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O Mistério do Spin dos Binários de Raios-X em Buracos Negros

Investigando a formação e a rotação de buracos negros em sistemas binários de raios-X.

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Buracos negros de binários de raios-X de alta massa (BH-HMXBs) são sistemas onde um buraco negro suga material de uma estrela companheira massiva, resultando em emissões de raios-X. Até agora, só três desses sistemas foram confirmados: Cygnus X-1, LMC X-1 e M33 X-7. Cada um deles contém um buraco negro com uma alta rotação, mas é meio confuso porque esses buracos negros têm rotações tão altas quando se pensa que deveriam começar com rotações baixas. Esse artigo investiga como esses sistemas se formam e evoluem, focando no papel da transferência de material entre as estrelas.

O que são Buracos Negros de Binários de Raios-X de Alta Massa?

Em um BH-HMXB, o buraco negro acumula material de uma estrela massiva, gerando raios-X. Podemos categorizar esses sistemas em duas grupos: binários de baixa massa e binários de alta massa. Os sistemas de baixa massa têm uma estrela doadora menor, enquanto os de alta massa envolvem uma estrela doadora maior, normalmente do tipo O. No caso dos BH-HMXBs, o buraco negro geralmente puxa gás do vento da estrela.

Apesar das observações em andamento, vemos que os BH-HMXBs são menos comuns que outros tipos de binários de estrelas massivas. Isso levou os cientistas a sugerir que os ventos dessas estrelas podem não ser sempre fortes o suficiente para criar as condições necessárias para formar um disco de acreção ao redor do buraco negro.

Formação de Buracos Negros de Binários de Raios-X de Alta Massa

A formação de BH-HMXBs envolve processos complexos, começando com duas estrelas massivas em um sistema binário. À medida que essas estrelas evoluem, uma pode eventualmente colapsar em um buraco negro. Depois disso, o material da estrela restante começa a fluir em direção ao buraco negro, especialmente se o buraco negro companheiro preencher seu lóbulo de Roche. O lóbulo de Roche é a área ao redor de uma estrela dentro da qual o material é ligado gravitacionalmente a essa estrela. Se a estrela companheira se expandir, pode transbordar essa fronteira, enviando material em direção ao buraco negro.

O mais notável é que, após a formação do buraco negro, há frequentemente uma rápida transferência de massa da estrela companheira para o buraco negro. Isso é chamado de transbordo do lóbulo de Roche. É durante essa fase que as propriedades do sistema podem mudar dramaticamente, impactando as rotações dos buracos negros envolvidos.

O Papel da Acreção

Acreção é como o buraco negro ganha massa e rotação. Acredita-se que buracos negros podem ser alimentados por vários mecanismos de acreção, que afetam como eles ganham massa ao longo do tempo. Os três principais tipos de cenários de acreção discutidos são acreção limitada por Eddington, acreção moderadamente super-Eddington e acreção totalmente conservadora.

  1. Acreção Limitada por Eddington: Neste modelo, a taxa de acreção é limitada pelo limite de Eddington, que é a máxima luminosidade que um corpo pode alcançar quando há pressão de radiação impedindo mais acreção. Isso leva a um ganho de massa menor para o buraco negro e não aumenta significativamente sua rotação.

  2. Acreção Moderadamente Super-Eddington: Esse cenário permite um ganho de massa maior, onde o buraco negro pode acumular material em taxas superiores ao limite de Eddington, mas sem exagerar. Isso resulta em rotações aumentadas, embora as rotações ainda possam não atingir níveis extremos.

  3. Acreção Totalmente Conservadora: Neste cenário, o buraco negro ganha massa por um processo mais eficiente, puxando o máximo de material que pode. Esse tipo de acreção pode levar a rotações extremas do buraco negro, já que retém mais momento angular do material absorvido.

Observações e Desafios

As rotações dos buracos negros nesses sistemas parecem contradizer nossas expectativas baseadas em modelos teóricos da evolução estelar. Espera-se que os primeiros buracos negros em sistemas binários tenham rotações baixas. No entanto, as observações sugerem o contrário, indicando que a dinâmica da transferência de massa e as rotações resultantes são mais complexas do que se pensava antes.

Na tentativa de reconciliar essas observações, os pesquisadores exploraram dois caminhos principais para produzir buracos negros com alta rotação:

  1. Eficiência da Transferência de Massa: Se a transferência de massa da estrela companheira for muito eficiente, o buraco negro pode ganhar massa significativa e acelerar rapidamente. Alguns estudos sugerem que essa eficiência pode ser provavelmente maior do que os modelos padrão preveem.

  2. Acreção Super-Eddington: Esse processo pode potencialmente resultar em altas rotações, especialmente se as condições forem favoráveis para um buraco negro capturar mais material de forma eficaz.

Desafios em Entender a Rotação

Entender as rotações dos buracos negros não é simples. Calcular rotações com base em observações envolve várias incertezas. Por exemplo, a maneira como as emissões de raios-X são interpretadas pode levar a diferentes estimativas da rotação de um buraco negro. Alguns métodos sugerem altas rotações para os buracos negros em BH-HMXBs, enquanto outros indicam rotações mais baixas baseadas em diferentes modelos de emissões.

Além disso, as rotações dos buracos negros a partir de observações de ondas gravitacionais parecem mostrar uma distribuição diferente daquelas observadas em BH-HMXBs. Isso destaca um possível desconforto entre como os buracos negros se formam em diferentes ambientes e como eles evoluem ao longo do tempo.

A Importância da Síntese de População Binária

Para entender melhor a população de BH-HMXBs alimentados por vento, os cientistas usam modelos de síntese de população binária (BPS). Esses modelos simulam como as estrelas em sistemas binários evoluem e interagem ao longo do tempo. Novos códigos foram desenvolvidos para fornecer insights detalhados sobre esse processo, incluindo vários parâmetros como metalicidade e eficiência da transferência de massa.

Usando esses códigos atualizados, os pesquisadores realizaram simulações para ver quantos binários se enquadrariam na categoria de BH-HMXBs alimentados por vento sob diferentes suposições sobre a transferência de massa e a eficiência da acreção. Condições iniciais como massa e período orbital são cruciais para determinar o destino desses binários.

Principais Descobertas das Simulações

As simulações revelaram várias tendências importantes na população de BH-HMXBs alimentados por vento:

  1. Prevalência de Sistemas Pós-Transbordo do Lóbulo de Roche: A maioria dos sistemas identificados nas simulações já havia passado pelo transbordo do lóbulo de Roche antes de serem classificados como BH-HMXBs alimentados por vento. Portanto, muitos sistemas binários passam mais tempo em uma fase pós-RLO do que antes.

  2. Distribuições de Massa e Rotação: As simulações indicaram uma ampla gama de possíveis massas e rotações para os buracos negros. Essa variabilidade reflete diferentes caminhos que o sistema pode seguir, dependendo da eficiência da transferência de massa e das propriedades iniciais das estrelas.

  3. Alta Luminosidade de Raios-X: Sistemas pós-RLO exibiram luminosidades de raios-X mais altas, indicando que eram mais propensos a serem observados. Uma melhor compreensão das condições que levam a alta luminosidade pode ajudar a identificar mais BH-HMXBs no futuro.

Conclusão

A investigação sobre a formação e evolução de BH-HMXBs alimentados por vento revela uma interação complexa de fatores que influenciam suas rotações e ganho de massa. Os processos de transferência de massa e acreção desempenham um papel significativo e destacam a necessidade de modelagem detalhada para capturar a dinâmica em jogo.

Apesar dos desafios enfrentados para alinhar previsões teóricas com dados observacionais, os avanços recentes em códigos de simulação abriram caminho para insights mais profundos sobre esses fascinantes sistemas cósmicos. A pesquisa contínua nessa área é essencial para desvendar os mistérios em torno dos buracos negros, sua formação e evolução em sistemas binários.

As diferenças observadas entre populações simuladas e observações reais ressaltam a necessidade de trabalho contínuo para refinar modelos e abordar quaisquer discrepâncias. Essa pesquisa não apenas contribui para nossa compreensão dos buracos negros, mas também amplia nossa compreensão da evolução estelar e do ciclo de vida das estrelas massivas em nosso universo.

Fonte original

Título: Formation of Wind-Fed Black Hole High-mass X-ray Binaries: The Role of Roche-lobe-Overflow Post Black-Hole Formation

Resumo: The three dynamically confirmed wind-fed black hole high-mass X-ray binaries (BH-HMXBs) are suggested to all contain a highly spinning black hole (BH). However, based on the theories of efficient angular momentum transport inside the stars, we expect that the first-born BHs in binary systems should have low spins, which is consistent with gravitational-wave observations. As a result, the origin of the high BH spins measured in wind-fed BH-HMXBs remains a mystery. In this paper, we conduct a binary population synthesis study on wind-fed BH-HMXBs at solar metallicity with the use of the newly developed code POSYDON, considering three scenarios for BH accretion: Eddington-limited, moderately super-Eddington, and fully conservative accretion. Taking into account the conditions for accretion-disk formation, we find that regardless of the accretion model, these systems are more likely to have already experienced a phase of Roche-lobe overflow after the BH formation. To account for the extreme BH spins, highly conservative accretion onto BHs is required, when assuming the accreted material carries the specific angular momentum at the innermost stable orbit. Besides, in our simulations we found that the systems with donor stars within the mass range of $10-20\,M_{\odot}$ are prevalent, posing a challenge in explaining simultaneously all observed properties of the BH-HMXB in our Galaxy, Cygnus X-1, and potentially hinting that the accretion efficiency onto non-degenerate stars, before the formation of the BH, is also more conservative than assumed in our simulations.

Autores: Zepei Xing, Tassos Fragos, Emmanouil Zapartas, Tom M. Kwan, Lixin Dai, Ilya Mandel, Matthias U. Kruckow, Max Briel, Jeff J. Andrews, Simone S. Bavera, Seth Gossage, Konstantinos Kovlakas, Kyle A. Rocha, Meng Sun, Philipp M. Srivastava

Última atualização: 2024-06-28 00:00:00

Idioma: English

Fonte URL: https://arxiv.org/abs/2407.00200

Fonte PDF: https://arxiv.org/pdf/2407.00200

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/

Alterações: Este resumo foi elaborado com a assistência da AI e pode conter imprecisões. Para obter informações exactas, consulte os documentos originais ligados aqui.

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