O Papel dos Relacionamentos na Aceitação da Vacina
Analisando como pais e amigos influenciam as decisões de vacinação contra a COVID-19 entre os estudantes.
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Índice
- O Impacto das Relações no Comportamento de Vacinação
- Psicologia Social e Modelos de Comportamento
- Transmissão Cultural e Sua Importância
- Influência Social nos Comportamentos de Saúde
- Atitudes sobre a Vacinação contra COVID-19
- Questões de Pesquisa e Objetivos
- Pesquisa sobre Atitudes de Vacinação
- Aprovação Ética
- Análise de Dados
- Estatísticas Descritivas
- Correlações e Análise de Hereditariedade
- Preditores de Atitudes de Vacinação
- Preditores da Adesão à Vacinação
- O Papel da Qualidade do Relacionamento
- Interações de Gênero
- Aplicações Práticas
- Limitações
- Conclusão
- Fonte original
- Ligações de referência
Altas taxas de pessoas não vacinadas podem causar sérios problemas de saúde. Durante a pandemia de COVID-19, quem não se vacinou pressionou ainda mais os sistemas de saúde. Isso também aumentou as chances de surgirem variantes de vírus mais perigosas. Com outras ameaças à saúde, como a gripe aviária, é fundamental entender por que algumas pessoas optam por não se vacinar.
Pesquisas analisaram como fatores como saúde mental e histórico social afetam as opiniões das pessoas sobre vacinas. No entanto, ainda falta compreensão sobre como as relações pessoais influenciam o comportamento de Vacinação. A maioria dos estudos junta a influência dos pais e amigos em um só grupo, o que limita como podemos mudar a opinião das pessoas sobre se vacinar. Descobrir se pais ou amigos têm mais influência sobre os jovens pode ajudar a direcionar melhor nossos esforços para incentivar a vacinação.
O Impacto das Relações no Comportamento de Vacinação
O estudo atual foca na população estudantil do Reino Unido, comparando como as atitudes dos pais e amigos afetam os sentimentos dos jovens sobre a vacinação contra COVID-19. Esta pesquisa busca iluminar como as atitudes de vacinação se espalham em círculos sociais, levando a estratégias de saúde pública mais direcionadas.
Psicologia Social e Modelos de Comportamento
A Teoria do Comportamento Planejado explica que os sentimentos das pessoas sobre algo, a pressão social que sentem e sua crença em ter controle sobre a situação impactam sua intenção de se comportar de uma certa forma. Essas intenções podem prever o comportamento real. Por exemplo, em relação à vacinação contra COVID-19, atitudes positivas e normas sociais têm se mostrado fortes preditores de quem decide se vacinar.
No entanto, essa teoria pode não cobrir todos os aspectos da mudança de comportamento. Focar apenas nesses fatores pode não ser suficiente para mudar comportamentos. Por exemplo, a teoria assume que família e amigos influenciam as intenções de forma igual, mas a psicologia cultural sugere que as pessoas são mais influenciadas por indivíduos específicos em seus círculos sociais. Compreender essas dinâmicas pode ajudar a criar melhores intervenções sociais para melhorar as taxas de vacinação.
Transmissão Cultural e Sua Importância
A teoria da evolução cultural analisa como informações, crenças e comportamentos se espalham dentro das populações ao longo do tempo. Quando as pessoas observam como os outros se comportam, tendem a adotar comportamentos semelhantes, muitas vezes favorecendo aqueles que veem como bem-sucedidos ou parecidos com elas. Isso leva a um viés na escolha de quem imitar com base na habilidade percebida ou status social.
Existem diferentes maneiras de passar informações culturais: de pais para filhos, de adultos para mais jovens e entre colegas. Para crianças pequenas, os pais costumam ser a influência mais significativa, mas conforme vão crescendo, os colegas começam a desempenhar um papel maior. Compreender como esses modos de transmissão funcionam é vital para projetar intervenções eficazes destinadas a mudar comportamentos, como aumentar as taxas de vacinação.
Influência Social nos Comportamentos de Saúde
Certas crenças e hábitos, como opiniões políticas ou crenças religiosas, são geralmente transmitidos com mais força dos pais para os filhos do que entre colegas. No entanto, os jovens podem confiar mais em seus amigos e fontes online para informações relacionadas à saúde. Estudos mostram que os colegas tendem a prever significativamente comportamentos de saúde, como exercícios e uso de substâncias, mais do que os pais, especialmente entre adolescentes.
Ainda assim, pesquisas também indicam que os pais desempenham um papel crucial na formação de comportamentos não saudáveis ao longo do tempo. À medida que os jovens entram na adolescência, a influência dos pais pode ressurgir, tornando-os importantes na previsão de atitudes e comportamentos de vacinação.
Tanto pais quanto amigos são vitais para guiar os comportamentos de saúde de um jovem. No entanto, a força dessa influência pode mudar dependendo do contexto. Isso é especialmente verdadeiro para a vacinação contra COVID-19, onde tanto pais quanto amigos podem ter um impacto significativo.
Atitudes sobre a Vacinação contra COVID-19
Grande parte da pesquisa sobre vacinação contra COVID-19 se concentrou em como as atitudes sobre a segurança e eficácia da vacina estão relacionadas às decisões das pessoas de se vacinar. Compreender como pais e amigos afetam individualmente as atitudes em relação à vacinação é crucial para influenciar a adesão à vacina.
A maioria dos estudos vê os pais e amigos como um só grupo ou se concentra apenas em um deles. No entanto, ter um membro da família ou amigo não vacinado está associado a uma maior probabilidade de não estar vacinado também.
A influência dos pais em comparação com os colegas não foi investigada de forma profunda. Se as normas dos pais forem mais impactantes, as estratégias que focam na influência dos colegas podem não ser tão eficazes.
Questões de Pesquisa e Objetivos
Este estudo busca entender qual dos seguintes agentes sociais - mães, pais ou melhores amigos - prevê mais fortemente as atitudes e a adesão à vacinação dos estudantes. Ao identificar as principais influências, podemos criar intervenções de saúde pública mais eficazes. Além disso, vamos analisar como a qualidade das relações com os pais impacta essas dinâmicas.
Pesquisa sobre Atitudes de Vacinação
Fizemos uma pesquisa em todo o Reino Unido focada nas atitudes e comportamentos de vacinação entre estudantes. Um total de 346 participantes completou a pesquisa, com 192 atendendo aos nossos critérios. A maioria dos respondentes era do sexo feminino e a média de idade era de 21 anos.
Os participantes foram questionados sobre seu status de vacinação e intenções de receber a vacina. As atitudes em relação à vacinação contra COVID-19 foram medidas usando uma série de perguntas destinadas a capturar suas opiniões sobre a segurança e eficácia da vacina. Também coletamos dados sobre as percepções dos participantes em relação ao comportamento de vacinação de seus pais e amigos.
Aprovação Ética
O estudo recebeu aprovação ética, garantindo que os participantes fossem informados sobre o projeto e consentissem em participar. Eles foram totalmente informados ao final da pesquisa.
Análise de Dados
Utilizamos um software estatístico para analisar os dados. Vários procedimentos foram empregados para garantir que nossas conclusões fossem válidas, dada a complexidade dos dados.
Estatísticas Descritivas
Os resultados mostraram que a maioria dos respondentes havia recebido a vacina e mantinha atitudes positivas em relação a ela. No entanto, entre os não vacinados, havia uma baixa probabilidade de querer a vacina. Os participantes geralmente relataram ter relacionamentos positivos com seus pais.
Correlações e Análise de Hereditariedade
Analisamos como as atitudes em relação à vacinação estavam correlacionadas entre os participantes e seus familiares e amigos. As conexões mais fortes foram observadas entre os estudantes e suas mães. Isso sugere que aqueles que compartilham relações próximas podem ter atitudes de vacinação semelhantes.
Também realizamos uma análise de hereditariedade para examinar como atitudes e comportamentos de vacina são transmitidos dentro dos círculos sociais. Nossos achados indicam que as atitudes são frequentemente semelhantes entre membros da família e amigos, o que poderia informar futuras intervenções.
Preditores de Atitudes de Vacinação
Analisamos como as atitudes e comportamentos dos agentes sociais previram as atitudes dos estudantes em relação à vacinação. O status de vacinação da mãe foi encontrado como o preditor mais forte, destacando a importância da influência parental nas atitudes de vacinação.
Por outro lado, os colegas também têm influência significativa, especialmente quando o estudante tem um bom relacionamento com seus amigos. Isso sugere que tanto pais quanto amigos podem desempenhar papéis críticos na formação das atitudes de vacinação dos estudantes.
Preditores da Adesão à Vacinação
Ao examinar a adesão à vacina, os achados mostraram que o status de vacinação da mãe permaneceu um preditor significativo. Isso enfatiza a importância da influência materna sobre se um jovem decide se vacinar.
Curiosamente, os comportamentos e atitudes dos colegas não se mostraram preditores significativos da adesão à vacina dos estudantes quando analisados com a qualidade do relacionamento. Isso indica que a relação com os pais pode desempenhar um papel mais crucial nas decisões de vacinação.
O Papel da Qualidade do Relacionamento
Nossa pesquisa também considerou como a qualidade dos relacionamentos afetou a influência dos pais e amigos. Os dados mostraram que um relacionamento positivo com um pai poderia aumentar sua influência nas atitudes de vacinação. No entanto, a adesão dos amigos à vacina foi um preditor mais significativo quando controlada pela qualidade do relacionamento, especialmente em casos de vínculos parentais mais fracos.
Interações de Gênero
A amostra incluía uma porcentagem maior de participantes do sexo feminino. No entanto, os achados sobre a influência materna foram consistentes entre os gêneros, sugerindo que o papel da mãe é significativo independentemente do gênero do estudante.
Aplicações Práticas
Esses achados têm implicações para estratégias de saúde pública destinadas a melhorar as taxas de vacinação entre jovens. Intervenções que incentivem as mães a se vacinarem ou enfatizem o papel dos amigos podem ser eficazes. Dada a influência potencial das relações, campanhas de saúde pública podem ser adaptadas para se adequar às dinâmicas sociais dos indivíduos.
Limitações
É importante observar que este estudo tem limitações. Por um lado, o design não nos permite inferir causalidade direta a partir das descobertas. Além disso, dependemos das percepções dos participantes sobre os comportamentos de vacinação de seus pais e amigos, o que pode levar a vieses.
A amostra incluiu uma proporção menor de participantes não vacinados, o que pode limitar a generalização de nossas conclusões.
Conclusão
Este estudo teve como objetivo investigar como as atitudes e comportamentos dos pais e amigos influenciam a vacinação contra COVID-19 entre estudantes. Os resultados sugerem que tanto os pais quanto os colegas são essenciais para moldar as atitudes de vacinação, sendo o status de vacinação da mãe o preditor mais significativo. Compreender essas dinâmicas pode ajudar a melhorar as estratégias de saúde pública voltadas para a adesão à vacinação entre jovens.
Pesquisas futuras devem continuar a explorar as contribuições de pais, amigos e a qualidade das relações para obter insights mais profundos sobre os comportamentos de vacinação.
Título: The importance of mothers: The social transmission of COVID-19 vaccination attitudes and uptake
Resumo: The global fight against the COVID-19 pandemic has underscored the critical importance of widespread vaccination to mitigate the impact of the virus on public health. The current study aimed to investigate which social influences might be most important for predicting attitudes towards COVID-19 vaccination and vaccine uptake among young students in the UK. We focused on the cultural evolution and social transmission aspects, i.e., parent-to-child versus peer-to-peer, of attitudes and vaccine uptake during the COVID-19 pandemic. A sample of 192 UK students (aged 18 to 35 years old) filled in an online survey including measures for attitudes towards COVID-19 vaccination and vaccine uptake and/or intention, age, and gender. Participants were also asked about their mothers, fathers, and best friends attitudes towards COVID-19 vaccination and vaccine uptake. Finally, they provided a subjective measure of the quality relationship with their parents. Overall, our results suggest that both parents and very close friends are important agents in understanding the students attitudes towards COVID-19 vaccination and vaccine uptake. More specifically, our findings suggest the mothers vaccine uptake as the most salient predictor of students attitudes towards COVID-19 vaccination and vaccine uptake, particularly when the students disclose having a positive relationship with their parents. In cases where students experience negative relationship with their parents, the best friends vaccine uptake may supersede the mothers influence. Despite these nuances, a general trend emerges from our data suggesting that vaccine uptake could be primarily guided by vertical transmission (i.e., parent to child). Our results have the potential to influence public health strategies, communication campaigns, and targeted interventions to enhance vaccination uptake. Identifying key social predictors can enable policymakers and health authorities to tailor vaccination promotion efforts towards mothers and peers vaccine uptake to increase overall positive attitudes and vaccine uptake among young people.
Autores: Monica Tamariz, O. Thompson, M. Cristea
Última atualização: 2024-03-07 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.06.24303875
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.03.06.24303875.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
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