebwa
Última atualização: 2024-03-06 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.01.24302915
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.01.24302915.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.
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