A Ascensão do Acinetobacter baumannii na América Latina
O Clone 2 de A. baumannii traz novos riscos à saúde no Brasil.
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Índice
Acinetobacter Baumannii é um germes que pode causar infecções sérias em hospitais ao redor do mundo. Ele se espalha rápido e pode levar a várias doenças. Por causa da sua resistência a muitos tratamentos, é visto como uma grande ameaça à saúde pública. Esse germes faz parte de um grupo chamado ESKAPE, que inclui outras bactérias perigosas conhecidas pela Resistência a Antibióticos. Desde 2018, a Organização Mundial da Saúde classificou A. baumannii que não pode ser tratado com antibióticos carbapenêmicos como a prioridade máxima para o desenvolvimento de novos antibióticos.
O Problema da Resistência
Existem grupos específicos de A. baumannii, chamados Clones Internacionais, que mostram resistência forte a vários tipos de antibióticos. Esses grupos de alto risco, especialmente o Clone 2, foram vistos em muitos países e têm causado surtos em hospitais. Dentro desse clone, há vários subgrupos que diferem um pouco na sua composição genética. Por exemplo, o Clone 2 tem uma variante popular conhecida como Tipo de Sequência 2, que é comumente encontrada em casos clínicos.
Curiosamente, enquanto o Clone 2 se espalhou bastante em vários lugares, os relatos dele na América Latina, especialmente no Brasil, têm sido escassos. No Brasil, outras variantes de A. baumannii foram mais comuns, mas recentemente apareceram relatos do Clone 2 em São Paulo. Isso sugere que a situação pode estar mudando.
Fatores que Contribuem para a Virulência
A. baumannii tem múltiplos fatores que o tornam perigoso, incluindo mecanismos para expulsar antibióticos, sinais para se comunicar com outras bactérias e a capacidade de formar camadas protetoras conhecidas como Biofilmes. Uma das características principais que ajuda a resistir ao tratamento é sua cápsula, que o defende contra o sistema imunológico.
Pesquisa Recente no Brasil
Estudos recentes focaram em 16 novos casos de Clone 2 encontrados em um hospital no Rio de Janeiro durante um surto de COVID-19. Os pesquisadores descobriram que esses casos mostraram resistência extensiva à maioria dos antibióticos, com polimixinas sendo os únicos medicamentos que ainda conseguiam responder. A presença de vários genes associados à resistência a antibióticos e virulência também foi identificada nessas bactérias.
Visão Geral do Estudo
Neste estudo, os cientistas analisaram de perto os dados genéticos das 16 amostras de A. baumannii coletadas. Eles queriam entender quão relacionadas essas amostras estavam a outras encontradas em diferentes partes do mundo, especialmente na América Latina. O número total de genomas de A. baumannii disponíveis para análise era de mais de 17.000. Desses, cerca de 600 genomas eram da América Latina, mas a maioria vinha de apenas um país, o México, com o Brasil contribuindo com um número bem pequeno.
Padrões de Resistência e Análise Genética
Cada uma das 16 cepas do Brasil era resistente a vários medicamentos, o que as tornava extremamente difíceis de tratar. A análise mostrou uma variedade de genes ligados à resistência, afetando medicamentos como fluoroquinolonas e carbapenêmicos. Além disso, os pesquisadores encontraram uma região específica no genoma que carregava múltiplos genes de resistência. Essa região tinha semelhanças com aquelas encontradas em cepas de outros países, indicando que esses genes poderiam estar se espalhando internacionalmente.
O estudo também examinou como as bactérias eram construídas, usando técnicas avançadas para sequenciar seu DNA. As sequências de DNA foram comparadas para entender quais cepas estavam mais relacionadas. A análise revelou que as cepas brasileiras formavam grupos distintos, com algumas agrupadas com cepas de outras regiões, incluindo América do Norte e Europa.
Entendendo a Virulência e Mobilome
A análise dos genes das bactérias mostrou um conjunto rico de fatores de virulência, que contribuem para sua capacidade de infectar e causar doenças. Muitas cepas carregavam estruturas genéticas semelhantes que ajudavam na resistência e na capacidade de causar infecção. Algumas variações nas sequências de genes indicavam adaptações a diferentes ambientes.
Além disso, os pesquisadores investigaram o "mobilome", que consiste em elementos genéticos móveis que podem mover genes, levando a um aumento da resistência. Isso desempenha um papel significativo em como as bactérias podem adquirir novas características, como resistência a antibióticos.
Implicações para a Saúde
Essas descobertas destacam a necessidade urgente de vigilância contínua de A. baumannii em ambientes hospitalares, especialmente em regiões onde não tem sido comumente relatado. A presença de novas cepas resistentes à maioria dos tratamentos levanta preocupações sobre o futuro da saúde. À medida que essas bactérias se espalham, elas representam um desafio crescente nos hospitais, onde pacientes vulneráveis estão em risco.
O gerenciamento eficaz de surtos causados por A. baumannii exigirá esforços conjuntos de profissionais de saúde, pesquisadores e autoridades de saúde pública. Medidas para controlar a propagação desse germes precisam focar em práticas de higiene melhoradas, uso consciente de antibióticos e investimentos em pesquisas para novos tratamentos.
Conclusão
A. baumannii é um germes complexo e adaptável que representa desafios significativos em ambientes de saúde. Sua capacidade de resistir a tratamentos e causar infecções severas faz dele um foco crucial para pesquisas contínuas e iniciativas de saúde pública. A recente emergência do Clone 2 no Brasil demonstra a natureza em evolução deste patógeno e a necessidade de vigilância para gerenciar sua propagação. Entender sua composição genética, mecanismos de resistência e fatores de virulência ajudará a informar melhores estratégias para combater infecções causadas por esse patógeno oportunista.
Título: Outbreak of XDR CRAB of International Clone 2 in Rio Janeiro, Brazil
Resumo: The high-risk clones of Acinetobacter baumannii, called international clones (ICs), span several ICs, IC1 to IC7 being the most reported. Among them, IC2 represents the main lineage causing outbreaks worldwide. IC2 presents a great diversity of sub-lineages with different sequence types (ST). Despite successful global spread, the occurrence of IC2 is rarely reported in Latin America, including Brazil. Here, through genomic analysis, we investigated 16 IC2/ST2 strains obtained from a clinical setting in Brazil (2022). These strains represented carbapenem-resistant A. baumannii (CRAB) with an extensively drug-resistant (XDR) profile, with most showing some resistance to tigecycline. Overall, these strains showed susceptibility only to polymyxins, thus leading to restricted therapeutic choices. Based on in silico analysis, the relationship between Brazilian CRAB genomes and IC2/ST2 genomes circulating in the world, particularly in South America, was established. The Brazilian IC2 strains belonged to three discrete and distinct sub-lineages, being more associated with IC2/ST2 genomes from countries in Europe, North America and Asia, suggesting their epidemiological link. These Brazilian strains were characterized by the co-presence of blaOXA-23 and blaOXA-66, in addition to the genes APH(6), APH(3"), ANT(3"), AAC(6), armA, and the efflux pumps adeABC and adeIJK, associated with the XDR/CRAB phenotype. Furthermore, the three sub-lineages presented three distinct capsules, KL7, KL9 and KL56, the latter not yet associated with IC2 genomes. A large set of virulence genes was also identified in the genomes: adeFGH/efflux pump, the siderophores barAB, basABCDFGHIJ and bauBCDEF, lpxABCDLM/capsule, tssABCDEFGIKLM/T6SS, pgaABCD/biofilm.
Autores: Sergio Morgado, E. Fonseca, F. Freitas, N. Bighi, P. Oliveira, P. Monteiro, L. Lima, B. Santos, M. Sousa, A. Assumpcao, L. Mascarenhas, A. C. Vicente
Última atualização: 2023-04-27 00:00:00
Idioma: English
Fonte URL: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2023.04.27.23289201
Fonte PDF: https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2023.04.27.23289201.full.pdf
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/
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